Livro: Spindle’s End

Agora é a vez da adaptação da Bela Adormecida.
Ao contrário de Beauty, que segue as cenas do conto original, aqui a autora foi mais ousada.
Isso foi benéfico primeiro porque os personagens que a autora criou são excelentes e segundo porque me deu a impressão de estar lendo algo novo – enquanto que em Beauty, fiquei com a impressão de que já tinha lido isso antes e por isso meu interesse diminuiu.

O livro começa com a descrição do reino encantado onde se passa a história, em que a magia é tão forte que as pessoas estão acostumadas a que o trigo vire um animal e vice versa, e em que as fadas e os magos precisam estar constantemente em alerta para que a magia não saia de controle.
E em seguida conhecemos Katriona, uma garota de quinze anos que mora com sua tia fada, e que é sorteada para participar da cerimônia de nomeação da princesa.

Só que uma fada maligna interrompe a cerimônia para anunciar uma maldição (quando crescer, a garota vai picar o dedo no fuso da roca e dormir e depois morrer etc), e Katriona, com um amuleto de proteção que ganhou de um estranho, se vê abraçando a bebê e dizendo que vai ficar tudo bem.

Quando Pernicia (a fada má) some dali, a fada da rainha tira Katriona e o bebê da confusão e pede que Katriona leve o bebê embora, para escondê-la, até que os magos do rei consigam encontrar Pernicia e destruí-la.

Rosie, como a princesinha é chamada por Katriona e sua tia, cresce no interior do reino, sem saber da sua ancestralidade e sem usar os dons que recebeu das fadas: o cabelo dourado ela corta curto por não ter paciência com ele, o dom da costura ela nunca usou por não querer ficar trancada em casa com uma agulha, o dom da dança… bem, ela gosta mesmo é de cuidar dos animais e de ficar no ateliê do ferreiro.
Acontece que durante a longa viagem de Katriona da capital até o fim de mundo onde ela vive, a princesa, então com três meses de idade, precisava de leite, e os animais selvagens a amamentaram.
E agora Rosie consegue falar com os animais.

Os dois primeiros terços do livro são deliciosos: enquanto as fadas esperam o seu vigésimo primeiro aniversário com temor, pois é a data que Pernicia anunciou que a maldição aconteceria, e enquanto o reino passa a utilizar fusos de madeira, Rosie cresce adorável, com uma personalidade forte, uma atitute no-nonsense com a vida e um amor pelo ar livre e pelo trabalho honesto.

Katriona se casa e tem bebês, Rosie fica melhor amiga de Peony, uma garota também órfã que cresceu com os tios. Peony é tudo o que Rosie não é: bonita, delicada, agradável e afável, mas isso não impede a amizade das duas.

Quando Rosie finalmente descobre seu passado e seu destino, Peony não hesita em propor o plano: ela fingirá ser a princesa Briar-Rose, Rosie fingirá ser a sua ama, e no dia do aniversário da princesa as fadas – auxiliadas pelas fadas e magos do rei – esperam que Peony seja a afetada pela maldição, que será mais fácil de contra-atacar por estar caindo no alvo errado.

E aí é que a coisa desanda. Depois de ter lido Beauty, cheguei à conclusão que o problema da autora são os finais: aqui ela se confundiu toda, fez uma salada e fica tudo tão longo e chato que quase larguei o livro. Outros leitores não concordaram comigo, tá, então pode ser que você goste.
Mas o terço final do livro pra mim quase estragou com a coisa toda. Aquela história do cabelo, e aquele monte de bicho que eu não sabia quem era quem, e aquela escapada bastante confusa do casarão, e por fim o romance final (que eu JÁ SABIA, mas sério mesmo que todo livro dela vai ter um quarentão ficando com uma garota com metade da idade dele?), enfim. Quase toda a parte final. Um saco, nada a ver, sem sentido e ainda por cima meio idiota. (ok que eu gostei da troca entre Rosie e Peony, e do sacrifício final do pássaro, e que a Rosie ficou em Foggy Bottom, mas do resto não.)
Estou com mais um livro dela na lista, quem sabe esse ela consegue fazer um final decente.

Uma excelente adaptação que escorrega feio no final (na minha opinião), com personagens ótimos e uma ambientação muito legal, eu recomendo esse livro pra quem gosta de adaptações de contos de fadas, mas com algumas ressalvas, né.

Título Original: Spindle’s End (2000)
De Robin McKinley (EUA)

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