Personagem: Miss Fisher

miss fisher murder mysteries

Aí comecei a ler esses livros maravilhosos porque vi a série na Netflix (ASSISTAM).
Tou tendo que me controlar, viu, porque por mim já tinha terminado todos os vinte livros – só que aí tive um problema com as adaptações que fizeram pra TV. Eu sou daquelas chatas que fica procurando falas do livro no filme (já fiz vários posts reclamando de adaptações de livros queridos para o cinema, me deixa); no caso da série de TV alguns episódios foram tão doídos que resolvi ver primeiro pra ler depois.
Tem funcionado. Os episódios não foram feitos na mesma ordem de publicação dos livros, e alguns livros são inclusive pulados, então teve história que eu li e não assisti e história que eu assisti e não li – e que eu li primeiro e assisti depois, e vice-versa.
A minha recomendação, portanto, é assistir primeiro e ler depois. É muito mais fácil gostar do Charlie na TV em The Green Mill Murder e depois ler sobre o caso do que se desapontar com o péssimo tratamento que o irmão dele teve quando fizeram a adaptação.

De forma geral, gostei muito da versão para a TV: os atores são o máximo, os crimes são bem trabalhados, o figurino é excelente e a música dá bem o clima. Essie Davis é uma Phryne incrível e a química dela com Nathan Page (Detetive Inspetor Robinson) – que não existe no livro – deu a clichezada do ‘will they – won’t they’ mas ajuda muito a série. Outra decisão excelente foi fazer Phryne mais jovem – enquanto no livro ela não chegou nos 30, Ms Davis  já passou dos 40. Isso deu um novo olhar para a personagem e transformou-a em ainda mais incrível.

Mas o que mais senti falta na adaptação foram os jovenos da Phryne. Aparentemente em 2015 temos ainda muitos expectadores pudicos, e sequer sugerir que uma mulher solteira tenha relações com vários caras é demais para a nossa televisão retrógrada. O resultado é que ela troca olhares e flerta com vários moços, mas chega aos finalmente com menos da metade dos que ela aproveitou nos livros.

Spoilers a seguir.
Quer ver?
No episódio 1 (que foi adaptado do livro 1), Phryne tem um caso tórrido com um dançarino russo. Na TV, ela dá pro cara para descobrir se ele é mesmo a fim de uma outra (não fez muito sentido pra mim, mas quem sou eu né).
No episódio 2 (livro 3), Phryne tem um caso longo com um joveno estudante da universidade de Melbourne. Na TV, só existe uma sugestão de flerte, e Phryne diz que não vai sair co cara porque ela não dorme com suspeitos de crime (mas no livro ela não tem a menor dificuldade em fazer isso).
No episódio 3 (livro 5), é a vez de um jazzista, mas na TV ela só troca olhares, convida o cara pra jantar e recusa o bem-bom porque ele não deu as respostas que ela queria sobre o crime. No livro a coisa vai longe e ela consegue descobrir o que ela quer saber em longas conversas regadas a vinho e bourbon.
No episódio 4 (livro 4) Phryne finalmente consegue ação na TV: o comunista russo que ela traça no livro realmente frequenta a cama dela – até aparece os dois deitados conversando *gasp* sem camisa (mas sem mamilos polêmicos, ela está de costas pra câmera porque aqui não tem putaria). Peter Comunista é um dos grandes romances dela nos livros, acho que por isso que os roteiristas deram um desconto pra ele na TV.
No episódio 5 (livro 9) foi a maior sacanagem (no mau sentido): mó novinho daora que ela arranja no livro e na série não rola nem umas bitocas. Motivo: alguém entra pela janela da casa dela bem quando eles iam tomar um vinho em frente à lareira – o que os roteiristas não fazem para manter a (semi) virtude de uma protagonista…
Episódio 6 (livro 7) o ator maravilindo que ela quase pega morre (!), mas o querido Lin é um caso mais longo e aparece em mais de um livro, então a TV teve que se contentar e ela de fato tem o romance com um chinês – que obviamente é interpretado por um chinês mestiço de quinta geração que tem apenas traços orientais.
E para finalizar, porque os outros episódios eu não li, no episódio 11 (livro 6) – meu favorito de todos eles sem a menor dúvida – a adaptação estragou tudo. TUDO. Tudo bem que é meu favorito e e claro que eu reclamei horrores, mas gente. Dois. DOIS jovenos só pra ela (um cigano e um artista de circo, tá) e na TV nenhum deles aparece. É muita crueldade com a pobre Phryne. Eles inventam um romance boboca com um personagem que mal aparece no livro, mudam a história toda, eliminam todas as cenas tensas (pelo menos admitiram que violência e sexo são igualmente impróprios para menores) e fica tudo uó. Mas o que dói mais é a ausência dos jovenos. Primeira protagonista de livro não-pornográfico que passa a noite com dois ao mesmo tempo e isso não aparece na TV? Imperdoável.
E ela nem faz nada com eles (naquele momento), antes que vocês venham me reclamar de impropriedades: ela só dorme entre os dois, que estão protegendo ela dos malvados.

Então só na matemática: em sete episódios da TV ela dá pra TRÊS. Nos livros correspondente ela dá pra OITO (ídala, falaê).
Mas, como gente morta violentamente tudo bem, todos os assassinatos dos livros aparecem na TV – com direito a tiros, envenenamento, estupro, tortura, mumificação enquanto a vítima está viva e tudo o mais que crianças podem ver com as avozinhas à tarde.

E além disso: tanta série por aí com homem pegador que dorme com uma jovena por episódio (ou mais). E nessa que temos a primeira protagonista genuinamente vadia da história, a TV vai lá e faz ela ficar com MENOS CARAS?!
WHY? I WANNA KNOW WHY!!
Mentira, I know why. Chama machismo.
Mas é pra isso que a gente taí, né? Pra mostrar que não tá legal e é isso aí.

Mas sério, fora os jovenos, a adaptação pra TV tá muito boa e recomendo pra todo mundo. E os livros são incríveis também! 🙂

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