Livro: Duna

Duna é um livro excelente não só por ser um clássico da ficção científica, mas também por ter uma história boa e uma das melhores e mais completas ambientações jamais feitas.

No futuro distante, a humanidade voltou ao medievalismo religioso. O Imperador controla a galáxia através de seus soltados extra-malignos Sardaukar, a Guilda controla as viagens interplanetárias e Duques governam os planetas. E tudo isso gira em volta de Arrakis, o planeta deserto, também chamado de Duna, pois lá é o único planeta onde existe a especiaria, que movimenta toda a economia, comércio e transporte no universo. Nos desertos eternos do planeta, cheios de imensos vermes da areia que são maiores que uma nave espacial, os governantes de Arrakis furam a areia em busca do famoso pó, que depois é vendido com lucros estratosféricos.

Arrakis é onde vai morar o protagonista, Paul Atreides, quando seu pai, o duque Leto, é enviado pelo imperador para governar o planeta. Apesar da certeza de que se trata de uma armadilha de seus inimigos mortais, os Harkonnen, o duque Leto é obrigado a aceitar as ordens do soberano. Junto com seu filho único Paul, o duque leva a mãe do garoto, sua concubina Lady Jéssica, que foi treinada por uma organização que almeja a perfeição genética dos líderes e o faz cruzando linhagens e utilizando profecias.

Quando o duque Leto é assassinado pelos Harkonnen, conforme todos esperavam, Paul e a mãe conseguem fugir para o deserto e se unem aos freemen, os nativos de Arrakis. É entre os freemen que Paul encontra seu destino de líder, profeta e semi-divindade que o aguarda, em meio aos desertos infindáveis e os misteriosos e terríveis vermes da areia.

O livro é denso, longo e bastante complexo – Paul tem visões premonitórias desde muito cedo, e o leitor pode se confundir com tanto vai e volta, já que o passado e o presente se confundem na mente do protagonista. Além disso, são diversos personagens, em planetas diferentes, com nomes, religiões, profecias e idiomas diferentes. O autor lida com isso muito bem, no entanto, e apesar das mais de 500 páginas, é um livro que li rápido porque a história é incrível.

O protagonista Paul é meio cansativo pela característica de super-herói salvador do universo, mas as reflexões dele são válidas: na ânsia de evitar uma guerra interplanetária, ele por um lado morre de medo de perder aqueles que ama e por outro lado precisa ter pulso firme para conseguir salvar sua família e seu planeta. Em um certo ponto da narrativa, ele percebe que está se tornando uma lenda viva e não pode fazer nada para evitar, e decide que o melhor é se aproveitar das histórias que contam a seu respeito.

Se Paul é meio chatinho, os outros personagens não sofrem do mesmo mal: os políticos do imperador, a mãe  Lady Jessica, a irmã doidinha do Paul, os freemen, são todos personagens memoráveis e interessantes.

Mas o que ganha todos os prêmios é a ambientação: Arrakis é um planeta incrível. O autor conseguiu dar vida a todo um eco-sistema que faz sentido (pelo menos para o leitor leigo tipo eu) e suas descrições minuciosas me colocaram lá no meio do deserto com os trajestiladores, a falta de água e a cultura complexa e sensata dos freemen.

Pra quem gosta de ficção científica, o livro é um prato cheio – e são vários! Depois desse teve Messias de Duna e Filhos de Duna (e daí God Emperor of Dune, Heretics of Dune, Chapterhouse: Dune e aí o filho do autor deu uma de Christopher Tolkien e continuou a série com o Kevin J. Anderson e virou várzea).

A edição que eu li dessa vez (a outra eu li em inglês faz algum tempo) é da Aleph – maravilhosa, com arte de capa lindona, tradução impecável e duas sequências no box só esperando eu ler.

Eu não sei os outros, porque ainda estão na minha lista, mas esse é um dos melhores livros que eu já li na vida simplesmente pela ambientação impecável que eu não canso de elogiar. Recomendo!

Dune (1965) de Frank Herbert. Série Duna Livro 1.

 

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