Filme: Mockingjay – Part 1

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Jennifer Lawrence é a dona da parada toda nesse filme. Se tem aí nesse mundo alguém que acha ela meio ‘meh’, a prova definitiva de que ela é melhor do que vocês imaginam está aqui: com poucas cenas de ação e muitas cenas de chororô, era pra ser um desapontamento pra quem estava acostumado com a rapidez dos dois primeiros filmes. Mas isso não acontece por causa do total domínio da JLaw. O filme é, na prática, quase duas horas de Katniss em estresse pós-traumático tendo que lidar com o povo que insiste em colocá-la no meio da confusão, quando tudo o que ela queria era ficar em paz pra tentar reconstruir sua vida.

Mas é claro que, por ter sido o estopim da revolução no país totalitário de Panem, os líderes rebeldes querem que Katniss empreste sua imagem para a propaganda contra o governo. Enquanto isso, Peeta, o mocinho com quem ela tem uma ligação emocional extremamente forte, está do lado oposto da guerra e provavelmente sendo torturado para ser o garoto propaganda contra a revolução.

E é aí que entra a genialidade do pessoal que fez o filme. A história em si é bem parada, especialmente em comparação com os filmes anteriores. Katniss tenta se recuperar de ter sido obrigada a matar pessoas em frente às câmeras para sobreviver – duas vezes. Mandam ela pra dar uma olhada na destruição do lugar onde ela nasceu – quase dez mil mortos, e com os corpos a céu aberto! Depois mandam ela dar uma olhada nos feridos de um outro distrito, num hospital improvisado. E depois – nada. Ela só reage às coisas que acontecem em volta dela.

É um pouco desapontador pra quem esperava a mesma Katniss impulsiva e cheia de personalidade dos filmes anteriores – mas a ideia é mostrar como a guerra afeta as pessoas, e não criar uma super-heroína. Nesse sentido, Katniss é muito real e suas reações são extremamente tocantes. A falta de movimentação da história acaba parecendo uma prévia de uma explosão imensa que prometem que vai acontecer no próximo filme.

Com um time de atores adultos que é impecável e com o bonitão do Gale até que se esforçando pra passar uma boa interpretação, o forte desse filme é nas atuações. E, como elas não desapontam, o saldo do filme fica positivo. Então, se você pensar que é uma história em que pouco acontece, que não tem final e que tem um tom completamente distinto ao dos filmes anteriores, e MESMO ASSIM entretém fortemente, é preciso entregar o crédito aos responsáveis. E o time de atores é excelentemente comandado pela Jennifer Lawrence, que consegue passar uma imensidão de emoções com apenas um olhar.

Momento fangirl: ai que demais dela cantando!! <3

Adaptação

A Esperança é o livro que menos gostei da trilogia. Eu achei o intuito da autora louvável – guerra é ruim e pessoas normais tendem a ficar emocionalmente traumatizadas após eventos do tipo – mas ter boas intenções nem sempre gera boas histórias.

Eu entendi que a ideia era que Katniss ficou depressiva depois de ter ‘perdido’ Peeta e ter sido obrigada a matar pessoas, mas a personagem apática e choraminguenta (por mais realista que seja) simplesmente não me agradou: afinal, o que eu mais gostava da Katniss era sua capacidade de aguentar o tranco diante de situações tensas.

Então pra mim o pior problema do filme foi que ele foi fiel ao livro, veja bem. Eu achei genial a forma como eles conseguiram mesclar cenas de ‘exposição’ com cenas de ação: na cena do SPOILER resgate, em que Finnick conta várias coisas que seriam entediantes do expectador ouvir ao mesmo tempo em que uma cena de ação intensa acontece no outro plano, é incrível como eles conseguem ao mesmo tempo deixar um blablablá interessante e uma cena ainda mais tensa com as interrupções pelo discurso FIM DOS SPOILERS. O visual do filme retratou bem a descrição cinzenta do distrito 13. Mas quando você vai assistir um filme de ação, espera que a protagonista participe da ação, né. E isso não acontece, porque no livro ela fica deixada de lado – o que super faz sentido já que ela é só uma menina e os adultos que tomam as decisões. Mas, de novo, só porque faz sentido não significa que seja divertido.

A ambientação sem sentido continua lá SPOILERS por que o Distrito 13 não bombardeou a Capital antes? da onde um distrito secreto tirou todo o material pra fabricar tantas armas? como a Capital vai conseguir carvão depois de ter destruído o Distrito 12? naonde que o presidente achou que o Peeta ia mesmo conseguir matar a Katniss? por que o presidente mandou a Katniss para os segundos jogos se ele tinha tecnologia suficiente pra alterar a MENTE das pessoas e poderia bem ter colocado a Katniss na TV falando mal dos protestos? etc etc etc FIM DOS SPOILERS

Claro que houve mudanças na história para a adaptação para o cinema, mas eu achei que o roteiro, assim como em Em Chamas, foi muito benéfico para a trama: as cosias que Katniss só adivinha no livro ganham cenas sem ela, todas com atores fantásticos – SPOILER tipo quando Julianne Moore e Philip Seymor Hoffman aguentam firme o bombardeio da capital numa das melhores cenas do filme FIM DOS SPOILERS – e tirar a choramingação e devaneios da Katniss fez o filme muito mais agradável pra mim, que não vejo graça em mea-culpas adolescentes.

Então se você nem gostou muito dos livros, dê uma chance aos filmes! Garanto que a ausência da voz da narradora melhora as coisas.

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