Filme: O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel

Entrei em modo “quero agora!” desde que vi pela primeira vez um poster da prévia do filme numa revista.
Assisti o filme umas vinte vezes no cinema. Sabia todas as falas de cor, e quando saiu a versão estendida só não vi mais vezes porque não passou mais vezes.
Mas admito que minha empolgação com o filme diminuiu quando a) reli os livros e b) revi a versão estendida.

E tenho algumas considerações.

LocaçõesSão sem dúvida o melhor do filme. A Nova Zelândia é a Terra Média – e a obcessão dos produtores em acharem o cenário certo para a parte certa é responsável pelas melhores cenas dos três filmes.
Com isso, o clima de Terra Média (que na minha opinião é o trunfo do filme) fica ali pra todo mundo ver – Hobbiton tem gosto de fazenda, as caminhadas da irmandade pelas regiões selvagens são de tirar o fôlego, e até Rivendell fez sumir aquela imagem de casinha dos gnomos que ficou na mente de todo mundo com aquelas ilustrações dos irmãos Hildebrandt. A sensação de pequenez dos hobbits em Bree, a aparição relâmpago de Minas Tirith, o terror dos cavaleiros negros e a luminosidade de Arwen são também parte do que eu chamo de “clima perfeito” do filme, que lembra muito o do livro.

RoteiroEsse primeiro filme até que não viaja tanto. Considerando que eu acho o Tom Bombadil um cara bem complicado, acredito que se eu fosse roteirista também chutaria as imbecilidades desastradas dos Hobbits com o Old Man Willow e nas Barrow Downs, que são total ocupadoras de espaço e enlerdadoras de ritmo.
Tem também a unanimemente condenada Heresia, que foi colocar a Liv Tyler e sua boca no lugar do Glorfindel. E do Elrond. E do Gandalf. E do poder dos elfos de Rivendell.
Mas olhando para o filme como uma mídia separada e independente, não acho que o resultado ficou tão ruim assim.
O que ficou ruim foi Lórien.
Como é que um ator tão expressivo quanto o Marton Csokas (quem viu Cruzada?) virou um ser que fala como se tivesse algum problema mental? Mesmo que no livro esteja escrito que o povo em Lórien faz tudo mais devagar, não precisava um minuto por frase!
Depois tem aquele micão da Galadriel, com os efeitos especiais bizonhos e desnecessários.
E, pra terminar, com chave de ouro, tem o Haldir.
Sem maiores comentários.

Outras culpas do roteiro:
As desgraças com o Frodo, que parece ser um idiota descerebrado que não olha por onde anda, em vez de o infeliz centro de uma conspiração mundial do Sauron.
O Merry, que de hobbit rico e culto virou uma cópia mal feita de um Pippin ainda mais imbecil.
Legolas e Gimli, que perderam muito espaço e ficaram meras caricaturas. Pô, a gente tá falando do príncipe do reino élfico de Mirkwood e de um membro da família real de Erebor! Não é pouca porcaria!!

AtoresInfelizmente, e isso não é culpa dele, o Viggo hasn’t got what it takes pra ser o Aragorn. É triste, mas é verdade. Ele é um ótimo ator, fez o trabalho direitinho, conseguiu contornar todas as falhas de roteiro, mas… tem a voz. Ele não tem voz de Aragorn. E pronto.
O Sean Bean ficou com um dos personagens mais difíceis. E conseguiu fazer um trabalho excepcional. Até que nesse ponto eu achei o cast ótemo: todo mundo vê que o Boromir tem mais cara de “guerreiro de família nobre que vai salvar todos nós”, enquanto o Aragorn parece um mendigão. Pois bem, o Sean Bean é um guerreiro de família nobre que vai salvar todos nós. O problema é que uma hora o Aragorn preenche esse papel. E o Viggo nunca consegue.
O Elrond é uma piada.
Nunca foi exigido da Liv Tyler mais do que mexer aquela boca e ficar gostosa com aquelas orelhas, e ela não faz nada além disso (só o jeito ghost whisperer dela falar que me irrita, mas enfim), então não tem muito mais o que falar.
A Cate é foda, mas precisa ser um diretor muito incompetente com um roteiro muito pior do que esse pra ela não ficar foda num filme, então não é mérito.
E o Gandalf salva o filme. Sir Ian consegue, em cada momento que está em cena, demonstrar, com um olhar, tudo o que o filme poderia (e deveria) ter sido. É o Gandalf que é a ligação com o passado e com a grandiosidade da Terra Média – e até os fãs mais xiitas e conservadores concordam que o trabalho do ator tá foda. Mas, assim como Cate, diria que a única coisa que pode ser dita a favor dos produtores é que o roteiro, pelo menos nesse filme, não fodeu com o personagem.

Frodo e SamEstamos falando da Sociedade do Anel, certo, então na prática estou falando mais do final-lágrimas-de-cola-quente-que-mudam-de-lugar. O Sean Astin fez um trabalho fenomenal. E o Elijah Wood (ok, também por culpa do roteiro) conseguiu fazer o personagem mais chato do filme inteiro. E estamos falando de um filme que tem esse Elrond e esse Celeborn!
O ator (ou o diretor ou alguém, foda-se) claramente não entendeu qual é a do personagem, e isso, na minha opinião, é o que mais estraga o filme.

Mas, no fim das contas, o saldo é positivo, esse continua sendo um dos meus filmes favoritos no mundo inteiro, a versão estendida em dvd ainda é meu bem mais precioso e a vida continua.

O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel (The Lord of The Rings – The Fellowship of the Ring) – 2001

de Peter Jackson
com Elijah Wood, Ian McKellen, Viggo Mortensen, Sean Astin, Billy Boyd, Dominic Monaghan, Sean Bean, Orlando Bloom, John Rhys-Davies, Cate Blanchett, Liv Tyler, Ian Holm, Hugo Weavin, Christopher Lee

2 ideias sobre “Filme: O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel

  1. eu só vi o filme e achei legal mas nada de especial.
    O começo eu num li pq tá em ingles então num posso comentar

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