Divagação: A Influência dos Livros nos Relacionamentos

Um dos meus namoros começou por causa de O Senhor dos Anéis. Foi assim:
Uma amiga em comum viu nossos perfis no Orkut (ishe, faz tempo) e chegou à conclusão de que seríamos perfeitos juntos porque tínhamos zilhões de comunidades sobre O Senhor dos Anéis. Anos depois com muitas discussões sobre a diferença entre quenya e sindarin ou o exato papel do herói na obra de Tolkien, posso falar que ela não estava errada: a importância dos gostos em comum é praticamente essencial.
Explico-me.

Outro dia estava fuçando blogs alheios e vi uma menina reclamando que tinha visto um cara muito gatinho no ônibus mas que tinha desencanado quando viu que ele estava lendo um exemplar “proveniente de alguma pilha de mais vendidos da livraria Saraiva”.
Só que o tal livro era o Trono de Fogo, do Rick Riordan.

Acho que a garota que escreveu o post não deve saber absolutamente nada do autor ou dos livros dele – afinal, ninguém é obrigado – e pelo que entendi ela é meio hipster ou hipster-lover, então realmente alguém que lê literatura de entretenimento do nível de Rick Riordan não deve ser o tipo dela.

Mas isso pra dizer que, pra nós, leitoras, o livro que o fofo lê faz toda a diferença na hora de cogitarmos o moço pra ser o futuro pressionado para um casamento.
Afinal, o livro que você lê define sim sua personalidade e as leitoras têm sim preconceito – como já provado pelo exemplo acima – em relação ao que você anda lendo.

Homens também têm essa tendência, não se enganem, e podem até fugir da casa da menina que tem romances de banca nas prateleiras.
Claro que estou falando primordialmente das pessoas que lêem e que gostam de outras pessoas que lêem, como é o meu caso.

Mas daí eu descubro que o cara gosta de ler – primeiro passo para um relacionamento longo comigo. Só que isso não é o suficiente. Eu tenho que saber o quê ele gosta de ler.
No meu caso, O Senhor dos Anéis, O Silmarillion, Isaac Asimov e alguns livros de Weiz e Hickman já foram o suficientes para me deixarem fisgada pelo cara que falei, mas cada um tem a sua preferência.
E seus preconceitos.

Eu acho complicado lidar com pessoas que:
1 – Lêem primordialmente romances espíritas;
2 – Lêem primordialmente romances de banca;
3 – Lêem primordialmente Paulo Coelho;
4 – Lêem primordialmente auto-ajuda e/ou
5 – Lêem primordialmente apenas os mais vendidos na livraria Saraiva (ou, o horror, os da Nobel).

Claro, se a amizade não é baseada nos gostos pela leitura as preferências do indivíduo não têm muita importância.

Mas, por outro lado, é muito provável que eu procure ter relacionamentos com pessoas que já leram e gostaram de:
O Senhor dos Anéis (super próvável);
O Silmarillion (certeza);
Harry Potter (depende do grau de fã da pessoa);
Ursula K. Le Guin, C.S. Lewis, Philip Pullman, Montalbano, Cadfael, Sabatini, Stevenson, Ingalls, Barrie, Zahn, Funke, Doyle, Weiz/Hickamn (só de já ter ouvido falar ganha bônus);
Krabat (certeza que gostarei da pessoa mas improvável que mais alguém tenha lido).

E vocês?
Tem algum livro que faz com que você se interesse ainda mais (ou menos) pela pessoa quando descobre que ela leu/tem na prateleira/é super fã?

11 ideias sobre “Divagação: A Influência dos Livros nos Relacionamentos

  1. Eu já disse mais de uma vez que no dia em que eu encontrasse um leitor (solteiro, porque todos os que conheço são comprometidos… cheguei tarde demais) de Jane Austen, eu o pediria em casamento no ato.

    Embora seja bem verdade que alguém que gosta dos mesmos autores que eu ganharia de imediato pontos e brownies… acredito que se a criatura gostar de ler e aceitar minhas sugestões, podemos negociar. Não faço questão que ele goste exatamente das mesmas coisas que eu (embora ler Pratchett e dizer que não gostou é considerado sacrilégio da mais alta ordem…), mas, nem que seja para discordar, quero alguém com quem possa conversar… e, sem dúvida alguma, livros são um dos meus principais assuntos de conversa.

    Eu assisti o filme inspirado em Krabat, mas não sabia que tinha livro… deixa eu ir descobrir se existe edição dele disponível…

  2. Oi, Lulu! Obrigada pelo comentário!

    Olha, acho mais difícil achar homem que goste muito de Jane Austen, apesar de que conheço alguns que a leram. Mas não consigo com gente que fala que adora Senhor dos Anéis e nunca leu o livro.

    E gente que já de cara fala que não gosta de ler? Bem difícil de fazer amizade… rsrs

    Sobre o Krabat, tem a edição em português da Martins Fontes (segue link da Livraria Cultura)

    http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=15006838&sid=01525720314522388237727725

  3. Também sou fã de Jane Austen! Mas o meu namorado tem um gosto totalmente diferente do meu kkkkk

    Ao contrário, eu não gosto de Tolkien, mas sou fã do Rick Riordan. Ele por outro lado curte Laranja Mecânica, André Vianco, etc.

