Livro: O Conde de Monte Cristo

É quase impossível falar desse livro sem estragar as surpresas da história, então pra quem quiser minha opinião antes de tudo: SIM! Leiam! Um dos melhores livros da literatura mundial, do universo, da minha vida. Impossível de largar, impossível de sair da história mesmo depois que o livro acaba. São mais de mil e seiscentas páginas: sim, mas passa tão rápido que nem dá pra perceber. Incrível. Incrível!

Publicado originalmente em formato de folhetim na França entre 1844 e 1846, esse livro é um dos mais famosos da literatura mundial e foi adaptado dezenas de vezes para o cinema. Alexandre Dumas (pai) e seu colaborador Auguste Maquet se inspiraram na  história real de um sapateiro noivo de uma mulher rica que foi preso, falsamente acusado por três amigos invejosos de ser espião, e depois voltou para se vingar.

A história começa em 1815, quando o jovem marinheiro Edmond Dantès é preso no dia do seu casamento com a bela Mercedes, injustamente acusado de traição. Ele passa anos trancado no terrível castelo de If, uma ilha perto de Marselha. Lá ele fica amigo de um outro prisioneiro, o velho abade Faria, que lhe ensina tudo o que sabe – e inclusive revela a localização de um enorme tesouro enterrado na ilha de Monte Cristo. Quando o abade morre, Dantès consegue escapar da prisão, chega até o tesouro e se dedica a se vingar de todos os que acabaram com a sua vida.

Danglars, seu colega marinheiro, foi quem teve a ideia da denúncia falsa, pois tinha inveja do sucesso de Dantès. Vinte anos depois, ele é um banqueiro bem sucedido e é chamado de Barão. Fernand Mondego era apaixonado por Mercedes, com quem Dantès ia se casar. Ele levou a denúncia falsa até o magistrado De Villefort e se casa com Mercedes depois de Dantès ser preso. Anos depois, Fernand e Mercedes são o Conde e a Condessa de Morcef, pois Fernand enriqueceu no exército. Os dois têm um filho chamado Albert.  De Villefort sabe que Dantès é inocente, já que sabe quem é o verdadeiro traidor. Querendo se proteger da ruína, Villefort manda Dantès para a prisão perpétua. Anos depois, ele vira o Procurador do Rei, um dos políticos mais importantes da França.

O livro ganha volume não só pela trama que passa por vinte anos, quatro famílias e mais de vinte personagens, mas também pelo estilo de Dumas: são inúmeros diálogos que demoram para terminar, várias descrições minuciosas e muitas situações que se resolvem depois de páginas infindáveis para manter o leitor entretido. E o pior: funciona. Em parte pela história incrível: não é só a vingança que nos prende (já que de certa forma já esperamos que isso vá acontecer e queremos saber como), mas também as tramas paralelas de assassinato, romance e até mesmo guerras antigas. De outra parte, o leitor passa a se importar com todos os personagens, mesmo o mais canalha, já que passamos páginas e mais páginas conhecendo até mesmo onde cada um nasceu: é impossível largar o livro sem saber como cada um terminou.

Eu fiquei totalmente obcecada pelo livro – ainda estou um pouco lá, na verdade – de uma forma que não acontecia há muito tempo. O protagonista é um personagem incrível, sim: mas a forma como a história se constrói não deixa nada simples. Quando eu achei que a parte da vingança ia começar, um grupo enorme de personagens entrou na história, comecei a ficar com medo do conde se vingar das pessoas erradas, e até fiquei com pena de algumas pessoas no final – o autor antecipa isso, e nas últimas 50 páginas faz um remember do início pra reacender na memória de todo mundo o drama todo vivido por Dantès. O meio do livro é empolgante e leve, mas o começo e o final são dignos das melhores novelas mexicanas – com aquele toque de horror oitocentista que só os melhores conseguem criar. Com um final extremamente desconfortável pra mim, que sou ainda infelizmente romântica, o livro ganhou pontos: fiquei pensando na trama por horas – dias – talvez meses – e estou querendo revisitar capítulos, reler cenas, voltar pra ver partes que tomam mais sentido depois de saber quem é quem.

A edição que eu peguei, da editora Zahar, está impecável: com uma tradução excelente, notas relevantes, boa qualidade de impressão e capa bonita. Como o livro foi escrito em 1844, provavelmente tinha uma linguagem mais rebuscada, mas a tradução conseguiu deixar tudo bastante limpo. Mesmo com os diálogos repletos de frases formais, o livro é fácil de acompanhar por leitores contemporâneos. Para quem quiser e souber inglês ou francês, no entanto, existe o site gutenberg.org que disponibiliza a versão original e uma tradução em inglês gratuitas em formato digital.

Um pequeno comentário sobre a adaptação mais recente para o cinema, de 2002: metade do filme segue o rolê do livro, a metade final inventa tudo. Não chega a ser ruim – não tem como ser ruim com aquele conde tão bem apessoado haha – mas não chega nem perto da força do livro. Mais detalhes talvez num post futuro, mas mesmo que queiram ver o filme: LEIAM O LIVRO. É incrível!

Le Comte de Monte-Cristo (1844) de Alexandre Dumas

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