Filme: Jane Eyre

EU NÃO LI ESSE LIVRO!

Pronto, confessei. Pra ser sincera, eu não li por falta de paciência mesmo – a história eu já sabia e não me parecia uma obra literária que fizesse muito meu estilo.
Pela pegada do filme, eu estava certa.

Jane Eyre é uma garota que é chutada pra fora da casa de uma parente distante, depois vive numa escola para garotas onde as surras de vara são diárias, e aí aceita a posição de governanta na mansão Thronfield Hall.

O dono de Thornfield Hall é o misterioso e bonitão Edward Rochester, preceptor da menina Adele Varens que é a aluninha de Jane. E aí eles se apaixonam mas é claro que todo o drama do planeta vai acontecer para evitar que eles fiquem juntos.

Infelizmente, logo dá pra perceber que o filme, além de sombrio, silencioso e dramático, é uma adaptação meio mal feita de alguma outra coisa. As situações acontecem de forma meio corrida, meio sem explicação. O artifício de mostrar a Jane perambulando chorosa pelas charnecas perde metade da graça na segunda vez que a vemos, e apesar da pegada gótica ser eficiente, a trama é super previsível.

Mas a previsibilidade da história é desculpável pelo fenômeno Matrix – o livro é o clichê original, as cópias todas que vimos é que nos fazem achar a história sem originalidade – mas o filme continua com um problemão:
Jane e Edward não têm química.

Eu fui assistir essa versão do filme justamente por causa de um dos meus ídalos que é o Michael Fassbender (deve ter outras versões que certamente são melhores), e a Mia Wasikowska sempre me chamou a atenção apesar de eu nunca ter visto um filme dela.

E eles funcionam muito bem nos respectivos papéis – Edward depressivo e sarcástico, Jane expressiva e silenciosa. Mas quando os dois ficam juntos, a coisa simplesmente não rola. Dá pra contar nos dedos as cenas de tensão sexual entre eles (duas), porque nas outras fica tudo muito forçado e sem explicação. Eles devem ter trocado no máximo vinte palavras antes de Edward professar amor eterno e Jane dizer que faria qualquer coisa por ele.

Eu até imagino que no livro as coisas sejam mais desenvolvidas e a paixão ‘proibida’ melhor explorada.
No fim das contas, o filme é uma coleção de bons atores (Judi Dench ownando como sempre), com figurino e cinegrafia primorosos e um roteiro correto. Mas sem a química entre os protagonistas, fica difícil comprar a idéia.
Vou ler o livro só de teimosa e ver outras adaptações (só no IMDB tem três séries de TV, outros três filmes, e mais três filmes feitos diretamente para a TV). Quem sabe, né.

Jane Eyre (idem) – 2011
de Cary Fukunaga
Com Michaell Fassbender, Mia Wasikowska, Judi Dench, Jamie Bell

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