Livro: Os Cinco Porquinhos

Engraçado como o detetive Hercule Poirot, que cresceu na Bélgica falando francês, vive se lembrando de rimas e canções infantis típicas da Inglaterra.

Nesse caso, ele se lembra da tradicional rima dos “cinco porquinhos”, que é assim:

This little piggy went to market,
This little piggy stayed home,
This little piggy had roast beef,
This little piggy had none,
And this little piggy went wee wee wee all the way home.

Alguém aponta para cada dedo do pé da criança, e no final faz cócegas ou belisca o dedo mindinho – portanto o “wee wee wee”.

Carla Lemarchand é uma garota que foi criada por tios no Canadá, e quando ela faz 21 anos ela recebe uma fortuna herdada dos pais e a notícia desagradável: ela foi mandada para o Canadá com cinco anos de idade porque seu pai, o famoso pintor Amyas Crale, foi morto por envenenamento. Sua mãe, Caroline Crale, foi acusada do crime, julgada, condenada e presa, e morreu na prisão menos de um ano depois da morte do marido. Antes de morrer, ela escreveu uma carta para sua filha, dizendo ser inocente.

Carla quer se casar, mas ela acredita que seu noivo ficou encafifado com a história da mãe dela ter matado o pai. Além disso, com poucas lembranças que ela tem da mãe, ela não acredita que ela teria afirmado sua inocência numa carta caso ela fosse culpada: ela era o tipo de pessoa que não mentia.
Hercule Poirot então é encarregado de descobrir o que realmente aconteceu na época do crime, dezesseis anos antes. E para isso ele vai conversar com os advogados de Caroline, com o policial responsável pelo caso, com os advogados da família… e finalmente com as cinco pessoas que estavam na propriedade dos Crale na época.
E é aí que ele se lembra da rima:

This little pig went to market (este porquinho foi ao mercado): Phillip Blake, o melhor amigo de Amyas, tem uma carreira consolidada no mercado de ações. Sempre acreditou que Caroline fosse culpada e tem uma estranha aversão à esposa do amigo – desde antes mesmo do crime ter ocorrido.

This little pig stayed home (este porquinho ficou em casa): Meredith Blake é o irmão mais velho de Phillip, dono da propriedade vizinha à dos Crale. Cresceu junto com Phillip, Amyas e Caroline, e é um respeitável baronete da região. Ele ainda vive na propriedade que herdou dos pais e se mostra devotado à memória de Caroline – ele não acredita nem por um momento que ela tenha sido culpada, mas não consegue pensar em nenhuma outra solução para o crime. Ele fazia pesquisas amadoras sobre venenos e é do laboratório dele que Caroline tirou o veneno que matou Amyas.

This little pig had roast beef (este porquinho comeu rosbife): Elsa Greer – hoje Lady Dittisham – foi o pivô de todo o problema: na época era uma jovem e exuberante milionária de 20 anos que estava posando para um quadro de Amyas. Ela teve um romance tórrido com o pintor e não escondeu o fato de Caroline, que era reconhecidamente ciumenta. Na noite antes do crime, ela disse a Caroline que ela e Amyas iriam se casar. Confrontado pela esposa, Amyas teve de dizer que sim, tinha dito a Elsa que iria se casar com ela. Quando Amyas foi encontrado morto, Elsa pulou em cima de Caroline, acusando-a de tê-lo matado.

This little pig had none (esse porquinho ficou sem nada): Miss Williams era a governanta da irmã mais nova de Caroline e, dezesseis anos depois, vive num pequeno apartamento para pessoas sem muito dinheiro. Apesar de ser muito dedicada à Sra. Crale, não tinha dúvida alguma sobre sua culpa. No entanto, acredita que Caroline sofreu provocação extrema de Elsa e de Amyas e por isso mereceu a pena que teve – prisão, em vez de enforcamento.

This little pig went ‘wee wee wee’ all the way home (esse porquinho fez ‘wee wee wee’ até chegar em casa): Angela, a irmã mais nova de Caroline Crale, vivia na mesma casa que o casal e tinha cerca de quinze anos na época em que o crime ocorreu. Ela sofrera um ataque ciumento da irmã quando era ainda um bebê, e ficara desfigurada desde então. Ela diz que Caroline seria incapaz de cometer um assassinato justamente por tê-la atacado – Caroline reconhecia seu próprio espírito violento e temia ter um novo ataque, e por isso era uma pessoa explosiva que tentava colocar nas palavras todos os ódios que sentia para não arriscar ser fisicamente violenta.
Angela não se dava muito bem com Amyas pois era muito mimada pela irmã, e o cunhado sentia ciúmes.

Através de relatos dessas pessoas sobre a época, Poirot vai aos poucos desvendando a real motivação por trás do crime.
Eu acho esse livro muito bom – tão bom quanto o outro livro sobre “o passado” da autora, Os Elefantes Não Esquecem – e a resolução do mistério só me incomoda em um aspecto.

Spoilers!
Um dos motivos pelo qual o Poirot chega ao assassino é a frase do morto quando toma a cerveja: “Nada tem gosto bom hoje!”. Isso indica que ele já devia ter tomado outra coisa amarga antes, que ainda estava alterando seu paladar. Daí Poirot conclui que o veneno não havia sido dado a ele através daquela cerveja.
Mas as duas únicas pessoas que poderiam ter relatado essa frase à polícia eram a esposa dele, que tinha interesse em manter as suspeitas longe da cerveja, e a amante, que deveria estar preocupada em não chamar a atenção da polícia para o fato de que o veneno estivera na cerveja que ele tomara antes. Então porque elas teriam contado isso pra polícia?

Fim dos spoilers.

Eu sei, eu sei. Tô sendo chata.
O livro é muito bom, recomendo pra caramba – é um dos bons dela!

Título Original: Five Little Pigs (1942)
de Agatha Christie (Reino Unido)

2 ideias sobre “Livro: Os Cinco Porquinhos

  1. Oi! ^^
    Tudo bem??

    Nossa! Que incrível coincidência! Esse livro foi o episódio de Sábado da mini série “Os Pequenos Crimes de Agatha Christie” que está passando na TV Brasil. Eles só mudaram o investigador, mas a história se manteve.

    Eu estou adorando todos os episódios! Ela é uma escritora incrível e normalmente você só descobre quem são os verdadeiros culpados bem no finalzinho. O engraçado é o jeito que a Agatha revela o assassino. Colocando todo mundo (suspeitos, vítmas, testemunhas, familiares…) juntos em uma sala e revelando tudo. Acho que é um lugar comum nas histórias delas. Pelo menos nas que eu já li.

    Estou virando fã dela! 🙂

    Beijusss;
    http://hipercriativa.blogspot.com.br/

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