Divagação: O Universo Expandido Star Wars

Update. A Disney comprou a LucasFilm, anunciou que iria continuar com a franquia e passou a fazer exatamente isso alguns anos depois, com o Episódio VII tendo sido lançado no final de 2015. SÓ QUE ela também anunciou que TODO O UNIVERSO EXPANDIDO que tinha sido trabalhado até então NÃO FARIA PARTE DA CRONOLOGIA ORIGINAL. Tudo o que tinha sido feito até 2015 virou “série Legends” e tudo o que foi produzido depois de 2015 é “série oficial”. Nessa nova linha de trama, Jacen e Jaina não existem, Thrawn nunca fez parte do universo e Mara Jade é um sonho.

 

Jacen Solo é filho de Han e Leia. Foi para o Lado Negro da Força.

Eu adoro Star Wars.

Os filmes foram ficando piores conforme o tempo foi passando e o George Lucas foi ficando mais gagá menos esclarecido, mas no fim das contas o que fica é o Vader com a voz do James Earl Jones, a princesa Léia dizendo “I’d just as soon kiss a wookie!”, o Han Solo sendo o Han Solo e o Luke sendo o perfeito herói lawful good de qualquer conto de fadas.

E aí tem o universo expandido.

O universo expandido Star Wars é composto por qualquer material oficial (ou não) fora dos filmes, desde livros até games, passando por quadrinhos e até mesmo brinquedos. A “história oficial” do universo Star Wars atualmente fala de eventos desde 25.000 anos antes de A Ameaça Fantasma até cerca de 150 anos depois de O Retorno de Jedi (primeiro e último filmes da série, para algum desinformado que tenha caído no blog).

O que me leva a falar especificamente do universo expandido nos livros.
Já que os filmes foram decaindo em qualidade, nada melhor do que bons escritores para manter a história rolando, certo?

Nem sempre.

Mara Jade é antiga assistente do Imperador e depois se casou com Luke.

Há vários problemas com o universo expandido nos livros.

Um deles é a ordem de publicação x ordem da história.

Falando de forma bastante simplificada, qualquer escritor pode se apaixonar por um grupo de personagens dentro do universo Star Wars, pensar numa boa trama envolvendo-os e convencer o George Lucas de que essa história é boa de ser contada.

Mas isso pode fazer com que um livro que se passa no início da Guerra dos Clones (Shatterpoint, de 2003, por exemplo) seja publicado depois de um livro que se passa logo após a destruição da segunda Estrela da Morte (Heir to the Empire, de 1991, por exemplo)- ou vice versa.

É meio óbvio que a continuidade da história fica ligeiramente prejudicada com isso.

E, especialmente, isso faz com que os próprios personagens sejam uma colcha de retalhos, já que o Han Solo de um autor certamente será diferente do Han Solo de outro autor. Essencialmente, é claro, o Han Solo é sempre o mesmo; sempre o carismático pirata galáctico imortalizado por Harrison Ford. Mas como prever sua reação ao rapto de seus filhos, se o personagem, no cinema, sequer sonha em se casar?
Essa reação deve ser imaginado pelo autor de cada livro, e nem sempre isso funciona.

Outra coisa que acontece é que um autor escreve fatos que aconteceram depois de fatos que outro autor inventou. Em um livro escrito por uma pessoa só, o que acontece com cada personagem é decisão de apenas um criador. Mas no caso do universo expandido, cada personagem passou por poucas e boas que nem sempre foram inventadas pela pessoa que escreve uma das partes da história e muito menos foram desejadas por essa pessoa. Todos sabemos que Luke teve uma crush  na própria irmã e que o maior vilão da galáxia é o seu pai e que só seu treinamento de Jedi faz com que ele seja um cara centrado depois disso. Mas como ele seria aos 50 anos, tendo se apaixonado por um fantasma, visto sua academia de Jedis ser destruída, se casado com uma mulher que tem alucinações de que quer matá-lo e com um dos seus sobrinhos indo para o lado negro?
Ele é o mesmo Luke dos filmes? Claro que não. Mas o personagem não pode mudar completamente, já que os leitores ainda esperam que o Luke lembre remotamente o personagem dos filmes…

Príncipe Xizor é um criminoso que compete com Darth Vader pelo favoritismo do Imperador

E aí temos os grandes eventos na vida dos personagens narrados por autores diferentes. Luke conhece Mara Jade através de Timothy Zahn, que escreveu a que é na minha opinião a melhor série do universo expandido nos livros.Mas ele se apaixona por Callista na imaginação de Barbara Hambly e Kevin J. Anderson. Anos depois, Luke decide ficar com Mara para sempre, pelas mãos de Timothy Zahn novamente, mas eles se casam apenas num gibi escrito a várias mãos.

Isso acaba gerando personagens meio esquizofrênicos e pouco profundos (se é que se pode esperar alguma profundidade em personagens desse tipo de livro) cuja principal característica é a semelhança com personagens criados para filmes de 200 minutos.

No fim das contas os meus personagens favoritos dentro dos livros do universo expandido são ou aqueles que não precisam mudar ou evoluir para continuarem legais (Chewbacca) ou os completamente originais (Khabarakh). Os livros que contém apenas indiretamente os personagens dos filmes – de novo, com algumas exceções – acabam sendo melhores justamente porque os personagens não têm a imagem dos filmes para atrapalhar. Por outros lado, estes personagens também são descritos por diferentes autores e, em menor grau, sofrem do mesmo mal da múltipla personalidade.

Em geral, os livros são de qualidade bem duvidável, não só pelas dificuldades já citadas mas pela dificuldade de reproduzir nas páginas o clima de aventura intergalática dos filmes. Com poucas exceções, os livros acabam sendo um grupo de descrições confusas de planetas fantásticos, com personagens que não envelhecem e ação bastante irreal.

Mas eu continuo lendo, só porque eu sei que no meio da lista absurda de livros do universo expandido há pérolas como a Trilogia de Thrawn…

3 ideias sobre “Divagação: O Universo Expandido Star Wars

  1. Isso tudo é uma grande bobagem! Sou muito fã de Star Wars, e pra mim, o que vale é o que o George fez nos filmes.

  2. Ora, Anônimo, se você acha que “o que vale” é ursinhos de pelúcia ganhando a guerra contra o império, isso é problema seu. Eu, apesar de adorar Star Wars, sou a primeira a dizer que o “George” é um idiota. Leia a trilogia do Timothy Zahn pra ver como é anos luz melhor do que os filmes da trilogia nova.

    E, se isso tudo é uma grande bobagem, não precisava nem se dar ao trabalho de comentar, né?

    Some people…

  3. E quem ainda não conhece os Cavaleiros da Antiga República, as histórias do Império, da Rebelião e do Legado (incluindo Cade Skywalker), não tem uma visão REAL dos filmes de Lucas, mas sim uma visão limitadíssima do que se transformou a maior saga cinematpgráfica de todos os tempos. Chego a dizer que o Universo Expandido tornou a saga melhor do que ela já é. Quem já leu as histórias de Vector, a invasão dos Yuuzhan Vong e a trilogia de Thraw sabe o que estou falando. Torna Jar Jar e os Ewoks simplesmente … dispensáveis !

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