Divagação: Hábitos de Leitura

uma porcentagem dos meus livros:
os de baixo, li todos; os de cima, não li nenhum… 
Estava eu lá dando uma olhada nos blogs que eu sigo e me deparei com essa proposta mega da hora no blog Lost in Chick Lit , que é a de uma postagem coletiva (das quais nunca havia participado antes) do Vou de Coletivo! . A idéia, obviamente, é falar dos meus hábitos de leitura…
Minha mãe é leitora compulstiva e acho que herdei isso dela. Ou o fato de que aprendi a ler umas três vezes, entre uma mudança de escola e outra, contribuiu para o meu atual estado de dívidas livrísticas.
Só sei que minha mãe sempre lia pra mim à noite, antes de eu dormir, mesmo que só um pouco por noite. Aí eu ficava curiosa quanto ao resto da história e me aventurava sozinha por aquelas letras pequenas.
Daí pra frente foi a festa, com a minha mãe me entregando O Mago de Terramar aos dez anos e Capitão Blood aos doze, a Isabel me obrigando a ler O Senhor dos Anéis na sétima série e o meu pai me emprestando os livros de ficção científica dele contribuindo para a minha atual gama de gêneros favoritos.
Livro pra mim é pra ser levado a qualquer lugar. Livro ‘grande’ é livro ruim, porque não dá pra levar na bolsa. Já mencionei por aqui que gosto de ler no ônibus, na aula, no banheiro, na cozinha… Não tenho nenhum problema em deixar meus livros abertões em cima da mesa enquanto procuro um marcador. Meus livros ficam meio detonados, mas pra mim isso só demonstra como são queridos!
Eu tinha amigos que sempre checavam o número de páginas do livro antes de ler, pra ver se era muito comprido. Eu faço isso às vezes, porque ADORO um livro comprido! Dá a impressão de que vou ter muito tempo lendo aquilo, curtindo a história…
Como o meu hábito de levar os livros na bolsa é meio incongruente com minha paixão por livros grandes, acabo sempre, quando posso, comprando pocket books, que, além de serem mais leves, acabam sempre sendo MUITO mais baratos…

Com esse hábito de ler em qualquer lugar, só agora, depois que li os livros do Drizzt emprestados do namorado sob a condição de que eu não os abrisse mais do que uns vinte centímetros, pra não foder a lombada (isso pra mim já é muito exagero), comecei com o hábito de enfiar os livros numa folha plástica antes de levá-los na bolsa: isso detém, mesmo que por apenas alguns dias, a desintegração sistemática por que eles passam nas minhas andanças pela cidade.
O meu problema, enfim, é que gasto muito com livros. Tipo, muito mesmo. Sou compradora compulsiva, daquelas que fazem uma compra monstra a cada fim de semana. Já tive brigas homéricas com o namorado porque leio demais e não dou atenção a ele (ele só me aturou durante o sétimo Harry, em que se divertia cronometrando quanto eu demoro pra ler uma página – um minuto…), minha mãe proibiu livros durante as refeições, já que não paro de ler nem pra comer.
Minha estante atual tem pelo menos uns 400 livros, dos quais 100 ainda não li. E ontem mesmo passei no shopping e voltei – sem saber como… – com uns três livros na sacola de compras.
Meu caso é sério. Nunca cheguei a gastar mais do que ganho, mas minhas roupas estão numa situação deplorável, deixo de almoçar algumas vezes e estou negociando minha mensalidade na faculdade porque prefiro gastar com livros do que com meras superfluosidades como uma calça jeans nova porque essa está rasgada ou um almoço. Afinal, pular almoço emagrece, certo?
Possessiva como sou, prefiro não emprestar livros. O Sobrinho do Mago foi pra Julia no segundo colegial e até agora não voltou; O Guia do Mochileiro das Galáxias está há menos tempo com o Lutero, ele mora aqui do lado de casa e desconversa toda vez que peço o livro de volta. Estou com um certo medo, já que da última vez que emprestei um livro pra ele (meu preciosíssimo Capitão Blood, encontrado em um sebo e sem edição em português) ele devolveu o livro com a capa arrancada e depois colada tortamente com um durex vagabundo: foi a sobrinha que rasgou a capa, e o irmão mais novo que tentou resolver colando tudo torto.
Depois disso, hemos de convir que tenho uma certa aversão a emprestar meus livros.
Isso porque, quando compro um livro, não é pra ler. Pra isso existe biblioteca. Em algum ponto da minha vida, não sei como, passei a adquirir o péssimo hábito de comprar livro que nunca tinha lido. Sim, porque antes, eu lia o livro, emprestado ou bibliotecado, e se, e somente se, eu gostasse, juntava um dinheirinho e comprava pra por na minha prateleira. Porque assim como com filmes, livro que eu gosto eu releio. Várias vezes.
Só que, como mencionei, passei a comprar livros que eu não tinha lido antes. E aí, danou-se.
O interessante é que o que eu mais gosto dos livros é recomendá-los a outras pessoas. Com minha aversão a emprestimos, acabo usando dos métodos mais bizarros: eu leio trechos em voz alta pras crianças com quem trabalho, uso trechos dos meus livros favoritos nas aulas que dou e sempre que posso me metamorfoseio em contadora de histórias.
Na verdade, o blog inteiro acabou surgindo dessa vontade não tão estranha de compartilhar com os outros o prazer que tenho com a leitura.
E avisá-los dos perigos do vício…

14 ideias sobre “Divagação: Hábitos de Leitura

  1. Coisas em comum com vc:

    Leio desde que me entendo por gente, e por culpa da minha mãe;
    Era a única que olhava ansiosa o n. de páginas querendo que fosse o mais longo possível! Hahahaha
    Não empresto meus livros de jeito nenhum. Quero morrer quando maltratam meus livrinhos! Por isso é mais fácil eu presentar alguém que emprestar.
    Adoro compartilhar meu entusiasmo pelas leituras tb. Acho que tb foi por isso que comecei os meus blogs…

    Beijos!

