Livro: Orgulho e Preconceito

“It is a truth universally acknowledged, that a single man in possession of a good fortune, must be in want of a wife.”

“É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro que possua uma boa fortuna deve estar necessitado de uma esposa.”

Esse é um dos livros que eu sempre releio, e sempre fico adiando escrever sobre ele aqui porque nunca consigo achar as palavras certas.

Porque esse livro é perfeito.

Com o Harry eu tenho meus problemas, e com o Peter também – pra não falar daquele papelão que o Blood faz lá pra segunda metade do livro – enfim. Mesmo meus livros favoritos têm suas partes ou personagens que eu não curto tanto.

Mas com esse livro, não.

Tudo é muito foda: dos personagens à história, passando pela forma como ela escreve, pela crítica à ordem social da época, e principalmente pela forma como o livro não envelhece. Muitos dos problemas que afligem a família Bennet podem fazer pouco sentido para quem lê hoje, mas as falhas na personalidade dos personagens (que dão título à obra) são de uma atualidade que impressiona.

Bom, o fato é que eu voltei a ler o livro dessa vez porque me deu vontade de assistir de novo a adaptação da BBC – que é excelente, quando puderem assistam – e daí de comparar com o filme de 2005 – também é muito bom – e daí, finalmente, de comparar as duas adaptações com o livro.

E na hora de escrever sobre as adaptações no meu tumblr – que tá em inglês, quem quiser – vi as fangirls surtadas por causa do Darcy (ele exige surtamento, né), dizendo que ele é o mais perfeito do universo ever e talz. E daí teve uma sensata que constatou:
“verdade, faz duzentos anos que as mulheres tão surtando de tão perfeito que o Darcy é. A própria autora falou que a única forma de achar um homem tão perfeito era escrevendo-o.”

Gente. DUZENTOS ANOS. Que o livro existe. Que as mulheres se apaixonam pelo Darcy. Que as pessoas se impressionam com a genialidade desse livro, publicado em MIL OITOCENTOS E TREZE, por uma autora que tinha menos de vinte e um anos de idade quando escreveu isso!

Não é um excelente momento para este post? Pois é.
Duzentos anos de Orgulho e Preconceito! 😀

A família Bennet está numa situação muito desesperadora. Mesmo não sendo exatamente pobres, suas cinco filhas não poderão herdar nem o dinheiro nem a casa do pai, o que faz com que a Sra. Bennet esteja perpetuamente preocupada com o estado de solteirice das filhas.

Quando o Sr. Bingley, rico, bonitão, e, é claro, solteiro, se muda para uma mansão próxima à deles, as expectativas da Sra. Bennet alcançam níveis incríveis, como se é de esperar.

O Sr. Bingley de fato se interessa pela mais velha e mais bonita das filhas, a afável Jane, e suas maneiras educadas e agradáveis logo conquistam a todos. Os que o acompanham, no entanto, não conseguem ter o mesmo sucesso: as irmãs do Sr. Bingley, Caroline e Louisa, são muito bem vestidas e muito educadas, mas não escondem que pouco se interessam pela amizade das pessoas do campo.
Já o melhor amigo do Sr. Bingley, o ainda mais bonito e ainda mais rico Sr. Darcy, logo se mostra um cara orgulhoso, mal educado e nem um pouco inclinado a ser sociável.

Ele inclusive se mostra pouco interessado na segunda irmã Bennet, a inteligente Elizabeth, dizendo que a aparência dela era “apenas tolerável” e que ele não fazia questão alguma de dançar com uma garota que havia sido deixada de lado por outros homens na festa.

Portanto, enquanto Jane e o Sr. Bingley engatam um promissor relacionamento, Elizabeth faz de tudo para tratar o Sr. Darcy com o pouco caso que ele merece.

Enquanto isso, os jovens soldados que estão passando o inverno na cidade são o objetivo de vida das suas duas irmãs mais novas, Kitty e Lydia, enquanto a irmã do meio, Mary, passa os dias estudando e sendo mala. Um dos soldados, no entanto, o bonitão Sr. Wickham, chama a atenção até mesmo da sensata Elizabeth.

