Livro: A Ilha do Tesouro

Primeiro que eu entrei na faculdade de novo porque gosto de sofrer e o professor perguntou na sala de 50 aluninhas quem tinha lido esse livro e só eu levantei a mão.

Segundo que tem livros que são geniais e já li um milhão de vezes e quando vou ver, não tem a resenha aqui e isso não pode.

Portanto, vamos a um dos maiores livros de aventura jamais escritos – um daqueles capazes de permear toda a história e a cultura desde então. Sabe o pirata-da-perna-de-pau com o papagaio no ombro? Não existia. Quem inventou foi esse cara.

Sabe a música yo-ho-ho e uma garrafa de rum? Também não tinha. Nem o mapa do tesouro com o X marcando o lugar. Piratas nunca enterraram tesouro, porque é idiota largar dinheiro numa ilha deserta em vez de gastar.

Depois de tantos anos (o livro foi publicado pela primeira vez em 1883) e tantas adaptações (estimadas 50 adaptações para cinema e TV), eu achava que seria redundante falar dele aqui. Mas minhas colegas que sequer haviam ouvido falar do nome do livro me convenceram de que tem gente no mundo que precisa do meu trabalho.

A história é aparentemente simples: Jim é um joveno que vive na estalagem dos pais, encontra um mapa do tesouro, corre mostrar pra um médico e um rico mané que vivem na região de Bristol na Inglaterra; daí eles equipam um navio e vão em busca do tesouro numa ilha perdida do Caribe. No caso, é o tesouro do lendário pirata Capitão Flint, um homem terrível que ainda povoa o imaginário das pessoas mesmo anos depois de ter morrido.

No meio da viagem, Jim descobre que mais da metade da tripulação costumava ser a tripulação de Flint, e que eles planejam pegar o ouro, matar todo mundo e ir embora. E aí começa o rolê.

Se fosse só isso, já tava bom até. Mas tem muito, muito mais. Tem o papagaio que do nada grita “pieces of eight!” (moeda espanhola da época). Tem as histórias terríveis do capitão Flint e dos outros piratas. Tem o Capitão, um velho marujo aterrorizante e aterrorizado que inicia a história com o melhor clima, enchendo a cara, contanto sobre carnificinas de que participou, xingando todos ao redor; ao mesmo tempo em que implora pro Jim vigiar pra ver se o “homem da perna de pau” não chega. Tem a ação ininterrupta quando chegam na ilha, com reviravoltas de fazer ser impossível largar o livro. Tem o náufrago perdido. Tem o esqueleto apontando a direção do tesouro. Tem motim, bandeira com os ossos cruzados, mendigo cego assassino, lutas de espadas, e muitos momentos engraçados, emocionantes e tocantes.

E tem Long John Silver.

Nunca na história da literatura você encontrou um cara igual. Sedutor, inteligente, manipulador, ágil, implacável, engraçado, ambicioso, cruel – me faltam adjetivos para falar desse que é um dos melhores personagens que eu já li na vida. Se nada do que eu falei te convenceu a ler o livro, vá ler só por causa do Silver porque ele é muito, muito, MUITO incrível. É livro pra criança, é rapidão de ler, é muito daora. Sério, mano. Só vai!

 

Trivia –

O filme de 1950 foi o primeiro filme totalmente ‘ao vivo’ da Disney, enquanto a versão de 1990 tinha Christian Bale como Jim.

No início do livro Peter Pan, quando o Capitão Gancho aparece pela primeira vez, ele é descrito como sendo “o único homem de quem o cozinheiro do navio tinha medo”.

Treasure Island (1883) de Robert Louis Stevenson

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