Lendo: O Temor do Sábio

Texto contém spoilers.

Início da leitura: final de maio de 2012.
Momento no livro: capitulo 106 (cerca de 70% do livro).
Por que comecei: o primeiro livro da série, O Nome do Vento, é muito bom.

Pois então. Demorei pra começar a ler porque não se acha esse inferno de livro pra vender por preço decente em lugar nenhum. O preço de capa nas livrarias – da tradução – está um absurdo e não consegui encontrar a versão original em paperback. O jeito foi apelar para o meu Kindle.

Então que o livro perdeu bastante da graça por eu não o estar lendo físicamente (sim, isso importa pra mim), mas o que atrapalhou a leitura mesmo foi outra coisa.

Que livro lerdo!
A história é o segundo dia da narrativa que Kvothe está fazendo ao Chronicler sobre sua vida. O livro anterior acabou num momento bastante tenso, com coisas empolgantes acontecendo tanto na história de Kvothe quanto no presente.
Daí nesse, quando a história é retomada, achamos Kvothe onde o tínhamos deixado (na sua estalagem no fim do mundo, no presente, e na Universidade, no passado).

E ele fala da Universidade. E fala. E fala. E fala. Até que os próprios amigos dele da época falam pra ele sair fora ele ainda está lá. E isso toma quase um terço do livro! Gente, que coisa chata!
Ok que ele estuda, ok que Ambrose continua sendo um mala, ok que Denna vive sumindo da vida dele… mas tudo isso já foi dito no livro anterior.
Ou seja, o autor passou um terço desse segundo livro repetindo a rotina do personagem na universidade.
Eu quase larguei o livro por aí.

Quando Kvothe finalmente sai da Universidade para a vida no mundo, eu lá maior empolgada pra ver ação na vida dele, e ele… “na minha viagem teve naufrágio, roubo, assassinato, explosão, piratas, mas essa história não vai falar disso porque não daria tempo”.

Oi?

A primeira coisa interessante que vai acontecer em ANOS no livro e o cara simplesmente PULA?
Morri. Quase larguei o livro dessa vez.

Mas o autor se redime com uma ação bem decente (se bem que clichê até a última sílaba) na corte do Maer e depois com o grupo de aventureiros rpgistas que vai atrás dos salteadores.
E eu maior empolgada (de novo) com a história, lendo o livro loucamente, e aí acontece o horror.

Felurian.

Ponto 1 – Felurian é uma fada que faz sexo com os homens até eles morrerem. Rolling my eyes now.
Ponto 2 – querendo se dar bem, Kvothe joga tudo pro alto (“sou um mago! o que eu tenho a perder?”) e tem noites de amor selvagens com a fada. Facepalm!
Ponto 3 – quando Felurian descobre que Kvothe era virgem, primeiro ela elogia o desempenho dele (zzzzRONC) e depois decide que vai deixá-lo ir embora para “testar” outras mulheres para poder falar que ela é a melhor.
Ponto 4 – tudo isso mencionado acima poderia ser perdoado (eu disse poderia) se Kvothe e Felurian não passassem A OUTRA METADE DO LIVRO falando sobre lendas antigas, construíndo artefatos mágicos e trepando no reino das fadas. ¬¬

Eu sei que o livro é narrado em primeira pessoa, e Kvothe logicamente quereria se gabar da sua própria habilidade sexual; eu sei que meu preconceito contra virgens que mandam muito na primeira vez na cama pode até ser (COF COF) exagero, mas gente.
Quem achou essas cenas típicas de serem escritas por um nerd punheteiro levanta a mão.

o/

E como se isso não bastasse, isso dura por uma enorme parte do livro! Dormi.
Cadê a aventura que tinha no primeiro livro e só em três páginas desse? Cadê a tensão romântica entre Denna e Kvothe? Cadê a sabedoria da trama e da ambientação?
Tudo isso foi substituído por fadas trepadeiras?
Sério?
Enfim. Definitivamente precisei largar o livro por um bom tempo, até ler alguma coisa que me anime mais na vida. Quem sabe depois eu retomo a leitura – até porque falaram que a última parte do livro é bem movimentada. Espero!

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