Livro: Orador dos Mortos

Ao fim do Ender’s Game, vemos Ender e sua irmã Valentine partindo da Terra para colonizar um novo planeta. Portanto, a continuação direta da história deles é esse livro, que eu li em inglês mas a capa é idiota. A história de Bean, Peter, Petra e outras personagens, que acontece logo após as guerras contra os abelhudos, é continuada numa série paralela, que inclui Ender’s Shadow, a história de Bean, e Shadow of the Hegemon, Shadow Puppets e Shadow of the Giant, que mostra o que acontece na Terra depois da guerra.

 
Esse livro, portanto, mostra a história de Ender. Que passou os últimos dez anos viajando entre os planetas. O que significa que, viajando mais ou menos a cada seis meses, numa velocidade sub-luz que “altera o tempo”, ele tem 35 anos, mas a guerra dos abelhudos aconteceu há cerca de 3 mil.
 
Ender é agora considerado um monstro, o terrível assassino que acabou com a raça dos abelhudos, alienígenas pefeitamente inteligentes e evoluídos que pararam de atacar os humanos assim que perceberam que nós éramos inteligentes.
Ender, portanto, deixa esse nome para trás, e passa a ser Andrew Wiggin, professor universitário que viaja o mundo junto com sua irmã Valentine.
Além disso, Andrew é um Orador dos Mortos. Essa entidade, que surgiu com o livro ‘The Hive Queen and the Hegemon’, escrito logo após o extermínio dos abelhudos, é uma pessoa que, a pedido da família do falecido, descobre a verdade sobre a vida da pessoa e fala a respeito disso para quem quiser ouvi-lo. É claro que Andrew é o Orador original, tendo ele mesmo escrito o livro, há 3 mil anos, sendo o Orador dos Mortos da Rainha dos Abelhudos. Foi esse livro que mostrou a todos os humanos que os abelhudos não eram hostis, apenas diferentes. E foi esse livro que fez com que Oradores dos Mortos se multiplicassem pela galáxia.
 
Enfim, Andrew Wiggin está num mundo nórdico com Valentine, que está grávida. Ele recebe um pedido para ser Orador dos Mortos em um planeta próximo chamado Lusitania.
Esse pedido é interessante por dois motivos. Andrew reconhece no rosto da garota que faz o pedido a mesma dor e culpa que ele sentia quando pequeno, durante as guerras dos abelhudos. E Lusitania é o planeta onde foi encontrada a primeira raça alienígena inteligente desde os Abelhudos.
Mesmo sabendo que, por causa do deslocamento temporal nas viagens interplanetárias, ele só vai chegar em Lusitania quando a menina que fez o pedido tiver vinte anos a mais, Andrew faz a viagem.
 
E quando chega em Lusitania vê que as coisas estão muito mais complicadas. Os Pequeninos, a tal raça inteligente, que no entanto está em fase tribal, são uma raça tão imensamente diferente dos humanos que os primeiros conflitos se iniciaram durante os anos que Andrew passou viajando. Os dois xenobiólogos que pesquisavam os pequeninos foram brutalmente assassinados por eles. Uma cerca eletrificada foi erguida entre a cidade dos humanos e o resto do planeta. 
E Novinha, a menina angustiada que fez o pedido por um Orador dos Mortos, é agora uma mulher amarga de meia idade, que acabou de perder o marido e tem uma família disfuncional para criar.
 
Entre os filhos de Novinha e os Pequeninos, além de Jane, a melhor personagem de livros de ficção científica que eu já vi na vida, o autor desfia suas opiniões sobre o que é estranho e inaceitável para os seres humanos e a capacidade de aceitar o que é diferente. 
 
Enquanto O Jogo do Exterminador falava de um grupo de crianças forçadas ao máximo em jogos de guerra e extermínio, Orador dos Mortos lida com problemas e paixões adultos, mesmo que observados de perto pelo grupo heterogêneo e brilhante que são os filhos de Novinha.

Um livro extremamente interessante e bem escrito, que continua a série de Ender com muita imaginação.

Título Original: Speaker for the Dead (1986)
De Orson Scott Card (EUA)
Série Ender’s Game Livro 2

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