Filme: Star Wars Episódio VIII – Os Últimos Jedi

“VOCÊ GOSTOU DE EPISÓDIO 8???”
Se eu fosse abordada com essa pergunta por uma pessoa aleatória em um momento em que apenas uma resposta direta serviria – por exemplo se eu estivesse descendo de escada rolante e ela subindo na escada ao lado, numa estação de metrô lotada às seis horas da tarde – eu devo dizer que responderia: “sim”.

Afinal, o filme não deixa de ser um aglomerado de cenas; digamos que hipoteticamente o longa tenha 100 cenas: eu diria que fique entediada em apenas 40 delas. É um bom número, não?

Agora, se a pessoa aleatória resolve me fazer essa pergunta em um local onde ela não tem como escapar de uma resposta que vai demorar algumas horas, sinto muito por ela. De qualquer forma quem me lê sabe da fama textão e pode perfeitamente ir fazer outra coisa – porém, estejam avisados.
Resenha livre de spoilers.

Começando pela parte boa: sim, eu me diverti. As piadas foram colocadas nos lugares certos, as cenas de ação são muito bem feitas, o filme é esteticamente incrível, os novos personagens são cativantes.

A parte ruim, pra variar, é o roteiro. Achei que o filme ficou uma versão ‘quase’ do episódio V. Portanto, a cada dois minutos temos uma cena que remete ao outro filme, MAS o desfecho da cena é outro. Dessa forma, temos ao mesmo tempo o fan service, já que todo fã de carteirinha de Star Wars sabe episódio V de cor e vai reconhecer todas as cenas, e ao mesmo tempo surpreendente, já que toda hora temos um novo caminho sendo iniciado. Eu já acho que existem mais formas de ser original sem ser copiando ganchos de outros filmes, mas né? Que funciona, funciona. Eu me surpreendi com os pequenos desfechos e ao mesmo tempo me vi interessada em qual seria a próxima cena quase idêntica.

Eu creio que existam pessoas nesse mundo que não tenham crescido assistindo Star Wars todos os dias quando crianças, e nesse caso acredito que elas possam se divertir com esse filme. Ele é suficientemente original para não ser uma cópia deslavada do V como o VII foi do IV e tem uma história constantemente interessante e movimentada.

Infelizmente, porém, nem os novos fãs serão capazes de ignorar os buracos no roteiro, que são todos devido ao mesmo problema: falta de foco. Em determinada parte do filme, os heróis são divididos em três grupos distintos em partes diferentes da galáxia. Isso sem contar no Kylo, nos imperiais-que-agora-têm-outro-nome e no Luke, todos com cenas separadas que não se sabe se estão acontecendo ao mesmo tempo ou em momentos diferentes. Ou seja, são pelo menos CINCO linhas de história separadas, e é difícil manter tudo divertido, original e surpreendente o tempo todo. Aí o roteiro cai no problema de que as coisas acontecem porque o roteirista quis.

Como a história não tem foco e não dá tempo de estabelecer as motivações com calma, os desfechos das cenas acontecem porque está no roteiro, e não porque algum personagem fez algo que poderia levar a isso. Comparem com o final de episódio V, em que o Luke é capturado porque decide ir atrás dos amigos. Ele é um personagem que faz uma decisão errada que leva a outros problemas. Esse filme 8 no entanto chega a ter mais de duas horas e meia de duração: não era pra ter falta de tempo pra explicar as coisas.

Além disso, alguns personagens ficam sobrando, sem fazer nada em várias cenas, dizendo falas que caberiam melhor saindo de outra pessoa mas era a hora de falar já que tinha passado os últimos segundos quieto atrás dos outros. Mais de uma vez me peguei pensando “mas era pra Leia falar isso, porque ela tá quieta?” ou “era pro Poe ter dito isso, não o Finn”.

Gostei dos atores que fizeram tudo direitinho e parecem estar genuinamente se divertindo – queria muito mais Leia, muito, muito mais. Infelizmente não tinha como eles saberem. (Eu acho que a Carrie tinha tanta irritação com tudo isso que morreu de propósito pra atrapalhar o filme.) Mark Hamill parece estar gostando de viver o Luke de novo, Adam Driver e Daisy Ridley mandam muito e Kelly Marie Tran é minha nova ídala <3 e vocês sabiam que aquela mocinha que ajuda o Poe no motim é a filha da Carrie Fisher, né??

No fim das contas é isso: apesar de tudo, achei o filme visualmente maravilhoso, com personagens divertidos, batalhas originais e um bom meio de trilogia – e era isso que era pra ser mesmo. Eu sou aquela que acha episódio I o pior filme já feito na história da humanidade mas mesmo assim assisti sete vezes no cinema, então pra mim Star Wars é vida: falo mal mas adoro. E juro que tentarei não julgar quem achou esse filme tão incrível que pode ser comparado ao 5. Não exagera também, né, povo. Aff.

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