Livro: Unnatural Death

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Lord Peter Wimsey, aquele par do reino que, na falta de mais o que fazer, dedica suas habilidades ao hobby de ser detetive particular, se interessa pelo desabafo de um médico que diz ter certeza de que a morte de sua paciente idosa não foi natural – mas, quando fez menção de dizer isso à família da falecida, foi condenado por todos da cidade pequena e perdeu toda sua clientela.

Lord Peter, com o auxílio de seu melhor amigo Inspetor Parker, começa a se intrometer no caso. Parece que tudo não passou de impressão do médico, até que uma das criadas da casa da falecida desaparece. Lord Peter logo descobre, além disso, que a senhora que morreu tinha uma enorme quantidade de dinheiro, e que a questão do testamento não está de modo algum resolvida.

Esta resenha contém spoilers.

Eu confesso que fiquei bastante confusa com a questão do testamento, que é no fim das contas o principal motivo para todos os assassinatos. E eu também já reparei que é o estilo da autora descobrir quem foi o assassino no meio do livro e passar todo o resto da história tentando achar um jeito de prender o criminoso. Como eu ainda não me acostumei com essa forma de contar a história, fiquei esperando uma reviravolta final – que veio, claro, e foi brilhante, mas não ligada à identidade do assassino.

O livro também tem vários temas problemáticos, como racismo e lesbianismo, mas apesar de eu achar que sempre temos que ficar atentos aos problemas da ambientação, não dá pra esquecer que o livro foi escrito numa época e local meio complicados – ingleses no meio do século XX não eram assim conhecidos pela cabeça aberta. Juntando as duas coisas, não acho que a mulher ser lésbica foi um problema, afinal fica claro que a tia-avó também era, e no caso da tia-avó era um relacionamento saudável, bonito e que todo mundo meio que sabia. A questão do racismo é um pouco mais complicada de falar, porque não sou uma autoridade, mas sim, ela usa adjetivos pouco apropriados para descrever o primo do Caribe e o pior é que esse é o menor dos problemas.

SPOILER – Peter deixa um negro ser acusado falsamente do crime, confiante de que ele vai conseguir resolver tudo e o pobre primo (que ainda por cima é pastor!) vai só passar uma temporada de boas na cadeia e depois ser inocentado e ainda ficar com o dinheiro. Mas sabemos que, por mais que a polícia britânica seja (teoricamente) tranquila, nos EUA (e aqui), mandar um negro inocente pra cadeia é tipo. Né. Leitores de outras nacionalidades criticaram essa postura do personagem – e consequentemente da autora – e eu acho que tem que observar isso sim – por isso estou falando agora. Não estou desculpando a jovem, mas lembrar da época e local onde ela vivia são relevantes para entender da onde veio essa parte da trama. E Lord Peter nunca foi um modelo ético, e sempre esteve pouco se lixando pras outras pessoas desde que ele chegasse ao seu objetivo.

De forma geral, gostei do desenvolvimento da história, gostei dos personagens, me interessei pela reflexão que tudo gerou. Recomendo a leitura para quem gosta de bons romances policiais.

Unnatural Death (1927) de Doroty L. Sayers. Série Lord Peter Wimsey livro 3

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