Livro: Em Chamas

*contém spoilers!*

Depois que Katniss e Peeta ganham a 74ª edição dos Jogos Vorazes, ela acreditava que poderia viver em paz pelo resto dos seus dias.
Seu mentor, Hamish, no entanto, logo a alerta de que suas ações ao final dos Jogos fizeram com que ela parecesse uma rebelde; foi como um grito de desafio ao poder de Capitol.

Alguns dias antes dos Tours, quando o vencedor – que pela primeira vez são dois – passa por todos os distritos, que deveriam fazer uma enorme festa em sua homenagem, Katniss recebe a visita de ninguém menos do que o Presidente Snow, que demonstra não ter sido nem um pouco enganado pelas atitudes dela nos Jogos e acredita que, mesmo sem querer, ela tenha começado uma rebelião nos distritos.

Ele ameaça a família dela se ela não convencer o resto do país que o ato final dos Jogos não foi um desafio e sim um ato de amor incontido por Peeta.

Isso funciona apenas para fazer com que Gale fique mais irritado e distante, mas Katniss descobre que o presidente Snow não ficou comovido com os Tours. Na verdade, há distritos em rebelião aberta.

E é aí que a palhaçada começa.
Porque aparentemente Snow não pode fazer nada escondido com Katniss, ou ele quer mesmo é humilhá-la em rede nacional ou sei lá mais o que se passa pela cabeça do velho gagá.
Porque ele acha que a melhor forma de acabar com a rebelião nos distritos, e a de acabar com Katniss de uma vez por todas, é forçar o sorteio dos tributos dos próximos Jogos Vorazes apenas entre os antigos vencedores de cada distrito, “para mostrar que nem mesmo o mais forte e melhor dentre vocês é páreo para o poder do Capitol”.

Ok, eu preciso dizer que eu acho o Presidente Snow um babaca. E toda a explicação sobre a situação de Panem muito da mal feita: vamos pensar por um momento que Capitol tem uma cacetada de soldados e recursos militares.
Eles precisam comer. Precisam de energia para sustentar suas casas. Precisam de roupas. Precisam de mil artigos para sobreviver.
Só que Capitol é um mar de concreto que fica no meio de um vale rodeado de montanhas.
A única forma de se chegar lá – e de enviar qualquer produto, por sinal – é através de um túnel quilométrico.

E eles tratam os habitantes de todos os distritos marginais – aqueles responsáveis pela produção de madeira, comida, carvão e todo o resto – como escravos traidores que merecem ser punidos pelo resto da eternidade.

Além disso, só me resta concluir que é para tripudiar mesmo, o Capitol sequestra 24 crianças do distrito anualmente para serem jogadas em uma arena e lutarem até a morte – e esse espetáculo é televisionado e assitir é obrigatório por todo país.

Até que a pequena revolução que Katniss provoca com um ato impensado demorou bastante para ocorrer, vamos combinar.

Enquanto no primeiro livro ficamos impressionados com a carnificina que são os jogos, na juventude dos protagonistas e principalmente na habilidade de sobrevivência de Katniss, nesse segundo livro isso fica em segundo plano: ela passa a primeira parte da história aterrorizada pela possibilidade de que seus entes queridos possam morrer e a segunda parte – oh, que novidade – novamente na arena, para lutar com vitoriosos de diversas épocas.

Acho que o que me incomodou realmente no livro foi essa repetição, nessa quebra tão óbvia das regras que regem o mundo apenas para uma vingança pessoal do presidente (que deveria muito obviamente ter pensado que matar Kaniss em rede nacional ia apenas transformá-la num mártir, especialmente no nível que as coisas andavam).

Toda a emoção que sentimos no início do primeiro livro, quando vemos Katniss ser preparada para as entrevistas e para os testes que precem os jogos, é simplesmente inexistente quando já sabemos o que vai acontecer dentro da arena e fora dela. A diferença é que agora os oponentes são adultos fortes ou consumidos por uma vida de excessos que os vencedores levam. E isso não melhora em nada a situação.

Enquanto na primeira edição dos jogos Katniss era uma dentre muitas crianças, dessa vez ela é a mais nova do grupo. A arena é mais mortal do que a anterior, e ela faz uma decisão estúpida antes de entrar nela que deixa as coisas menos interessantes.

A ação é cansativa, os personagens principais mais ainda e os coadjuvantes também não ajudam. Katniss parece não ter idéia do que está acontecendo à sua volta e a narrativa em primeira pessoa deixa as coisas muito mais confusas.

Uma pena. O primeiro livro é muito bom, e prometia continuações que pudessem tapar os buracos que a ambientação criada pela autora possui. Mas no caso dessa o que ficou foi a sensação de um roteiro fraco, repetitivo e que tirou a luz da complexidade dos personagens.

Quem sabe no cinema melhora.

UPDATE: e não é que melhorou? Minha opinião sobre o filme AQUI. E falei dos outros livros em JOGOS VORAZES e A ESPERANÇA, e comparei o filme e o livro em ADAPTAÇÃO: JOGOS VORAZES e falei mais um monte de revoltas AQUI.

Informações técnicas: Catching Fire (2009) de Suzanne Collins. Série Hunger Games Livro 2

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