Livro: Reckless

Ai gente, que aflição que eu não tenho tempo de ler!
Pra vocês terem uma idéia, fiz o horror de levar esse livro pro trabalho hoje e só por isso consegui terminar de ler. Porque em casa com tudo acontecendo eu até esqueço – que absurdo – dos meus queridos.

Fora que a minha casa tá uma droga também, preciso mudar isso, tô sem um cantinho de leitura.

Anyway. Deu-se que comprei esse livro da ótima Cornelia Funke (Coração de Tinta, para os esquecidos) especialmente porque me pareceu muito Waldorf, afinal ela mesma ilustra o livro todo.
Mas aí, pelos motivos já citados, acabou que deixei o tadinho na pilha dos não lidos e quando finalmente peguei achei o começo meio confuso.

Mas ó, outra vez – ainda bem – me deparo com um livro que muda de tom drásticamente e vira uma coisa inlargável depois do terceiro capítulo.

A autora resolveu escrever esse livro com seu amigo Lionel Wigram, que trabalha com cinema e teve a idéia para o argumento. Ambos pensaram a história juntos – enquanto Cornelia escrevia em alemão, seu primo e tradutor oficial Oliver fazia a versão em inglês para que Lionel pudesse ler também.

A história é a de Jacob Reckless, que fugiu da amargura do seu mundo para viver aventuras num mundo fantástico através de um espelho.
Mas aí seu irmão mais novo, anos depois, acaba indo pelo mesmo caminho.
Só que esse mundo fantástico para onde os dois vão é o mundo de contos de fadas sem o final feliz: ali as maldições das fadas são reais, os homens são realmente devorados por sereias e o príncipe encantado morreu no espinheiro e a bela adormecida dorme até hoje. 
E os humanos do mundo estão em guerra contra os Goyl, terríveis homens pedra que não dormem e não comem e sentem um ódio profundo por seus irmão de pele mole.
E é através dos Goyl que Will sofre uma terrível maldição que apenas Jacob tem como reverter.

Cornelia Funke entra na história sem precisar explicar nada para o leitor, que vai aos poucos entendendo o que está acontecendo e vislumbrando os sentimentos complexos que permeiam a vida dos irmãos.
Para ajudá-los na impossível tarefa de tirar a maldição de Will, ele e o irmão contam apenas com a namorada de Will, que veio do outro mundo buscá-lo, com uma raposa inteligente qiue às vezes se transforma em uma bela moça e com um anão sem escrúpulos que é uma versão limpa de Palha Escavator; contra eles, estão Goyl as fadas, os unicórnios e todos os outros inimigos que eles farão pelo caminho.

Mesmo com toda a correria, o livro dá tempo ao leitor para conhecer todos os personagens – e são todos interessantes, bem imaginados e tridimensionais. 

Um livro de fantasia que, também por nos relembrar de todos os contos de fadas de que tanto gostávamos, tem um clima muito sombrio que não nos deixa respirar por um segundo e dá aquele gosto de quero-mais (queria MUITO saber das aventuras de Jacob com o conselheiro da rainha para matar Barbas-Azuis).

Imperdível.

Ah, sim, e como previsto ao final, existe uma continuação.
Site do livro, em inglês, aqui.

PS. Os Goyl são humanóides de pele de pedra, pouco atraentes aos seres humanos. Não preciso dizer que um dos problemas do livro é a namoradinha de Will, que tem que lidar com o fato de que seu amoreco está ficando cada dia mais ET. E aí a capa da versão americana é essa. Faz sentido? ¬ ¬

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