Livro: Exile

Drizzt Do’Urden é um cara bom.

Mas bom mesmo. Bom sempre. Bom com todo mundo.
Mas aí você me pergunta qual o problema de ter um protagonista bom.
Calma que eu já chego lá.

Além de ser um cara bom, ele teve o azar de nascer numa sociedade inteiramente maligna, onde o ganho pessoal justifica qualquer atitude, a tortura é a maior forma de diversão e a humilhação do outro é algo mais do que comum. Pra se ter uma idéia, a palavra ‘consciência’ nem sequer existe na língua dele.

Até aí tudo bem, né, coitado. Então depois de lermos todo o processo pelo qual ele passou quando se descobriu diferentes dos seus conterrâneos em Homeland, agora vemos o que aconteceu depois que ele finalmente decidiu fugir da sua cidade natal e se aventurar pela enorme caverna nas profundezas do mundo.

Sim, porque Drizzt é um drow (elfo negro), e seu mundo são as cavernas do Underdark em Forgotten Realms.

E quero deixar claro que o livro é muito legal. A caracterização das aventuras fantásticas pelas quais Drizzt passa, junto com surpreendentes amigos, é muito boa, o autor realmente sabe descrever cenas empolgantes – e elas não faltam, indo de lutas em pontes de pedra sobre lagos de ácido até encontros não amistosos com telepatas devoradores de cérebros.

O problema, mais uma vez, é Drizzt. Enquanto no primeiro livro já fiquei incomodada com a moralidade perfeita do cara, agora realmente fiquei de saco cheio.
Exemplo.
No meio de suas viagens, ele encontra um hook horror, um monstrengo imenso nojento e feroz. Eles lutam e o monstro começa a falar. Como hook horrors não falam, ele estranha, e acaba descobrindo que o bicho é na verdade um pech, uma criatura amável e pacífica, transformada em hook horror por um mago maligno.

Porque um mago quis punir uma pessoa transformando-a num monstro imenso capaz de esmagar o mago com o mindinho é algo que aparentemente nunca vamos saber.

Bom, é claro que Drizzt fica amigo do tal hook horror, apelidando-o de Clacker e tudo o mais. Mas não se passa uma cena sem que Drizzt veja o problema de Clacker e se sinta culpado. Pelo quê, gente?? Porque Drizzt também tem um lado selvagem que faz com que ele mate monstros, pra se proteger? Porque ele um dia matou alguém da própria raça, que estava tentando matá-lo? Porque um dia o irmão dele cortou fora as mãos de um outro personagem?

Sacaram o tipo de personagem do Drizzt, né?

Mas enfim. O livro também mostra como Drizzt descobre que nem todas as raças são malignas como os drow, mostra como sem querer suas ações são responsáveis pela destruição da sua família por outros drow em sua cidade natal, e como sua mãe ainda acha tempo pra fazer uma última maldade contra ele: ela revive o corpo do pai de Drizzt, sacrificado por ela em homenagem à deusa maligna dos drow, e coloca o zumbi atrás do filho. Lembrando sempre que o pai de Drizzt, Zaknafei Do’Urden (melhor personagem ever) era o único drow que compartilhava da moralidade boa de Drizzt e o cara que ensinou pra ele tudo que ele sabe.

Entre as aventuras, os personagens ‘coadjuvantes’ – Belwar Dissengulp é muito maneiro – e Gwenwhiwar (whatever her name is), a pantera mágica de Drizzt, o livro se sustenta, e é uma boa continuação da história do elfo negro mais conhecido de Forgotten Realms.

Informações técnicas: Exile (1990) de R. A. Salvatore. Série Forgotten Realms: The Dark Elf Trilogy Livro 2

3 ideias sobre “Livro: Exile

  1. Olá!
    Adoro vir aqui e ler sobre livros de fantasia que não conheço. kkk
    Sempre fico na vontade, pois meu ingles não é tão bom.
    Enfim…acabei de ler um épico de fantasia incrivel e me lembrei de vc. kkk
    Já leu A Guerra dos Tronos, da série Crônicas de Gêlo e Fogo? Acabou de ser lançado pela editora Leya. Menina…leia porque o livro é maravilhoso.
    Bjs

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