Livro: Um Estudo em Vermelho

Esse é um dos livros mais famosos de todos os tempos mas que incrivelmente muita gente não leu ainda. Um Estudo Em Vermelho introduziu o personagem Sherlock Holmes ao público, aquele que viria a se tornar o mais famoso detetive da literatura.

O livro começa com a narrativa de Watson, um médico do exército que, por ter pouco dinheiro e nenhum lugar para morar, acaba conhecendo Sherlock Holmes através de um amigo em comum, que diz que Holmes também precisa de um lugar para ficar.

Holmes acabara de encontrar um apartamento providencial na rua Baker, cujo aluguel seria salgado para um mas que dois poderiam dividi-lo tranquilamente.
Watson está de molho por ter sido ferido na guerra, então o seu hobby principal no início do relacionamento com Holmes é descobrir que diabos o cara faz da vida. Suas atividades e as pessoas que ele recebe são por demais estranhos para se encaixar em qualquer profissão que Watson conheça.

Um dia Holmes revela que ele é na verdade um detetive particular que recebe consultas, uma profissão que ele diz que foi ele mesmo que inventou. Ele demonstra seus poderes de dedução baseados na observação acurada, e Watson logo se empolga.

Quando Holmes é chamado pelo inspetor Lestrade, da Scotland Yard, para averiguar um estranho caso onde um homem parece ter morrido de causa alguma numa sala abandonada com sangue por todos os lados, é o momento de Watson acompanhar sua primeira investigação e comprovar pessoalmente o que faz do seu amigo o mais genial de todos os detetives.

A graça do livro pra mim foi a divisão. A primeira parte segue a investigação de Holmes – que já é divertida pra caramba, já que o inspetor Lestrade não confia em Holmes e fica tomando vários foras. Além disso o crime é dos mais interessantes. Mas a segunda parte vai para um cenário bem diferente: o desolado estado de Utah e uma comunidade de mórmons fanáticos.

Lá, seguimos a história do próspero fazendeiro John Ferrier e sua bela filha adotiva Lucy entre os mórmons. A história é muito impressionante. O cenário desértico, a pegada de late western, os personagens e o conflito final, quando os pastores da comunidade decidem que Ferrier não merece mais viver entre eles, são suficientes para transformar o livro num excelente suspense.
Enquanto na primeira parte existe o mistério de saber quem é o criminoso e como foi cometido o crime, na segunda parte o perigo fica mais real: é impossível não se importar com o destino de Ferrier, Lucy e do aventureiro Jefferson Hope, a quem ela entrega o coração. A sensação de perigo iminente e a perseguição que eles sofrem dos mórmons é de deixar o leitor grudado no livro.

Na época do lançamento da história, ninguém encanou muito com essa história dos mórmons, primeiro porque eram menos chatonildos com mensagens preconceituosas em livros e segundo porque o livro foi escrito depois de um massacre de 120 imigrantes promovido por mórmons perto de Salt Lake City, o que deixou o público bem menos inclinado a gritar “preconceito religioso!” quando o autor colocou mórmons como os vilões. O massacre foi tenso: os mórmons fingiram dar a bandeira branca pra tirar o pessoal do forte improvisado e mataram todos os homens, mulheres e crianças para não deixarem testemunhas. Apenas algumas crianças menores de sete anos foram poupadas, que foram adotadas pelos mórmons. Isso ocorreu em 1857, mas os culpados só foram julgados em 1874. Sem dúvida alguma a gangue de mórmons do livro foi inspirada nessa história.

Hoje em dia o livro foi retirado da lista de leituras de crianças porque houveram reclamações de que ele mostra os mórmons de forma preconceituosa e pejorativa, mas aparentemente o livro continua nas bibliotecas. Sobre a polêmica, o autor disse que 1) na época em que ele escreveu o livro, o fanatismo dos mórmons estava na mídia e 2) ele deu um nome específico para o grupo de assassinos no livro e deixou claro que eles eram assassinos porque eram maus e não porque eram mórmons e 3) que um trabalho de ficção é completamente diferente de um tratado histórico.
Né.
Enfim.
Polêmicas à parte, o livro junta uma boa história de detetive com um excelente suspense histórico, além de ser o primeiro livro a ter Sherlock Holmes como protagonista.
O que você está esperando pra ler?

Título original: A Study in Scarlet (1887)
De Arthur Conan Doyle (Reino Unido)

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