Filme: O Castelo Animado

Sophie é uma garota que trabalha numa fábrica de chapéus. Ela é a mais velha de três irmãs e está convencida de que nada de interessante vai acontecer na vida dela, já que os príncipes encantados e amores proibidos sempre acontecem com as irmãs mais novas ou mais belas.

Sophie tem medo de andar na rua, porque é tempo de guerra e todos andam comentando do mago Howl, que come o coração das garotas, mas acaba saindo de casa num dia festivo para ver sua irmã que trabalha na padaria. No caminho, conhece um lindo jovem que a ajuda a atravessar a praça sem ser importunada.
Depois de falar com a irmã, Sophie volta para a chapelaria, onde acaba sendo grossa com uma cliente chata que sai batendo a porta, não sem antes comentar que Sophie deveria tomar cuidado antes de falar com a bruxa do pântano. Da próxima vez que Sophie se olha no espelho, está com a aparência de uma velha de 90 anos.

Apesar de assustada, resolve juntar suas coisas e sair da casa, porque no dia seguinte de manhã estarão esperando por ela no trabalho.
No caminho encontra um espantalho vivo, que a guia até um castelo móvel horroroso, onde vive um demônio do fogo, que tem um pacto sinistro com o mago Howl.

Daí pra frente, essa animação fantástica de Hayao Miyasaki baseada no livro da sempre genial Diana Wynne Jones mostra todo o caminho complicado de Sophie para ser aceita no castelo do mago Howl como faxineira, descobrir qual é o pacto que ele tem com Calcifer, o demônio do fogo, e se livrar da terrível maldição da bruxa do pântano, ao mesmo tempo em que se apaixona por Howl (que é o mesmo rapaz que a acompanhou na praça, naquele dia de festa) e tem que lidar com a guerra que assola o país.

Com sua moral e costumes japoneses, Miyasaki melhora o enredo, e as peripécias de Sophie adquirem um caráter muito menos maniqueísta (como escritora inglesa de livros infanto-juvenis, Diana está muito mais preocupada com o humor e aventura), e muito mais bonito. Além disso, as imagens criadas por ele para a história são simplesmente de tirar o fôlego.

O único drawback, que não deve existir no caso dos verdadeiros apreciadores, é o fato de que é uma narrativa ‘não-tradicional’ (para o nosso modo ocidental de assistir aos filmes), um pouco mais lenta e introspectiva, que faz com que o filme fique um pouco acima da média assistível por crianças pentelhas e burras.

Só uma curiosidade: não pensei duas vezes em procuar uma sessão legendada quando esse filme passou no cinema (A Viagem de Chihiro, por sua vez, assisti com uma menina de oito anos do meu lado, e devo ter sentido mais medo e aflição do que ela). E no cinema tinha umas quatro ou cinco mães com crianças pequenas, e estranhei porque tinha um monte de sessão dublada por aí. Eram famílias japonesas, com crianças criadas nas duas línguas, ou até só em japonês, e as crianças, mesmo que soubessem ler em português, nem se dariam ao trabalho, já que entendiam tudo. Nem é tão incomum assim, numa cidade como essa, mas me senti meio que em outro país…

O Castelo Animado (Hauru no ugoku shiro) – 2004

de Hayao Miyasaki
dublagem em japonês: Chieko Baisho (Sofi), Takuya Kimura (Hauru), Tatsuya Gashuin (Karushifâ), Ryunosuke Kamiki (Marukuru)

ps: acabei de descobrir que as vozes na versão norte americana são de ninguém menos do que Christian Bale (Howl), Emily Mortimer (Sophie), Jean Simmons (vovó Sophie) Lauren Bacall (bruxa do pântano), Josh Hutcherson (Markl), Billy Cristal (Calcifer) e Jena Malone (Lettie)!!

Uma ideia sobre “Filme: O Castelo Animado

  1. hahahahhahaha..

    SEU PAI É MEU ÍDOLO!!!!!!!!!!!!!!

    hhahahahahaa..

    e tenho ditto..
    o filme é ótimo, adoro a narrativa japonesa, e o texto, como sempre é um deleite!!!

    beijoteamo…

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