Livro: Homeland

Imagine uma sociedade onde o lema é “não seja pego”. Onde você pode cometer o crime que quiser desde que ninguém tenha provas de que você o cometeu. Onde o poder é o desejo de todos. Onde os criminosos que são pegos são sumariamente executados.
Imagine famílias onde os irmãos e irmãs se assassinam entre si para ficar com a melhor posição hierárquica. Onde as crianças são ensinadas com o “auxílio” de chicotes de pontas envenenadas. Onde a vida gira em torno de planos para assassinatos, traições e guerras.
Agora voltando à vida real, e essa parte acho que infelizmente só os nerds vão entender. No final da década de 80, R.A. Salvatore escreveu The Icewind Dale Trilogy (em português, trilogia O Vale do Vento Gélido), que se passa no cenário de RPG Reinos Esquecidos.
Dentre os personagens principais dessa trilogia de aventura e fantasia se destacou Drizzt Do’Urden, um drow (elfo negro) que era impressionante não só pela sua destreza incrível na luta com suas duas cimitarras como também por ser um drow bom.
Em tempo, pra quem já se perdeu. No mundo dos Reinos Esquecidos, os elfos são bonzinhos, como no Senhor dos Anéis, e os drows são malvados. Totalmente malignos. Sem piedade. Completamente corruptos.
Mas no entanto o Drizzt é um cara legal.
“Como?!” Foi a pergunta da galera.
Pra responder essa pergunta, e também para explorar melhor a história de um dos personagens que mais agradou da trilogia de Icewind Dale, Salvatore volta às origens do personagem – ou seja, à sua cidade natal de Mezoberranzan nas cavernas do subterrâneo, esse lugar tão agradável que eu descrevi no início do post.
Quero deixar claro que eu li primeiro esse livro – que com mais duas continuações forma agora The Dark Elf  Trilogy – e só depois li os livros do Vale do Vento Gélido. Então essa foi minha primeira viagem ao mundo dos livros baseados em cenários de RPG, e foi o primeiro livro do Salvatore que eu li.
E é MUITO bom!
A família de Drizzt é a sexta maior da cidade, já que no dia em que ele nasceu os Do’Urden eliminaram completamente uma outra família de drow.
Drizzt, no entanto, é um drow fora do comum. A sociedade drow é matriarcal, e as mulheres são maiores, mais poderosas e mais inteligentes do que os homens. A mãe e as irmãs mais velhas de Drizzt estranham o fato de ele não olhar para o chão naturalmente quando fala com elas.
Zaknafein, o chefe das armas dos Do’Urden, consegue convencer a matrona Malice, mãe de Drizzt, a deixar que o garoto seja treinado como guerreiro, e não como mago.
Esse livro segue então os primeiros anos de vida de Drizzt, treinando com Zaknafein, treinando na Academia de Armas dos Drow, sendo educado por sua irmã mais velha e aos poucos descobrindo a perversidade da cidade onde nasceu.
E aos poucos descobrindo sua própria personalidade.
No ambiente sombrio de Mezoberranzan, onde não existe luz natural, me diverti imensamente com as tramas políticas da matrona Malice; fiquei na dúvida sobre torcer pelos Do’Urden ou pelos outros drow; adorei as lutas de espadas e contei nos dedos os momentos mais maneiros de Drizzt, que apesar de ser um personagem bem interessante, não deixa de ser malinha com sua moralidade perfeita.
Quanto a Guenwhivar (whatever her name is), é o side-kick mais DA HORA de qualquer livro de aventuras fantásticas: uma pantera negra dos planos elementais.

Leitura obrigatória pra quem gosta de fantasia.

Em tempo: depois de toooodos os livros sobre Drizzt que saíram, a editora resolveu colocar a série em “ordem”, e organizou tudo em uma série chamada “The Legend of Drizzt“, na qual os livros originais da Icewind Dale Trilogy são os números VI, V e VI. Homeland é hoje em dia, então, editado como The Legend of Drizzt – Book 1. Que não deixa de ser uma descaracterização, mas enfim.

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