Trono de Vidro

Celaena Sardothien é a maior e mais famosa assassina de Adarlan. Após ser presa e condenada a trabalhar pro resto da vida nas minas de sal de Endovier, é só por um milagre que ela continua viva depois do primeiro ano – e aí o príncipe herdeiro do trono, Dorian, faz uma oferta: ela pode participar de uma competição com diversos outros assassinos, ladrões e soldados onde o vencedor se tornará o Campeão do Rei. Se ela vencer a competição e se ela servir bem ao rei, ao término de quatro anos todos os seus crimes serão perdoados e ela será livre.

Apesar de o rei de Adarlan representar tudo o que ela mais odeia – afinal, ele foi responsável pela morte dos pais de Celaena, pela destruição da magia no mundo e pela opressão e morte de centenas de milhares de povos conquistados – ela aceita a proposta do príncipe Dorian, pois sabe que não será capaz de sobreviver mais um ano naquele horror que são as minas de sal.

Quando ela é apresentada à corte como Lady Lillian, ela provoca um rebuliço entre as damas por estar tão próxima do príncipe e os outros competidores pelo posto de Campeão do Rei não a levam a sério por ser uma garota, mas logo Celaena descobre coisas interessantes: o príncipe Dorian está cada vez mais interessado nela; alguém está convocando monstros para matar outros competidores; uma princesa de um dos reinos conquistados se mostra uma amiga inusitada… Celaena pode até ser a melhor assassina, mas a vida na corte fará com que ela tenha que usar habilidades além da espada. E o capitão Westfall, que insiste em tratá-la mal durante os treinamentos, por outro lado parece ser o único que realmente a entende.

O livro tem uma ambientação que me deixou curiosa por ser um pouco diferente do tradicional mundo-com-magia, e o primeiro volume da série deixa mistérios interessantes em aberto em relação a isso. O toque nórdico/saxão foi bem bolado, e a narrativa deixa claro que Celaena tem mais possibilidades no futuro – então se ela se mostrar a salvadora de todo o universo e a chosen one, pelo menos as dicas já estão aqui. E daí acaba as partes boas.

Celaena é perfeita demais – bonita demais, magra demais, loira demais, habilidosa demais – já falei que ela é bonita demais? Peitos, cabelo maravilhoso, pernas incríveis = sono. Quando ela dá alguma mancada o livro até me deixava surpresa, porque ela é tão boa em tudo que as merdas que ela faz parecem inverossímeis. Por outro lado, ela é divertida, independente e geniosa, ao mesmo tempo em que é bem tapada em vários momentos, o que compensa a perfeição mas também fiquei com cara de ‘essa daí é a maior assassina do rolê e dá dessas?”. No fim das contas, deu vontade de saber o que vai acontecer com ela nos próximos volumes da série.

O triângulo amoroso me deixou irritada no começo por ser aquele clichezaço, mas eu gostei tanto do Dorian e do Chaol – e da princesa Nehemia, de longe a melhor personagem – que isso foi um pouco compensado. Só que os diálogos são ruins, hein. Ruins como eu nunca vi em um suposto best-seller. E enquanto a premissa do livro é incrível de verdade verdadeira, eu demorei dias pra terminar o livro, porque nada acontece. O mistério dos caras que vão morrendo não é misterioso droga nenhuma, ninguém no castelo inteiro parece se preocupar com o fato de que tem uma besta monstra à solta e Chaol, apesar de gato, é com certeza o chefe da guarda mais incompetente que já existiu. Os outros competidores, com pouquíssimas exceções, não merecem nem nome e muito menos descrição – juro que tem horas que a narrativa manda “fulano, sicrano e um outro soldado“. Mano, não era pra ser uma super competição incrível? Não era pra ser Jogos Vorazes encontra Senhor dos Anéis? Não era pra ser foda?

Pois bem, não é. O rei malvadão sequer aparece pra ver a competição, as provas sequer são descritas direito, e o livro passa páginas e mais páginas criando um triângulo amoroso lixo que tira o foco da parte mais importante que são as tais marcas mágicas, os monstros e os sonhos bizarros que a menina tem. A autora conta na orelha do livro que ela passou dez anos criando o mundo, e dá pra ver: tudo no mundo faz sentido, os nomes, as nacionalidades, os idiomas. Mas ela só esqueceu de pensar numa trama boa, e gastou um livro inteiro pra introduzir personagens, o que poderia ter sido feito em dois capítulos. Celaena passa o livro mais preocupada com sua beleza e suas roupas do que com ganhar o inferno da competição; gasta horas reclamando: da comida, de acordar cedo, de treinar, de que tratam ela mal (mesmo ela sendo tipo a maior assassina do mundo), de que o príncipe trata ela como piece of ass, e choro, choro choro. Aí de repente tem umas cenas de lembranças violentas que não fazem o menor sentido (oi, ele quebrou a mão dela pra obrigar ela a lutar com a esquerda? Por que não simplesmente amarrar o braço? E ela ainda gosta do cara. Afe). E mais roupas, e mais Chaol e Dorian achando ela gostosa, mas ela é perigosa então precisamos ficar longe dela, mas ela é atraente e feminina, mas ela é perigosa – e esse é basicamente o drama todo dos personagens. E claro, a leitura. Celaena está prestes a ganhar sua liberdade, desde que ela recupere o tempo perdido sendo escrava numa mina de sal – e aí ela passa as noites lendo romances que o príncipe recomendou pra ela em vez de dormir. Parece uma boa, não?

A ambientação daora e a premissa incrível me fizeram terminar o livro, mas viu? Tem muito mais fantasia por aí que vale a pena. Eu fico triste que uma ideia tão boa caiu no clichê do triângulo amoroso, mas no fim das contas a autora estava é certa: com enormes números de vendas e aplausos do público, não se pode negar que triângulo é o que vende mesmo. Pena.

(PS – como fala o nome dessa mina? Não faz sentido em nenhum idioma conhecido, e eu simplesmente desisti e resolvi que ela chama Selena. Fim.)

Throne of Glass (2012) de Sarah J. Maas. Série Throne of Glass Livro 1

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