O Sr. Collins, o desagradável primo distante que herdará os bens do Sr. Bennet, vem fazer uma visita, interessado em melhorar a situação da família ao se casar com uma das garotas. A infeliz escolhida é Elizabeth, que é obrigada a escolher entre o bem estar da família e o seu – já que jamais poderia ser feliz ao lado de um homem tão mesquinho. Sua melhor amiga Charlotte faz a escolha que ela foi incapaz de fazer, e isso a deixa com uma nova visão do matrimônio.

Quando o Sr. Bingley vai embora da região inesperadamente, sem explicação ou adeus, Elizabeth suspeita fortemente de que isso foi culpa das irmãs de Bingley, que eram contra o relacionamento dele com Jane.

Não tenho como contar mais do livro sem estragar a história, já que tudo o que acontece depois acaba fazendo enorme diferença no romance dos protagonistas, e mal posso dar minha opinião sobre tudo sem repetir leiam leiam leiam, mas vou tentar, ok?

O livro é sobre como as primeiras impressões são muitas vezes errôneas, como mesmo os mais sensatos podem ser culpados de parcialidade quando têm seu orgulho ferido, e que no fim das contas as classes sociais não são determinantes para o bom comportamento dos indivíduos.

E é uma história de amor das mais bem construídas, já que o principal obstáculo que impede os amantes de ficarem juntos é algo que não é dos mais fáceis de mudar: a própria personalidade deles.

E tem os melhores personagens do universo, pois quem não é capaz de ver a Sra. Bennet na sua frente, com suas palpitações e tremores, e o Sr. Wickham, o canalha bonitão, ou mesmo Lydia, “a garota mais flertadora que jamais teve o prazer de humilhar sua família”?

E o jeito que ela escreve… claro, a linguagem é de outra época, mas é de uma sagacidade, uma ironia e uma sutileza raramente encontrados em qualquer outro autor. Ela transforma um livro que poderia ser um romancezão dramático como Jane Eyre em uma comédia de costumes que tem como foco romântico uma garota que tem (ou acha que tem) perspicaz noção das ridicularidades sociais e um garoto que mal percebe como sua adesão a essas particularidades pode ser justamente o que vai acabar com sua felicidade.

“… The first time of my ever seeing him in Hertfordshire, you must know, was at a ball—and at this ball, what do you think he did? He danced only four dances, though gentlemen were scarce; and, to my certain knowledge, more than one young lady was sitting down in want of a partner. Mr. Darcy, you cannot deny the fact.”

“I had not at that time the honour of knowing any lady in the assembly beyond my own party.”

“True; and nobody can ever be introduced in a ball-room. …”

“… a primeira vez que o vi em Hertfordshire, foi num baile – e nesse baile, o que você acha que ele fez? Ele dancou apenas quatro músicas, apesar de haver poucos cavalheiros; e, de acordo com meu conhecimento, mais de uma dama estava sentada esperando por um parceiro. Sr. Darcy, você não pode negar este fato.”

“Eu não tinha naquele momento a honra de conhecer nenhuma dama no local que não estivesse no meu próprio grupo.”

“Verdade; e ninguém jamais pode ser apresentado em um salão de baile. …”

Ai, gente. O que vocês estão esperando?
LEIAM!!!!

Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice) – 1813
de Jane Austen (Reino Unido)

(traduções minhas)

Uma ideia sobre “Livro: Orgulho e Preconceito

  1. Não tem livro que me chame mais atenção que esse. Orgulho e Preconceito tem falas tão inteligentes e uma narrativa tão bem montada que eu não consigo tirá-lo da lista dos meus livros preferidos.
    Mr. Darcy, pra mim, sempre foi o homem *dos sonhos* com defeitos toleráveis. Afinal, ninguém é perfeito e nem mesmo ele foge a essa regra.
    Eu simplesmente adoro esse livro.

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