Livro: O Leproso de St. Giles

Finalmente! Um livro do Cadfael em que  eu concordo com o que acontece no final!

Tava cansada de concordar com os assassinos que a autora inventava – ou ver que os personagens perdoavam o crime por um motivo qualquer.

Nesse livro duas coisas que eu gosto muito acontecem: eu não simpatizava com a pessoa que morreu e muito menos com o assassino no final.

Daí ficou muito mais fácil gostar do livro.

Na Inglaterra do século XII, o Rei Stephen e sua prima, a Imperatriz Maud, estão lutando pela coroa inglesa.

Nesse bafafá todo, o casamento de um lorde riquíssimo com uma ainda mais rica herdeira não é de pouca importância, pois aquele que controlar as terras pode bem mudar o curso da batalha.

Mas aí tem umas coisas chatas no meio. Iveta, a herdeira, apesar de ser de uma família de famosos cruzados, tem apenas dezoito anos. E o noivo, Huon de Domville, é um aristocrata de sessenta anos, duro e grosso, que já foi casado antes e vê o casório como apenas mais um bom negócio, já que Iveta traz uma série de boas terras com ela na barganha.

Tem também Joscelin, o escudeiro de Huon, que é jovem, bem apessoado, de boa família, e completamente apaixonado por Iveta. Ele está convencido de que ela vai ser obrigada a casar pelo seu guardião, Godfrid Picard, o tio de Iveta, e que isso deveria ser impedido. Porém, como seu senhor é muito mais poderoso que ele, não há muito o que ele possa fazer.

Sabendo do interesse da sobrinha por Joscelin, Godfrid arma com Huon de desacreditar o jovem, que é despedido e ainda acusado de roubo. Joscelin foge dos homens do xerife e Iveta parece conformada com seu destino de se casar com um homem que poderia ser seu pai.

Tudo seria apenas uma história de amor triste, se não fosse o fato de que, na noite antes do casório, o noivo sai pra cavalgar e não volta mais. O irmão Cadfael, responsável pelo herbário e o  especialista em mortes matadas – por ter vivido como cruzado e marinheiro antes de virar monge – descobre que Huon caiu do cavalo porque trombou com uma corda estendida entre duas árvores, bem na trilha onde ele estava passando, e depois estrangulado.

Claro que o maior suspeito de ter matado o cara é o Joscelin, que, apesar de Iveta revelar que seu tio tinha mentido pra ela para convencê-la a se casar, não tem como provar sua inocência.

No desespero, Joscelin foge para onde ninguém ousará procurá-lo: no hospital para leprosos de São Giles, que fica nas redondezas.

Enquanto Cadfael tenta descobrir onde Huon passou a noite antes de morrer, Joscelin aprecia a boa companhia são os leprosos, e vira amigo do garoto Bran – que parece não ter a doença – e do velho Lazarus – que parece não ter mais a doença.

Foram várias as coisas que colocaram esse livro na lista dos meus favoritos da série. O casalzinho não é dos mais gostáveis, já que Iveta é uma apática e Joscelin é perfeito demais.
Mas o que sempre me fascina nos livros da autora é como ela relaciona os acontecimentos privados na vida dos personagens com o que acontece no resto do mundo.
E no resto do mundo existem os leprosos.
E a lepra era uma doença das mais piores do mundo na época, porque você não podia mais ter contado com ninguém e ainda por cima perdia partes do corpo aos poucos.
Lázaro, o velho que fica amigo de Joscelin, é um dos melhores personagens de todos os livros da autora – o título, inclsive, se refere a ele.

A lepra ainda existe hoje, por incrível que pareça, mas na época, quando não existia cura, a coisa era muito séria. A conversa do Cadfael com o Joscelin, de “o que você faria se um leproso te estendesse a mão – e se você estivesse pendurado num penhasco”, pode ser usada hoje em qualquer situação de doença contagiosa séria, e deixa o livro mais atual.

O final do livro, como eu já falei, e do qual nem vou dar spoiler, também ajuda muito. Como um todo, é um dos melhores romances policiais medievais e um dos melhores da autora.

Vale muito a pena.

Título Original: The Leper of St. Giles (1981)
de Ellis Peters (Reino Unido)
Crônicas do Irmão Cadfael Livro 5

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