Divagação: Livros Nacionais

São vários os desafios, brincadeiras, perguntas e campanhas que acontecem nos blogs pela aí para incentivar a leitura de livros de autores brasileiros.

E outro dia eu me dei conta de que a ausência comparada de livros brasileiros na minha estante tem um motivo muito claro: são poucos os livros nacionais do gênero que eu gosto.

Claro, todo brasileiro passou pelo trauma de ser obrigado a ler clássicos da literatura nacional na escola, e parabenizo os poucos que saíram dela curtindo a leitura. Ninguém merece ler Machado de Assis no colegial, né gente. Um autor tão genial e com uma narrativa cheia de nuances não deveria ser usado para ensinar a criançada a gostar de ler. Pra gostar de ler tem que começar por Harry Potter e essas bossas.

Eu tive a sorte de ter moms, que me apresentou Agatha Christie e outros de meus favoritos, mas a galera em geral fica perdida na hora de começar a ler se for se basear pela escola. E daí que, fora Monteiro Lobato, para o leitor iniciante são poucos os autores que recebem o devido apoio no Brasil.
Ana Maria Machado é uma das minhas ídalas – O Outro Lado da História é um dos melhres livros infantis que já li na vida – e dá pra contar nos dedos as escolas que escolhem livros dela para dar pros alunos.

Isso tudo pra dizer que, quando eu acho um livro que me interessa, não vou pela nacionalidade do autor. Vou pelo gênero, pela capa, pela resenha… e pelo preço.

Vocês já viram o preço dos livros hoje em dia, né?
Aí você vai na livraria e não sai gastanto menos do que quarenta reais. Não é pra qualquer um. E os livros brasileiros tem  uma desvantagem: só agora estão aparecendo em formato de bolso, e mesmo assim são poucos os que chegam. Ou seja. Os livros estrangeiros – especialmente os americanos – que aparecem com papel jornal, capa de má qualidade e preço lá embaixo acabam chamando mais minha atenção, e eu acabo comprando mais deles.

Até porque, devido ao meu supracitado exagero ao comprar livros, tenho que usar das técnicas mais modernas de conteção e controle de gastos.

Mas sabe o que eu queria mesmo? Queria que as editoras parassem de inventar livros lindos, cheios de firulas e babados, com projeto gráfico incrível, capa majestosa, letra diferenciada e repleto de fofuras. Porque isso deixa o livro MUITO MAIS CARO. E, sinceramente, apesar de julgar livros pelas capas, não acho que o que faz com que a pessoa compre seja o projeto gráfico apenas.
É o PREÇO.

E vamos combinar que para um autor brasileiro de literatura fantasiosa ou de ficção científica ou policial conseguir um lugar ao sol no mercado editorial ele precisa dar muito mais lucro do que um americano simplesmente porque nos Estados Unidos o preço de produção dos livros é muito mais barato.
Aí as editoras ficam lançando vários livros lindos com erros de diagramação e revisão – pra não mencionar a tradução, se for o caso – que custam os olhos da cara.

Pra se ter uma idéia, o último livro de autor brasileiro que comprei foi Os Sete Selos, da mineira Luiza Salazar. O preço desse livro na livraria Cultura é de R$ 39,90. O último livro de autor estrangeiro que comprei foi The Last King of Texas, de Rick Riordan (também autor da série Percy Jackson). Paguei R$ 19,60 na mesma livraria.

A diferença entre os dois é que enquanto o livro de Rick Riordan é pequeno, leve, fácil de levar na bolsa, tem a capa frágil que sei que vai ficar toda dobrada logo logo, é feito de papel jornal super fino, o livro da Luiza é pesadão, com papel de ótima qualidade, capa com orelhas grossas e toda decorada e brilhosa. E custa o dobro do preço.

Reitero então que não tenho preconceito contra livros brasileiros. Só acho difícil achar os que eu goste e, quando acho, acabo preferindo comprar dois livros estrangeiros do que um só brasileiro. Não é à toa que eu leio muito mais livros em inglês.

Uma ideia sobre “Divagação: Livros Nacionais

  1. Boa!! Muito boa!

    Livros brasileiros baratos são só os clássicos produzidos em larga escala quando entram em promoção no submarino.

    É foda que o Brasil tem mentes extremamente criativas, mas que não são incentivadas. Acredito que o fato de eu ler mais autores internacionais é simplesmente porque EXISTEM mais livros internacionais. É meio matematicamente lógico.

    Sei também que tinha um projeto de lei para fazer e-readers pagarem o imposto de importação como livros, ao invés de pagarem como gadgets.

    Beijos, Rê!

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