Livro: Ship of Magic

“Se Patrick O’Brian escrevesse fantasia, esse seria o resultado”.
Foi essa frase na contra-capa que me fez comprar o livro (mesmo que eu já estivesse bem empolgada com a idéia de navios mágicos, piratas e dragões).

Mas logo nos primeiros capítulos o livro me desempolgou, já que com a heroína só acontece desgraça. Eu sou daquelas que gosta de finais felizes, lembra.
Mas daí peguei o livro novamente, para preencher o tédio dentro do trem, e acho que dessa vez eu estava vacinada: tinha acabado de ler Guerra dos Tronos – que, como quem leu já sabe, é só porrada nos protagonistas – e de repente as poucas e boas pelas quais Althea e Wintrow Vestrit passam me pareceram aventuras tranquilas perto da saga da família Stark.
(este livro é, inclusive, um dos recomendados pelo próprio autor de Guerra dos Tronos em seu blog)

Então apresentemos a família Vestrit, integrantes da nata dos mercadores de Bingtown: os liveship traders. Liveships são, como a tradução literal sugere, navios vivos, feitos de madeira mágica. Cada liveship tem uma personalidade única, que é moldada tanto pela figura de proa do navio quanto pelas memórias e sentimentos dos capitães que o comandam. Os liveships são mais velozes, mais facilmente manobráveis e simplesmente melhores do que os navios de madeira comum, e toda família que possui um liveship tem o futuro garantido.

O primeiro livro da série segue as aventuras da “recém-nascida” Vivacia, o navio da família Vestrit, perdida num mar de desapontamento e dor quando seu capitão, Ephron Vestrit, morre e deixa sua família brigando pelo navio.
Kyle, genro de Ephron, quer usar o navio para transportar escravos e ficar rico.
Althea, a filha mais nova de Ephron, quer apenas estar junto de Vivacia, a quem considera como sendo da família, e não para diante de nada para conseguir o que quer.
Wintrow é filho de Kyle e de Keffria, filha mais velha de Ephron, e não quer nada além de continuar seus estudos no mosteiro, mas Kyle sabe que o Vivacia só navegará com um descendente de Ephron dentro do barco e obriga Wintrow a ficar.
Enquanto isso, o pirata Kennit decide que vai capturar um liveship custe o que custar, e o Vivacia, com os escravos, as brigas entre pai e filho e a ausência de Althea, parece ser um navio excelente para ser capturado.

Assim que embalei no livro não consegui mais largá-lo. A narrativa é extremamente cativante, a aventura, a ação e o suspense são de tirar o fôlego e os elementos misteriosos, como os habitantes do rio Rain Wild e as serpentes marinhas, prometem nos deixar ainda mais aflitos nos próximos volumes.
As cenas de batalha naval e a vida no mar são, de fato, muito realistas, mesmo com o elemento fantástico, mas os personagens não deixam de ser complexos e cheios de nuances.
Meus favoritos são Paragon, o liveship enlouquecido, e Ronica, a matriarca dos Vestrit, que após a morte do marido é obrigada a se virar para conseguir pagar as dívidas da família – a mais importante delas sendo a dívida que tem com os construtores do Vivacia, que exigem pagamento “em ouro ou sangue”.

Acho que o mais atraente no livro é o fato de que os personagens, como são tão reais, são completamente imprevisíveis, e fica-se sempre no suspense de realmente não se saber o que vai acontecer agora. Ou seja, a ambientação, apesar de ser de fantasia, é muito real; sentimos que os problemas dos personagens poderiam acontecer de verdade. Esse é um dos livros que exemplificam a citação daquele famoso autor que diz que a fantasia só vale a pena se for descrita de forma tão ‘real’ que acreditamos que, naquele mundo, as ações dos personagens são reais – e isso faz com que nos aproximemos deles de forma que não conseguiríamos fosse a narrativa menos convincente. A idéia dos liveships é muito boa, mas seria apenas uma boa idéia se não fosse sustentada pela narrativa impressionante da autora.

Para quem gosta de aventuras, fantasias ou simplesmente de um bom livro, essa é uma série que vale a pena.

Uma ideia sobre “Livro: Ship of Magic

  1. Olá Mulher Atômica, eu adoro a “Liveship Traders Trilogy”. Mas se você deixar de ler a “Farseer trilogy”, sempre haverá um buraco em seu coração. 😀

    Eu li todos os livros que estão conectados a série, e ainda me lembro como eu amo o Fitz e como vivi suas aventuras.

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