Livro: A Mansão Hollow

mansão hollowA excêntrica e rica Lady Lucy Angkatell está disposta a ter um fim de semana bem sucedido. No entanto, tudo parece conspirar contra ela. Seus convidados não se dão bem entre si e a coisa promete ser bem entediante. Mas aí ela pensa no famoso detetive Poirot, que está passando as férias num chalé perto da sua mansão, e tem a ideia de convidá-lo para o chá.

Enquanto isso, o leitor vai conhecendo os outros convidados para o fim de semana no campo, e é aí que está a graça do livro.

Uma coisa que a autora faz como ninguém é a caracterização dos personagens, e dessa vez ela caprichou. Midge, a prima pobre, sempre sonhando com os tempos de infância na mansão ancestral da família. Edward, o primo que vai herdar tudo mas está depressivo por ter sido rejeitado pelo amor da sua vida. David, o primo jovem, revoltado e comunista mas que só quer ser ter suas opiniões ouvidas no almoço de família. Gerda, a mulher sem graça, burra e lerda que detesta passar as férias com a família do marido mas o faz por pura dedicação. John, o médico bem sucedido, bonito e inteligente, obcecado em descobrir a cura para uma doença complexa. E Henrietta.

Henrietta é uma artista bem sucedida, solteira, inteligente, criativa. Ela é a alma do livro. É através dela que conhecemos os outros personagens – mesmo quando o ponto de vista é alterado, é dela que vêm as observações inteligentes e é com ela que a narrativa começa e termina. O bom humor, a sagacidade e a sensibilidade de Henrietta são peça chave na trama, que ganha ares filosóficos quando a morte acorre. Pois o morto da história é John Christow, o médico cheio de vida e amante de Henrietta, e o livro é não só sobre a descoberta do assassino como também um estudo sobre a reação das pessoas à dor da perda.

Poirot aparece quase no meio do livro e fica pouco tempo, o que talvez seja meio sem graça para os fãs dele. Mas como eu não faço a menor questão do detetive, gostei assim. Inclusive ouvi falar que a própria autora se arrependeu de ter colocado o detetive na história (algum tempo depois ela reescreveu a trama em forma de peça – sem ele).

O livro tem uma trama mais sóbria e adulta do que outros da autora, mas tem também uma pegada de humor (Lady Angkatell é ótima) e é ao mesmo tempo inteligente e tocante. Uma excelente leitura!

Informações técnicas: The Hollow (1946) de Agatha Christie. Foi o 25º livro da autora com o detetive Hercule Poirot.

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