Livro: The Raven in the Foregate

Quando o padre responsável pela igrejinha de Shrewsbury morre, é responsabilidade do Abade Radulfus escolher seu sucessor.
Enquanto a Abadia de São Pedro e São Paulo é uma imensa construção que recebe peregrinos de todas as partes do país, a igreja da Foregate é mais próxima da população, e o padre é como o pastor daquelas simples ovelhas.

O Abade foi chamado pelo bispo para demonstrar lealdade – já que é tempo de guerra civil e a ingreja tem um papel importante na confusão – e ele retorna da reunião com o Bispo e traz com ele um candidato a padre: Ailnoth, que trabalhou como secretário do bispo e veio muito bem recomendado.

Ailnoth traz com ele uma empregada e o sobrinho dela, o jovem Benet, que passa a trabalhar com Cadfael no herbário. Aos poucos, Cadfael repara que Benet não é bem o que parece – em vez de um jovem simples acostumado ao trabalho pesado, Benet tem uma inteligência e uma habilidade que dão outras idéias a Cadfael.

Enquanto isso, o Padre Ailnoth consegue o ódio da população da Foregate de forma muito rápida.
Primeiro, ele se recusa a interromper sua oração para batizar uma criança que nascera quase morta, e depois, quando ele finalmente vai até a casa e a criança já morreu, se recusa a enterrar o bebê em solo sagrado por não ter sido batizado.
Ele castiga os alunos da escola dominical usando a força física.
Durante uma briga por espaço do jardim da igreja, ele questiona a liberdade de um fazendeiro, dizendo que pela lei era possível que ele fosse um vilão (e consequentemente “pertencente” à terra, e não dono dela).
E por último, e mais gravemente, ele se recusa a receber na igreja uma moça simplória que servia de prostituta aos homens da cidade, porque ela não tinha arrependimento pelos seus atos. Desesperada, a moça se joga no lago e se mata.

Quando o abade fica sabendo da animosidade geral contra o padre, tenta conversar com Ailnoth, mas nada consegue. Ailnoth diz estar perfeitamente de acordo com as leis da bíblia e que não fez nada de errado.

Enquanto essas discussões ocorrem na abadia, Hugh Beringar, o xerife, é encarregado de encontrar dois espiões da Imperatriz Maude que teriam vindo até Shrewsbury para tentar escapar para o País de Gales. Cadfael é rápido em descobrir a possibilidade de seu jovial Benet estar envolvido nessa história.

Quando o padre Ailnoth é encontrado morto no lago – no mesmo lugar que a pobre prostituta havia se jogado – muitos são os suspeitos. Até mesmo Benet, que não estava onde deveria estar no momento da morte do padre (uma noite escura de natal), é suspeito do assassinato, já que Ailnoth seria um terrível inimigo se soubesse que o jovem era um espião da Imperatriz. Mas considerando que Ailnoth havia feito tantos inimigos em tão pouco tempo, parece tarefa impossível descobrir o verdadeiro culpado.

Eu gosto muito dos romances policiais medievais dessa autora. Desse eu gosto ainda mais por causa do personagem de Ailnoth, que se repete tanto até hoje: um homem “de Deus” que acha que sabe tudo da teoria bíblica mas ao mesmo tempo é incapaz de sentir compaixão e compreensão pelos “pecados” naturais do ser humano.
O romance tradicional nos livros da autora entre dois jovens é a ligação da história com a História da Inglaterra, já que Benet é o motivo para a autora voltar a se referir à terrível guerra civil que assolou o país por tantos anos. Eu sempre gosto desse artifício dela, já que ao mesmo tempo em que cria uma história de mistério, consegue ligar os personagens a fatos reais e deixar a coisa toda mais verossímil.

Uma excelente leitura que é perfeita para passar o tempo, esse é um dos livros bem recomendados da autora. Vale a pena.

Título Original: The Raven in the Foregate (1986)
de Ellis Peters (Reino Unido)
Série Crônicas do Irmão Cadfael Livro 12

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