  2. OLá!
    Adorei seu post.
    Eu também gasto muito com livros e as vezes os compro por impulso. Vivo me decepsionando.
    Fazer o que?
    Ah! vc está sabendo do Desafio Literário 2010 do blog Romance gracinha?
    Passa lá e dê uma olhada! Adoraria ver sua lista. Seu gosto literario é bem diferente, cheio de aventuras e fantasias, coisas que eu também adoro.
    Bjs.

  3. Adorei seu texto!! Ficou perfeito,me identifiquei bastante em algumas partes e em outras pensei OMG se fosse meu livro hauhuaha
    Acho que essa coisa de emprestar livro é realmente complicada, a maioria das pessoas apaixonadas por livros não fazem. Eu teria chorado como criança se um livro voltasse sem a capa. E finalmente encontrei alguem com mais livro comprados ( pq eu tb arranjo um jeito de comprar pelo menos um toda semana, nem que seja com os benditos bonus da saraiva) do que eu para ler.. Ja estava achando que 30 é meio absurdo. Tb carrego os livros dentro de saquinhos plásticos, e seriamente estou pensando em criar algo para levar os livros dentro da bolsa, de tecido.
    Ps: se a tua edição do Mochileiro for a original ( não essas novas ) tu deve pensar seriamente em assasina-lo se algo acontecer com ele. hauha Meu pai durante anos teve toda a coleção exceto o primeiro (tinha apenas um xerox que tirou em uma biblioteca), e ficou feliz como criança quando encontrei um exemplar da primeira edição num sebo. Agora ele tá mais do que feliz com duas coleções uma nova e outra antiga. Pena gigante o Douglas Addans ter morrido tão cedo..

  4. Interessante a forma como desenvolveu suas manias, muito agradavel de ler e pessoal, a gente sente sua presença no texto.
    Vou falar de uma mania que me ajuda a conservar os livros, eu os encapo com papel de propaganda de jornal, que tem um papel mais duro e que não solta tinta, encapo sem durex, só com as dobras e depois de ler as retiro e tem dado certo.
    Beijos

  5. Adorei saber dos hábitos de outra compulsiva por livros!!!
    Eu carrego os mais fininhos na bolsa e deixo os pesadões para ler em casa! também prefiro os livros longos:)
    Muuuito legal seu post!
    Bj

  6. Seu blog é muito bacana, vc le de tudo!
    Adorei, estou te seguindo, e uma das inumeras coisas que temos em comum e ler sobre vampires.
    Cara minha irma me botou nessa, e nao saio mais!
    Beijos

  7. Olá Mulher Atômica,
    Parabéns pelo seu texto, como consequência do vício pela leitura é que você escreve muito bem.
    Como eu tenho que ter o meu cantinho para ler admiro a flexibilidade nesse sentido, pois a qualquer momento e em qualquer lugar vc consegue se concentrar nas linhas de um book, invejável!!
    Um abraço

  8. Também sou um leitor compulsivo. Cheguei a essa alegre conclusão quando em 2003 matava o trabalho para me entocar numa biblioteca. Em dado momento, cheguei a ler um livro a cada três dias…

    É isso ai.

  9. Olá, amei a mensagem do seu perfil. Qual a graça de viver condicionada?

    Então, identifiquei-me com vários hábitos de leitura seus. Eu sou muito apegada a livros. È difícil para mim doá-los e emprestá-los. Eu também tenho queda por livros grossos e que me deixem sossegada para ler lentamente. Se bem que a leitura lenta virou mania minha nos últimos tempos.

    Bem, antes que eu me esqueça, obrigada por ingressar no Desafio Literário 2010.

    Beijocas

  10. Gente, obrigada pelos comentários! Que bom saber que tantos assim temos hábitos de leitura, não é mesmo??
    Juliana, um autor de que eu gosto muito, o Eoin Colfer (que escreveu Artemis Fowl) acabou de publicar a continuação oficial do Guia do Mochileiro… eu não li ainda, mas o autor é super fã do Douglas Adams!
    Angela, seria bem legal alguém começar uma empresa só de ‘encapamentos’ de pano ou sei lá do que para os livros que gente leva nas bolsas, né? =D Olha que idéia boa!

    De novo obrigada pelas mensagens!
    Abraços e beijos,

  11. Eu tenho um problema: como você, gosto de ler em qualquer lugar, e, ao contrário de você, ligo MUITO se meus livros acabarem ficando surrados! 🙁 Gosto que permaneçam o mais “novos” possível. Como ando com mochila para cima e para baixo, adotei o expediente de colocar o livro dentro de DOIS sacos plásticos grossos, daquele tipo em que colocam os CDs em lojas de música (tenho uns 20 sacos da Multisom guardados justamente pra isso) e levar a coisa toda na mochila. Tem funcionado! E também não gosto de emprestar meus livros – SEMPRE voltam com alguma avaria.

  12. Tenho (tenho?) algo em torno de sete livros emprestados e que suspeito que nunca mais terei de volta.

    A Ordem da Fenix foi um caso espantoso… Devolveram o livro com o título da capa desaparecido.

    Então, por essas e outras, também não empresto meus livros, exceto para as pessoas de mais confiança nesse quesito.

    Afinal, uma mão lava a outra… Eu também pego livros emprestados. Livros, HQs, Mangás… rs

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