Filme: Mestre dos Mares – O Lado Mais Distante do Mundo

Me disseram uma vez que esse filme era ruim porque mostrava o Brasil como uma terra onde não tinha nada, e que era preconceito de norte americanos and stuff.

O que é que achavam que tinha no Brasil em 1805? Megalópoles??
Esse povo que tenta ser culto e só fala besteira me irrita profundamente. Lógico em 1805 não tinha nada no Brasil, só escravo, bandeirante, índio e gende sem ter pra onde ir que ficava por aqui mesmo. As coisas só foram mudar quando D. João veio e resolveu que ele teria de morar numa cidade que tivesse no mínimo uma universidade e um jardim botânico e um teatro… e assim nasceu o Rio de Janeiro.
 
Mas, voltando ao filme. Por mim, além de ser um dos filmes meus favoritos no mundo inteiro, tem Russell Crowe E Paul Bettany E o moço bonito que faz o papel do Mr. Pullings. E se passa num navio de verdade! – navio de verdade são esses do filme e do piratas do caribe e da garganta cortada, não do titanic.
Impressionante como os caras viviam – duzentas almas num barquinho de madeira no meio do pacífico, COMO ASSIM, e funcionava de uma maneira que nós não conseguimos nem imaginar direito. Gostei da forma como o filme mostra o cotidiano dos marinheiros, que era terrível > mas se estivessem no mar, tinham a certeza de que teriam a) comida e b) lugar para dormir, já que a maioria dos marinheiros quando em terra não aranjava emprego. Alguém já calcuou a taxa de desemprego na Inglaterra do início do século XIX? Vou procurar em algum livro. O que eu sei é que os marinheiros propriamente ditos eram os que sofriam mais: só sabiam trabalhar no mar. Os ajudantes de carpinteiro, cozinheiros e ajudantes de enfermagem eram até capazes de arranjarem onde trabalhar em terra, mas os ‘able seamen’ só tinham um lugar pra trabalhar… que pelo menos oferecia, como eu já disse, comida e abrigo (eles não ganhavam dinheiro a não ser quando capturavam algum navio saqueável, porque se ganhassem salários, toda vez que estivessem em terra gastariam tudo com mulheres e principalmente bebida, e se ‘perdiam’ para não mais voltar ao navio – por isso os capitães pagavam o menos possível aos marinheiros e ofereciam todo o salário em forma de comida e grogue durante a viagem).
 
E como naquela época, ou pelo menos naquele ambiente, não existia adolescência, que convenhamos é uma invencão recente. Ou o cara era criança ou era adulto, e o filme mostra isso na pele do Lord Blakeney, que deve ter no máximo treze anos mas é instruído e de família nobre, portanto tem posto alto apesar da idade. E o amigo dele, que esqueci o nome, é nomeado tenente com dezesseis anos. Ou seja, ele tinha responsabilidade de cuidar das vidas dos homens que comandava durante uma abordagem…
Lógico que amei o filme muito também por causa da minha paixão pela época – e histórias de piratas ocidentais em geral – e que ele deve ser visto como um drama e não uma aventura.
O enredo é quase simples, quando o capitão de um navio inglês na época das guerras napoleônicas recebe a missão de capturar um navio francês mais moderno que o seu e encara a missão com notável firmeza. Por isso e pelo comando às vezes violento por necessidade, ele recebe a desaprovação do médico do navio, um humanista.
 
O par de protagonistas é sem comentários de tão bom, Crowe e Bettany, a vida no mar daquela época é retratada com exatidão e preciosismo nos detalhes, e, acima de tudo, o filme é uma metáfora sobre a modernidade que estava se abatendo sobre eles, com isso do navio perseguido ser tecnologicamente mais avançado, e ao mesmo tempo ser quase um fantasma pra eles.
As duas únicas cenas de ação são quando dos únicos dois combates entre os dois navios, logo no começo e no final do filme. O resto do filme é descrição da vida dos marinheiros, suas crenças e alegrias, e por isso mesmo o filme não tem nada que ser considerado um filme de aventura. Se foi assim que foi vendido, uma pena. Uma pena também o Crowe não ter levado um Oscar. Porque, sem a menor dúvida, ele é o Mestre e Comandante do título.
De resto, don’t forget your old ship mates; rolly rolly right-o!!

 

Mestre dos Mares – O Lado Mais Distante do Mundo (Master and Commander – The Far Side of the World) – 2003
de Peter Weir
com: Russel Crowe, Paul Bettany, James D’Arcy

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