Filme: Sherlock Holmes



Tenho que confessar: o Homes do Robert Downey Jr. ficou melhor do que o Holmes dos livros.

Explico-me.
Enquanto o Holmes dos livros é um cara frio, antipático, excêntrico e afora isso um personagem pouco elaborado, o Holmes desse filme é um cara antipático, excêntrico e até certo ponto pouco amigável. Só que a nuance de sofrimento/sarcasmo/loucura que o ator deu pra esse personagem fez com que ele parecesse muito mais interessante do que o do livro. É um personagem do qual queremos saber mais, e não só aquele gênio que resolve casos num piscar de olhos.

Fora isso, eu fui pro cinema tão receosa do filme ser uma droga (ou pelo menos ser um filme que não tivesse nada a ver com o Holmes que eu conhecia) que acho que minhas expectativas fizeram com que o filme parecesse bem mais legal.

O Watson, desconsiderando o fato de que ele é interpretado pelo maravilhoso Jude Law, foi construído de forma que o relacionamento extremamente próximo dele com Holmes ficasse mais maneiro do que semi-homossexual. Além disso, deram pra ele uma pegada bem mais violenta do que nos acostumamos a ver nas séries de TV por aí, que mostravam o Watson um bobalhão gorducho. Nem uma coisa nem outra, ficam devendo pra gente um Watson meio termo. Só foi pena eles não terem aproveitado a deixa do Signo dos Quatro e mostrassem um romancezinho da parte dele; no filme, já está tudo resolvido. Por outro lado, ficou claro que o foco da história tinha mesmo que ser Holmes.

O roteiro ficou excepcionalmente bom, na minha opinião, já que em todas as minhas análises de especialista eu só achei uma falha (pra um filme de Hollywood, vocês sabem que é pouco). E eu ainda acho que a Irene Adler é não só totalmente dispensável como também errada!, e os fãs dos livros sabem muito bem do que eu estou falando. 
Tudo bem, ela é gata e pans. Mas além de ter, tipo, metade da idade do Holmes (ela sofre da síndrome Superman Returns: criança de quinze anos falando de coisas que aconteceram “muito tempo atrás”), os furos no roteiro vêm todos da parte dela da trama, o que nos deixa com a leve impressão de que ela só estava ali pra ser par romântico do Holmes (que na pele do Downey Jr, vamos combinar, tá mega pegável), e não pra engatar uma parte específica do roteiro.

Mas na verdade eu posso deixar isso passar (porque ela é gata e o Downey Jr sexy); o que me incomodou mesmo foram as cenas de ação, típicas do diretor. Só que ver essas cenas de soco rápido! e quando chega na cara do personagem o soco fica leeeentooo… me deixam enjoada no cinema, e apesar delas funcionarem muito bem em Snatch (afinal era em uma cena só!), o amontoamento delas me irritou. Além disso, a tática de mostrar o que vai acontecer enquanto o Holmes faz a dedução só serve pra confundir a parada toda, e chega uma hora você não sabe mais o que aconteceu e o que ele achava que ia acontecer, já que os dois tipos de cena são filmadas do mesmo jeito. Mas pode ser que isso seja só a maneira do diretor mostrar que o Homes pensa mais rápido do que a luz (ele faz isso mesmo).

E eu gostaria de salientar, depois de toda essa divagação, que minha opinião pode estar ligeiramente alterada pelo fato de eu ter visto o filme com legendas em espanhol. E não, meu inglês nem é tão bom assim.

Em tempo: ele nunca fala “elementar, meu caro Watson” no filme. Nem nos livros.


Sherlock Holmes (idem) – 2009
de Guy Ritchie (graças a todos os deuses ele largou a Madonna! Quem sabe agora todos filmes dele são bons!)
com Robert Downey Jr., Jude Law (*suspiro*), Rachel McAdams (reparem nela. Ela é foda.), Mark Strong, Kelly Reilly

Uma ideia sobre “Filme: Sherlock Holmes

  1. Nunca li. Achei o filme beeem médio (mas assisti uma cópia que baixei na internet bem ruinzinha, então… talvez eu assista de novo). Mas assim, né? Robert Downey Jr. é meu futuro marido número um, então… orgasmos múltiplos.

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