Livro: Heart of Light

Quando eu vi que em novembro precisaria ler algo de um escritor de Portugal, corri atrás de algum escritor português que escrevesse o tipo de livro que eu gosto de ler. Foi difícil, mas no fim das contas consegui achar a Sarah A. Hoyt, pseudônimo de Sara de Almeida, escritora portuguesa que vive nos Estados Unidos escrevendo literatura fantasiosa.

Esse é o primeiro livro de uma trilogia, e foi meio desapontador por dois motivos: a resenha da contracapa e a resenha da própria autora me levaram a crer que esse seria um livro completamente diferente.

No site da autora, ela propagandeia a própria série como sendo uma série de fantasia steampunk ambientada no Império Britânico ao mesmo tempo em que seria um tipo de Indiana Jones misturado com dragões e tapetes mágicos no Império Britânico Colonial. Uau, certo.

Enquanto isso, a contracapa do livro fala de um jovem casal inglês, Nigel e Emily, que vai passar a lua de mel no Cairo. Mas Nigel na verdade faz parte do serviço secreto de Sua Majestade, e foi enviado para a África para recuperar um valioso rubi que pode mudar o curso da magia no mundo.

Pois bem. Depois de tudo isso, é claro que não pude me conter e comprei logo todos os três da série de uma vez, também porque o último podia inclusive servir pro desafio de dezembro – já que tem a palavra ‘coração’ no título.

Então vamos aos fatos. O cenário que ela criou é bem interessante, permeando a história da Inglaterra e da Europa em geral com eventos mágicos de forma bastante convincente. Apesar de toda a fantasia e magia e dragões e deuses, ela não se desviou dos dilemas morais e culturais da época, o que deixa a narrativa extremamente intrigante. A trama também é boa, apesar do número excessivo de personagens: no final o livro quer mostrar um final pra história de todo mundo e nem sempre isso dá certo.

Além disso os ‘personagens principais’ acabam sendo irritantes e perdendo o charme justamente pelas questões morais do século XIX: Emily é uma típica moça inglesa de boa família da época. Ela é tímida, fala baixo, se veste sempre com ‘propriedade’ e chora toda vez que Nigel a deixa sozinha e ela tem que decidir algo sem a opinião dele, já que ela foi ensinada que a vida dela será obedecer ao marido.
Nigel, por sua vez, é um inglês preconceituoso, inseguro e covarde, que mesmo temendo pela vida da esposa a leva para o meio de um bando de radicais contra o império e depois fica se sentindo culpado.

Felizmente Peter Farewell aparece logo e as coisas começam a ficar animadas. É por esse personagem, o melhor amigo de infância de Nigel, que o livro acaba valendo a pena. Sardônico, corajoso, inteligente, bonito e um aventureiro de marca maior – além, é claro, de ter sangue azul – ele virou meu personagem favorito desde o primeiro momento em que apareceu. O fato do segundo livro ter ele como personagem principal me animou consideravelmente e me fez me forçar a terminar esse.

Eu acho, no fim das contas, que o que me irritou foi a mudança excessiva de pontos de vista entre personagens. Nigel e Emily já são uma dupla de protagonistas, e saber o que um pensa do outro e não ver os dois se falando já é suficientemente aflitivo sem ter que ler os dilemas morais de Peter Farewell, Kitwana, Nassira e nem sei mais quantos personagens. Pelo jeito isso melhorou no segundo livro, então veremos.
Ponto pela originalidade do cenário, de qualquer forma.

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