Livro: The Franchise Affair

Esse livro está no 11º lugar entre os 100 melhores livros de mistério de acordo com a Crime Writer’s Association, e deixa eu contar um negócio pra vocês: na minha modesta opinião, esse livro super merece estar nessa lista.

A história começa com um advogado de cidade pequena sendo chamado por Marion Sharpe para defendê-la num caso policial. Robert Blair, o advogado, apesar de não ser especialista em crimes, resolve ajudar Marion por causa da admiração que sente por ela.

Marion é uma bela e discreta mulher de meia idade que mora com sua mãe em uma bela casa nos subúrbios da cidade. A casa é conhecida pelo nome de Franchise, daí o nome do livro (“O Caso Franchise”).
A acusação contra as duas é bem séria. Betty Kane, uma angelical garota de 16 anos, diz que foi raptada, torturada e escravizada pelas duas mulheres durante quase um mês. A garota descreveu tanto partes de fora como partes de dentro da casa em detalhes, assim como a aparência das duas mulheres. A menina de fato desapareceu por semanas, deixando os familiares extremamente preocupados, e quando reapareceu, estava terrivelmente machucada, com sinais de ter sido espancada e com hematomas por todo o corpo.

Marion e sua mãe estão completamente surpresas com a acusação e dizem sequer conhecer a menina. Apesar de achar que as duas parecem ser bem respeitáveis, o inspetor Grant, da Scotland Yard, admite para Robert que as provas estão todas contra elas, e que o júri vai certamente aceitar a versão de Betty Kane.

O livro segue então a desesperada busca de Robert por provas que possam inocentar as duas mulheres não só diante da polícia como também diante do júri, que será muito mais difícil de convencer.

Não posso falar mais do livro sem estragar o final. Mas com certeza é um dos policiais mais originais e inteligentes que já tive o prazer de ler. Eu não tenho a menor idéia se esse livro foi traduzido para o português (deveria, porque todos os livros dessa autora são FABULOSOS), mas se foi, não deixem de ler.
É muito, muito bom; contém todos os elementos que te fazer não querer largar o livro nem por um milagre, personagens interessantes e uma investigação sem maiores sanguinolências nem crimes hediondos (e inclusive com pouca participação de policiais ou detetives), mas nem por isso menos emocionante.

Com cenas tocantes e outras divertidas, o livro é incrivelmente memorável e deixo aqui minha super recomendação!

PS – a autora é classista pra caramba (pobre ou é desonesto ou nasceu para trabalhar para os ricos sem reclamar), acredita em “sangue bom/sangue ruim” (se você é de família “respeitável”, você é automaticamente bom, e se seu pai é ladrão, você é automaticamente mau), pratica slut shaming (mulheres liberadas sexualmente são vadias sem moral que só querem saber de roubar o marido das outras) e em geral é cheia dos preconceitos típicos de uma mulher de classe média alta branca inglesa de “boa família”. Por favor não seja um babaca de achar que ela tá certa. E nem deixe de ler e gostar do livro por causa das idéias idiotas dela. Tá? Então tá.

Título original: The Franchise Affair (1948)
De Josephine Tey (Reino Unido)

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