Filme: Liga da Justiça

Vamos começar com as coisas boas pra ninguém me chamar de mais chata do que eu já sou? Vamos. Então: teve gente que achou as piadas engraçadas. Teve gente que achou o roteiro bem amarrado. Teve gente que gostou de todas as histórias de origem. E teve gente que genuinamente se divertiu com esse filme.

E tá tudo bem, viu? Quanto mais gente for no cinema ver isso, mais dinheiro o estúdio ganha, e mais chances existem de que as continuações sejam menos piores – porque eu sou dessas esperançosas sempre.

Mas agora vamos à minha opinião de verdade? Eba.

Eu achei as piadas sem graça nenhuma e não só porque eu já sabia que elas iam acontecer (os diálogos pareciam psicografados de tanto que eu já imaginava as falas), mas simplesmente porque não decidiram as personalidades dos heróis antes de rodar o filme. Tanto o Batman sisudo e dramático quanto o Superman recém saído de um trauma fazem o mesmo tipo de piada adolescente que o Flash faz. Todos os personagens têm a mesma voz, a mesma personalidade e o mesmo senso de humor.  Em vez de deixarem o pobre Flash como alívio cômico, que parece ter sido a intenção ao chamarem o histriônico Ezra Miller pra interpretar o jovem, colocaram piadas de coleguisse estilo Marvel na boca de todos os heróis – e isso simplesmente não combina e não faz sentido. Descaracteriza os personagens e faz com que as cenas mais sérias fiquem deslocadas.

Sobre os atores, gostaria de um momento de silêncio pela incrível Amy Adams, que foi relegada a um papel tão ridículo que eu realmente espero que as cenas dela abraçando o Henry Cavill sem camisa tenham compensado para ela pessoalmente. O Jeremy Irons parece se divertir com a mesma piada o filme todo, e a Connie Nielsen, o J.K. Simmons e a Diane Lane pelo menos não pagaram mico. Já sobre os protagonistas, é um pouco triste que o roteiro não tenha dado espaço pra eles, porque pelo menos o Ben Affleck já tinha demonstrado que segura a onda como Batman e a Gal Gadot é tão maravilhosa que não tenho palavras – mas mesmo eles ficam apagados nessa história idiota com diálogos risíveis e cenas de ação de quinta categoria. Jason Momoa fica ótimo sem camisa e de boca fechada: quanto tenta interpretar é tão ruim que até dói. Ezra Miller e Ray Fisher são bons e fazem o que dá, e são os que mais brilham apesar do pouco tempo de tela. Henry Cavill é só ruim, gente, desculpa. Quando se toma olé de interpretação de um Ben Affleck sem ânimo, tá na hora de rever as suas prioridades.

Os efeitos especiais são um caso à parte. Tem horas que tá tudo lindo, tem horas que eles usam CGI pra cada coisa sem sentido (oi, bigode do Henry) que fiquei pensando se tudo isso de dinheiro que gastaram foi em CG mal colocado, daí refeito, daí recolocado. Não sou uma especialista em quadrinhos (e nem acho que o filme precisa ser fiel para ser bom), mas podiam ter pensado melhor na roupa do Cyborg – ele era igualzinho aos minions do vilão, e nas batalhas era tão difícil saber quem era quem que dava aquele soninho. As tão aguardadas lutas de herói contra herói foram de uma incongruência extrema mesmo considerando o próprio universo cinematográfico criado pela DC, e aí chegamos ao problema maior do filme: o roteiro.

Gente. Gente. Eu SEI que o roteirista (ou os roteiristas, no caso) só pode ser culpado até certo ponto. Antes do filme chegar a ser filmado, duzentas pessoas vão opinar, os produtores vão encher o saco, aí depois que filma percebem vários problemas, e muda tudo, e faz de novo. Mas TEORICAMENTE os roteiristas desse filme têm um mínimo de autonomia, então vou confiar que essa história LIXO veio da cabeça de algum culpado, não é possível. Um ET malvado vindo de sei lá onde quer invadir e destruir a Terra por sei lá qual motivo e ele simplesmente é INATINGÍVEL e IMORTAL a não ser que SERTAS PESSOA esteja lá espancando o cara. Então somos obrigados a engolir que: a moça que DESTRUIU UM DEUS no filme anterior foi incapaz de dar um couro nesse ET infeliz. Um joveno que corre MAIS RÁPIDO QUE O SOM não consegue fazer nada contra esse boss. Um gostosão que apenas CONTROLA TODAS AS ÁGUAS DO PLANETA não tem nenhuma ideia brilhante pra lidar com esse cara. As amazonas, os atalantes, O BATMAN: nada funciona. Tudo convergindo para um momento de retorno de personagem que todo mundo já sabia que ia acontecer, que não foi surpresa pra ninguém, e ainda culminou na cena de batalha mais idiota e anti-climática do filme (e olha que são muitas, hein). Interrompendo a programação sem graça nem surpresa, temos todas as histórias de origem possíveis – tudo enfiado de forma muito rápida, pouco inteligente e bem previsível – para que tenhamos um mínimo de empatia com os  heróis. Funciona até certo ponto, já que o pessoal que eles têm que salvar é tão mais sem graça que os heróis ficam quase interessantes.

Mas as piadas idiotas, a ação exagerada mas sem sanguinho, as atuações automáticas – tudo isso seria até que perdoável (talvez) se não fosse pela previsibilidade do roteiro. Já sabemos o que vai ter na próxima cena, e no próximo diálogo, e na próxima piada. Com exceção de algumas cenas boas, surpreendentes e engraçadas que dá pra contar nos dedos (por aqui, contei 3: o Flash vendo os olhos do Superman, Mulher Maravilha socando o Batman, Aquaman aleatório no píer), o filme é um aglomerado de clichês e frases de efeito que me deixou entediada desde a primeira cena.

MAS eu reclamo que o livro é melhor que o filme desde 1990 e sou daquelas chatas que fica reparando nas roupas mais curtas da Mulher Maravilha e no enquadramento PERNA-COXA-BUUUUUNDA-PEEEITO-ROSTO toda vez que ela aparece (hello, male gaze – que não tinha no filme dela, diga-se de passagem), então eu talvez não seja o público alvo desse filme? De qualquer forma, foi divertido estar no cinema rindo das cenas que tentavam ser sérias e eram só ridículas, e foi – está sendo – especialmente divertido falar mal desse filme depois. Até porque finalmente a DC parece ter ganhado da Marvel: enquanto Marvel quer fazer filmes cada vez melhores e está falhando miseravelmente, a DC está tentando fazer filmes cada vez PIORES (para que você compare com os anteriores e ache que de repente Batman vs Superman é um filme bom?) e está sendo EXCEPCIONAL nisso. Parabéns, DC!

Lembrando a todos que meu objetivo primordial ao ir no cinema ver esse filme foi chorar em bissexual o filme todo, então esse objetivo foi plenamente atingido. Jesus.

 

 

 

 

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