Livro: Kushiel’s Dart

Toda vez que eu vou na livraria, vou direto pra sessão dos pocket books pra ver o que tem de novidade. Ultimamente parece que são poucas, até porque o dólar aumentou, mas sempre tem aqueles que, de tanto eu ver lá na prateleira, dá aquela vontade de comprar (tadinho, ninguém te quer??). Claro que já fiz algumas burradas com essa tática, mas outro dia conheci um site que virou indispensável na minha vida:

http://www.bestfantasybooks.com/

O cara é muito bom. Além de ter várias listas separadas por gênero – todos ligados à fantasia – ele também explica pra gente como classificar os livros de fantasia e achar o que é mais agradável pra você.
E não é que esse Kushiel’s Dart estava na lista dos “melhores livros de fantasia para mulheres”?

O critério para ele escrever a lista é o seguinte: (tradução e adaptação por minha conta)

Já ouvi várias mulheres reclamando de que a maior parte dos livros de fantasia são ‘livros para meninos’. Ou seja, livros de fantasia com protagonistas homens e mulheres patéticas cujo único papel é ser salva pelo herói. Se voce é mulher e gosta desse tipo de livro, tudo bem. Mas se você é uma mulher que gosta de personagens femininas fortes e livros que não são escritos com a mente masculina como base (sim, a maior parte dos livros de fantasia são escritos POR homens e PARA homens), o que fazer?
Existem muitos livros de fantasia que podem agradar a algumas mulheres que gostam de histórias de fantasia mais suaves e com foco maior nos personagens. 
Essa lista que fiz é de livros com personagens femininas MUITO fortes, romances fortes e realistas e personagens com os quais se pode relacionar emocionalmente.  

Ele então se desculpa caso esteja sendo ofensivo a qualquer mulher e reitera que outros tipos de livros, que talvez agradem mais aos homens, estão em outras listas, e que a lista é apenas a opinião dele.

Mas o caso é que, ofensas à parte, ele acerta na maioria dos itens, como pude constatar por esse livro.
A contra-capa diz que a personagem principal é uma escrava sexual que só sente prazer quando sente dor.

A premissa já não me pareceu tão agradável assim, por ser muito fácil de estragar e por não parecer conter, digamos assim, cenas eróticas do meu agrado.
Mas me surpreendi muito com o livro.

Kushiel’s Dart é um livro difícil de se descrever. É um livro de personagens bem desenvolvidos, cenas de ação empolgantes e um enredo inteligente. Mas também é um livro cheio de cenas de sexo pesadas, com uma ideia religiosa polêmica permeando tudo e um mote – “ame como quiser” – que pode parecer bastante escandaloso para muitos leitores.
E, para completar, a protagonista é uma cortesã-espiã-sadomasoquista numa França de fantasia da época renascentista.
Vamos combinar que nem todo mundo vai se sentir à vontade pra ler.
De qualquer forma, apesar de ter ficado um pouco de pé atrás com essa história de sadomasoquismo, o livro me agradou imensamente. A autora escreve muito bem, os personagens são marcantes e a história é envolvente.
Enquanto na primeira parte do livro vemos as intrigas palacianas em que Phèdre, a protagonista, se envolve, na segunda parte conhecemos melhor o mundo que a autora criou, que tem a geografia da Europa e muitos elementos culturais dos povos que conhecemos. Terre D’Ange é a França cujos habitantes são descendentes diretos de anjos caídos, Alba é a Inglaterra e a república Caerdicci imita uma Itália republicana após a queda de Roma.
Todos os personagens, ambientações e cenas são muito bem descritos, e pude ver cenas exuberantes como a festa de solstício de inverno da corte e o cerco dos skaldi ao castelo de Troyes-Le-Mont como se estivesse de fato participando de tudo.
O que eu achei que não seria do meu agrado – as cenas de sexo e violência misturados – mantiveram o nível do resto do livro e receberam descrições excelentes: a autora parece saber quando parar, e tem um dom bastante intrigante de fazer as coisas mais inomináveis parecerem prazerosas – não à toa, a narrativa é feita toda em primeira pessoa pela protagonista.
Um livro surpreendente por ter me agradado tanto, Kushiel’s Dart está certamente na minha lista de favoritos, apesar de eu não ousar recomendá-lo a qualquer pessoa. Se gosta de cenas fortes, enredo envolvente e personagens interessantes, by all means, leia. Mas se tiver qualquer pudor ou preconceito em relação a cenas de sexo fora do tradicional, não recomendo.  

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *