Livro: Sojourn

Sojourn

Então a gente tem que lembrar que esse livro é na verdade um prequel. Ou seja, foi escrito depois mas acontece antes. E isso acaba prejudicando um pouco a narrativa.

Enquanto os primeiros livros da série, Homeland e Exile, falam da vida fascinante de Drizzt Do’Urden, o elfo negro, nas profundezas da terra, esse aqui mostra o que acontece quando ele finalmente resolve ir para a superfície.
Nos livros anteriores aprendemos que os drows (elfos negros) são um bando de cuzões; que a mãe dele matou o pai dele num ritual e depois transformou-o em zumbi pra matar o Drizzt; e que a família dele, para conseguir poder na hierarquia da cidade bizarra onde vivem, fará de tudo para transformar Drizzt em pasta de amendoim. Or something.
Também aprendemos que nenhum outro povo nas cavernas vai aceitar Drizzt, primeiro porque ele está sendo perseguido pela sua família, segundo porque ele é a droga de um drow, e drows são maus e pronto. Mesmo que Drizzt seja bonzinho de doer. Ninguém confia num drow.

Aí então Drizzt decide ir à superfície. E é lógico que 1) Drizzt além de ser bonzinho pra caramba é também dado a ser mártir, então em vez de dormir de dia e sair à noite, que é o que seus olhos aguentam, ele resolve ficar todo dia olhando pra luz meio que pra se punir. Eu sei, ele não fez nada de errado, mas ele quer extirpar os pecados do seu povo maligno, entenderam? Pois é. O resto da narrativa apresenta diversos personagens mais interessantes do que ele, e eles acabam sustentando a história, mas o que fica no final é, de novo, o fato do Drizzt se arrepender por coisas que ele não fez.

2) Como todo mundo teoricamente já sabe mais ou menos a história de Drizzt na superfície pelos outros livros – que foram publicados antes mas acontecem depois – o autor não pode tomar muitas liberdades. Então tem que aparecer Silverymoon, e Bruenor, e Falconhand, e Mielikki. Às vezes parece tudo tão rápido que dá a impressão de que o autor nem pensou direito no que fazer além de colocar os personagens na história.

E isso acaba atrapalhando a narrativa.

Mas no fim das contas a história é envolvente, a ação e fantasia são bem construídas e os personagens ‘coadjuvantes’ mais do que compensam a falta de sal do personagem principal.
Um livro apenas um pouco inferior aos dois anteriores.

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