Livro: Divergente

divergenteAí os editores descobriram que depois dos vampiros o novo foco para livros de jovens era distopia: Futuro não-muito distante em que a sociedade é uma droga porque líderes totalitários, falta de liberdade individual, tecnologia à favor dos opressores e tals. Tipo 1984 só que fácil.

Jogos Vorazes meio que inventou o gênero, e aí Divergente supreendeu por ser um dos poucos que chegou a vender uns milhões de unidades.

Eu tive que me esforçar pra ler porque a premissa é ainda menos plausível que a do seu percursor: num futuro muito distante em que a sociedade zzzz guerra nova ordem mundial Chicago dividida em distritos facções zzz cada pessoa passa por um teste aos dezesseis anos pra saber de qual facção vai ser pelo resto da vida.

Essa resenha pode conter spoilers.

Beatrice nasceu na Abnegação, a facção onde todo mundo é generoso e pensa primeiro no outro. Ela não é lá muito abnegada, mas aí chega o dia do seu teste e ela se empolga pensando que talvez sua vida mude.

Mas no teste tudo dá errado e ela é informada – por uma testadora assustada – que o teste dela deu INCONCLUSIVO e ela não faz parte de nenhuma facção: ela tem elementos de TRÊS delas em sua personalidade. Isso faz com que Beatrice seja uma DIVERGENTE (ooooh, mas nem ela nem o leitor sabem muito bem qual o problema disso) e isso é muito sério e Beatrice não pode contar pra ninguém senão o mundo acaba.

Aí eu parei de ler, porque né. O teste é bem idiota. Talvez se a autora tivesse deixado o teste em segredo e nem a Beatrice soubesse direito o que aconteceu, beleza, dava pra colar. Mas do jeito que ficou, é tão inverossímil que a reação da testadora é mais cômica do que assustadora.

Enfim. Aí no dia da ESCOLHA, Beatrice fica em dúvida entre ficar com Abnegação, junto com o resto da sua família, ou ir pro grupo Audácia (onde eles são audaciosos, saca.) No fim ela resolve ser audaciosa e deixar a família pra trás, e seu irmão gemo vai para o grupo dos Eruditos e termina de largar os pais deles abandonados depois de todos os anos que eles gastaram com a criação deles.

Chegando na Audácia, ela resolve mudar o nome dela pra Tris porque Beatrice é muito abnegado e boboca, e ela descobre que as coisas não são tão fáceis: ela vai ter que provar que é audaciosa ou então vai ser expulsa das facções. Se ela for expulsa, vai ficar largada nas ruínas da cidade sem ter onde dormir e nem o que comer, e provavelmente vai viver de esmolas que os abnegados reúnem a muito custo. Então ela meio que tem que passar nos testes.

No teste físico ela é muito ruim, já que é pequena e molenga – isso eu gostei, legal ver uma protagonista que não é mega atlética e ninja – mas é nos testes mentais que fica o problema: todo recruta passa por um teste mental que consiste em tomar um soro maligno que deixa a pessoa num estado meio comatoso enquanto sua mente cria situações aterrorizantes. Os avaliadores assistem a tudo isso como se fosse um filme, e observam a forma como a pessoa vai reagindo aos próprios medos.

O problema é que Tris parece ‘dominar a matrix’ – exatamente igual o Neo porque essa geração nova nunca viu o filme pfv – e isso é provavelmente devido à sua condição de Divergente e isso é ruim e é segredo mesmo que ninguém saiba direito explicar o porquê.

Então: Tris tem que escapar dos bullies tipo Ender’s Game. Tris tem que fingir que não sabe dominar o sistema do medo mas ao mesmo tempo não pode fingir bem demais ou então não consegue ser classificada para fazer parte da facção. Tris começa a gostar do seu instrutor bonitão, Quatro (é apelido, jovens), mas tem que fingir que não porque se não vão achar que ela está recebendo atenção especial. E aí ela descobre que tem um plano maligno de pessoas obscuras das facções Audácia e Erudição para destruir sua facção-natal, Abnegação!

Será que ela vai conseguir: fingir que não é Divergente, fingir que não gosta do Quatro, passar nos testes de admissão e impedir o plano maligno?!

Tan tan taaaaaaaan (esquilo dramático)

Gente, não me levem a mal. O livro não é tão ruim assim. Estou me sentindo sarcástica porque, tirando algumas partes surpreendentes pouquinha coisa, a história me pareceu bastante previsível.

O problema principal da ambientação é que, ao contrário do universo de Feios, onde existe uma explicação para o pessoal ser meio sem noção, não existe motivo pras pessoas serem tão… sem personalidade. Eu entendi que a ideia era colocar a Tris como uma personagem com a qual a juventude pudesse se identificar – e quem, com dezesseis anos, não se vê como ‘divergente’, diferente de todo mundo e ao mesmo tempo único e blá. Pode até ser que a explicação venha mais tarde, mas por enquanto a coisa toda fica meio boba.

Tris tem uma voz meio rebeldinha mas também bastante comum e Quatro era pra ser o cara super misterioso e tals também me pareceu meio meh…

Deu bem pra passar o tempo, é uma leitura rápida e depois que passa o ‘wtf?’ inicial da ambientação que não faz muito sentido, dá vontade de ler até o final pra descobrir o que vai acontecer (mesmo que não seja nada de muito surpresa).

É um bom livro, mas não achei memorável. Ele tentou pegar carona no momento distopia adolescente criado por Jogos Vorazes e nesse sentido até que deu certo: o romancezinho funciona, é um ALÍVIO não ter triângulo amoroso, os pais EXISTEM e fazem coisas e isso também é legal, e a ambientação tem seus méritos. Até os protagonistas têm personalidade.

Recomendo pra quem tá na pegada de uma leitura rápida, leve e divertida.

Informações técnicas: Divergent (2011) de Veronica Roth. Série Divergente Livro 1

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