Livro: Mistress of the Art of Death

Na Inglaterra do século XII, uma criança é encontrada morta no rio.
O crime toma proporções maiores quando se nota que a casa ao lado de onde o garoto foi achado pertence ao judeu mais rico da cidade. Logo as pessoas estão acusando os judeus de terem matado a criança, crucificando-a. A multidão enlouquece.
O xerife, que sabe muito bem quanto os judeus contribuem para os cofres do rei, tenta abrigar todos os judeus no castelo de Cambridge, mas as pessoas estão furiosas e lincham o judeu mais rico e quando a esposa dele tenta intervir matam ela também.
Os outros judeus ficam no castelo, sem poder sair por medo de serem mortos pela população. Enquanto isso, não podem fazer dinheiro e muito menos pagar os impostos ao rei.

Outras três crianças são achadas, com toscas estrelas de Davi perto delas. Os judeus são novamente acusados, e agora suspeitos de voarem por cima dos muros do castelo para torturarem as criancinhas.

O rei, no entanto, acredita que os judeus não são responsáveis pelas mortes das crianças, e, para resolver o problema de uma vez por todas, (um pouco mais preocupado com os impostos do que com o assassino, diga-se de passagem) manda uma mensagem ao rei da Sicília, pedindo um investigador e um médico especialistas em assassinatos.

Entram em cena Simon of Naples, o investigador, e Adelia, a médica especialista, junto com seu ajudante – e melhor personagem do livro – o eunuco muçulmano Mansur.

Salerno, a cidade de onde os dois vêm, é incrivelmente avaçada para a época, deixando até mesmo mulheres lidarem com medicina, apesar da proibição da igreja.
Adelia não só é médica como também especialista em “falar com os mortos”: ela observa aqueles mortos por violência e consegue descobrir como e onde eles foram mortos.

Eu já falei sobre o que mais me incomodou no livro nesse post, que foi a modernidade de pensamentos da Adelia. Ok que o leitor precisa de um personagem que “pense como a gente” pra nos identificarmos com a história, mas nesse caso eu achei a coisa exagerada de mais: Adelia é a Bones do século XII, com o ceticismo, o ateísmo e o amor pela lógica da famosa protagonista da série de TV.
Isso acabou atrapalhando o livro, já que todos os personagens coadjuvantes têm personalidades bastante inseridas na época e só a protagonista, superior, é dona dos pensamentos modernosos.

Fora isso, o suspense é bem construído, com uma trama cheia de reviravoltas que não deixa o tédio tomar conta. Como eu adoro a ambientação da Inglaterra medieval e adoro romances policiais, foi uma leitura agradável assim que eu desencanei de esperar uma protagonista crível. Certamente que me identifiquei com a moça – como era a intenção da autora – e certamente vou ler os outros livros da série. Mas fica a questão: será que só gostamos dos livros com protagonistas que seguem a moral e a ética dos nossos tempos, em vez dos deles?

Uma informação extra: o livro foi vencedor do prêmio Ellis Peters de policial histórico (vocês não adoram um país que tem um prêmio desses?), Ellis Peters sendo a autora dos mais famosos policiais históricos e meus favoritos, as Crônicas do Irmão Cadfael.
Que por acaso se passam logo antes da época relatada pela autora desse livro: Cadfael vive na horrenda guerra civil inglesa entre a Imperatriz Maud e o Rei Stephen. Já Adelia serve o Rei Henry II, filho de Maud. O horror da guerra ainda está bastante vivo nos personagens mais velhos do livro, e como um todo a ambientação histórica da autora é excelente.
Faltou uma protagonista da época, em vez de uma modernosa feminista.

Informações técnicas: Mistresso of the Art of Death (2007) de Ariana Franklin. Série Adelia Livro 1

Uma ideia sobre “Livro: Mistress of the Art of Death

  1. Que boa dica! O mais próximo que eu li de um policial histórico foi “A Corrida ao Abismo”, quase uma biografia romanceada do pintor italino Caravaggio, porém com ótimas pinceladas de dramas, mistérios, e crimes.

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