Livro: Tequila Vermelha

Aí o namorido quis porque quis ir comprar uns esquemas pra melhorar o PC dele, e, vendo os preços das coisas tecnológicas, de repente não me senti tão culpada assim por aumentar – ainda mais! – minha coleção de livros pela primeira vez em três meses (quase um récorde!).
O único problema é que agora moro na Zona Leste (mano!), ou seja, não moro mais perto de TODAS as Livrarias Culturas do mundo – ou de pelo menos três delas – e tive de me contentar com a Saraiva Mega Store. Críticas às livrarias à parte, acabou que eu peguei os primeiros livros que vi na frente e me sumi dali antes que algo pior acontecesse: só quem já frequentou a Livraria Cultura sabe o pouco espaço comparativo dado aos livros nas outras livrarias, que parecem vender tudo menos livros.

Mas, enfim. Um desses livros agarrados ao acaso foi Tequila Vermelha, livro dedicado ao público adulto do já famoso entre os jovens autor da série Percy Jackson.

Jackson Navarre Terceiro – mais conhecido como Tres – volta à sua cidade natal no Texas após dez anos para tentar resolver casos do passado.
Seu pai, Jackson Navarre, xerife da cidade, foi assassinado na sua frente, teoricamente por membros da máfia que estavam sendo prejudicados por suas investigações.
Depois disso, Tres praticamente foge para São Francisco, onde termina a faculdade, começa a lutar Tai-Chi e vira detetive particular.

Aí, sua ex-namorada desde o colegial, Lillian, retoma o contato depois de anos, e três meses depois Tres não resiste e volta à cidade natal para ver se é possível uma volta com Lillian.
E nos primeiros dias todo mundo parece querer ver Tres fora da cidade, ou morto, ou os dois. E Lillian desaparece misteriosamente. E o principal suspeito a mandante do assassinado do xerife agora é um mafioso reformado que se interessa demais por seu jardim.

Tres tem pouco tempo para descobrir o paradeiro de Lillian, resolver se escolhe a misteriosa Lillian ou Maia Lee, a fodástica chinesa de São Francisco que ensinou a ele tudo o que sabe – e que rouba a cena toda vez que aparece – , se entender com suas memórias do pai e finalmente aprender a viver com o seu passado.

Eu achei um livro bem honesto, pra dizer a verdade. Todos os clichês do gênero noir moderno estão ali: o detetive particular durão, solitário, sarcástico e cabeça dura, porém confuso quanto ao seu passado; a mocinha em perigo que pode não estar em tanto perigo assim; um ambiente decadente e perigoso. E no entanto eles não chegam a atrapalhar a narrativa, que é ágil e prende o interesse do leitor. O gênio do autor se revela mais durante as cenas com Robert Johnson, gato de Tres, que é um caso à parte, e as cenas com Maia, que na minha opinião é a melhor personagem do livro.

O final do livro – o famoso “quem matou” – não acontece do jeito a que nos acostumamos: em vez de um capítulol explicando tudo, as coisas vão se revelando passo a passo, e já no meio do livro temos uma vaga idéia do que aconteceu, mesmo que não exatamente de quem fez. Por isso a solução final não chega a surpreender, já que tivemos bastante tempo para nos acostumarmos com cada pequena descoberta do protagonista, mas também não decepciona.
No entanto, o número de personagens secundários é bem grande, e poucos são descritos de forma única a ponto de eu me lembrar exatamente quem são – sei que tem um jornalista, e um receptor de carros roubados, e um detetive que não saquei bem qual é a relação dele com Tres, e pelo menos mais um que eu esqueci, (além é claro do meio-irmão e da mãe de Tres) mas não cheguei a conseguir gravar qual nome era de qual, e isso complicou meu entendimento de certas cenas…

Mas também pode ser que eu estivesse tão animada pra terminar o livro que não prestei tanta atenção assim nas coisas, esperando chegar no final… Às vezes isso acontece comigo.
O que só mostra que o livro cumpre sua promessa: é um livro ágil, bem escrito, bem alinhavado e com personagens bem construídos. Se você gosta de um bom romance policial, definitivamente não perca.

2 ideias sobre “Livro: Tequila Vermelha

  1. Ah, eu já comprei o livro, agora é só esperar chegar…
    Acredite em mim, pior que morar um pouco mais longe das livrarias… é morar em lugar que não tem uma livraria sequer…#aicomosofro

    beijos,
    Dé…

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