    Agora esse negócio de preconceito literário existe, infelizmente. Porém não é uma coisa que eu apoie. Acho muito precipitado julgar uma pessoa que está lendo um livro mais vendido da Saraiva – como se fosse algo ruim. Porém ler Tolkien não vai lhe fazer uma pessoa “mais sabida” do que você ler Rick Riordan, sorry hehe. Se for assim então eu vou me sentir a super culta por ter lido Senhora kkkk. Eu sinceramente acho esse pensamento muito bobo.

    Em fim… =)

    http://www.silentmyworld.blogspot.com

  4. Já vi, mas encontrei também no skoob para troca. Vejamos se dá certo por lá, se não eu peço (ai meu deus, que tem tanto livro na estante esperando para ser lido ainda…).

    Sobre Austen… eu tenho o prazer de conhecer vários rapazes e senhores que gostam dela. Sou mediadora de um clube do livro cá no Recife sobre ela (na verdade, a essa altura, o clube já se expandiu, e lemos Stoker, Dickens, Gaskell…) e participam ativamente dos debates um coronel do exército, um apaixonado por Mansfield Park, outro que gosta de Austen em geral e um amigo dos tempos do colégio que obriguei a ler Orgulho e Preconceito e hoje coleciona os filmes e séries…

    O que prova que ainda há esperanças para a humanidade XD

    O Senhor dos Anéis eu li seis vezes… uma quando ganhei, outra a cada filme que saía, mais uma pelo período da faculdade e a sexta ano passado, para comemorar uma década da primeira leitura. E aí foi atrás Silmarillion, Contos Inacabados, o Hobbit, Roverandom… e terminei passando um mês inteiro só me regalando com ele.

    Realmente, se a pessoa chegar para mim e disser que não gosta de ler, acho que dou meia volta e choro de tristeza por ela…

    Agora estou numa fase vitoriana, porque estive escrevendo um especial sobre Sherlock Holmes e ainda não consegui sair do clima da época… Estou de olho em um lindo volume com toda a investigação histórica sobre Jack, o estripador. Pena que até ele chegar aqui, serão uns dois meses de espera…

  5. Tem:

    Douglas Adams.
    Se a pessoa tem mesma falta de bom senso que eu pra amar os livros dele, então eu também tenho alguma chance.

    Mas também acho adorável quem é fã de Terry Pratchett e Tolkien.
    Mas, sinceramente?
    As pessoas que gostam de ler MESMO não conseguem se limitar aos mais vendidos da Saraiva, então eu julgo menos o que a pessoa lê e considero mais SE ela lê.

  6. Com certeza, prefiro o marido, que não lê nada (nem bula de remédio, eu que leio as do Tomás) do que um leitor de psicografados, auto-ajuda, romance de banca, Paulo Coelho, o Segredo e etc. Assim como eu não namoraria alguém que ouve muito sertanejo universitário ou música eletrônica.

    Como o marido não lê, nós conversamos pouco sobre literatura, mas não sinto falta. Ainda bem que temos basicamente o mesmo gosto por música, filmes e séries, então acredito que, se ele lesse, leria o mesmo que eu!

    Já me apaixonei por estantes de livros e foi problemático, acho que traumatizei…

  7. Não acho que seja uma questão de preconceito literário propriamente dito, Lieh. Nem questão de ‘porque li Tolkien ou Austen sou mais inteligente’. Leio praticamente de tudo (exceto auto-ajuda) e ficarei mais que feliz em ter uma discussão que vá de vampiros e fadas até semiótica. Na minha estante convivem sem maiores problemas Meg Cabot e Umberto Eco.

    A verdade é que essa história de ‘os opostos se atraem’ é meio conversa fiada. Dividir gostos, paixões, acho que é importante para toda relação.

    Não que a outra pessoa tenha que ser uma cópia de você, gostara exatamente das mesmas coisas… mas sendo bastante sincera, acho que seria impossível para mim manter um relacionamento com alguém que não gostasse de ler – se não pela falta de assunto em comum, pela muito provável incapacidade da outra pessoa de entender minha necessidade de ficar horas perdida dentro de um livro.

  8. Também sou assim Lulu. Não sou dessas leitoras que nunca pegou no livro para ler e só porque metade da população já leu fica de frescurinha. Já li muitos livros mais vendidos que eu adorei a leitura, mas também teve aqueles que eu não gostei. É tudo questão de bom senso, porque tem muita gente só vai pela cabeça dos outros e não procura formar a própria opinião sobre o livro. Acho que esse é o maior problema de muitas leitores que se acham cultos – principalmente quando se fala de best-sellers…

    No meu relacionamento temos lá nossas diferenças para gosto literário, mas isso não quer dizer que nós não tenhamos de vez em quando boas discussões. Por exemplo, ele insiste que eu tenho que ler Douglas Adams, enquanto eu insisto que ele tem que ler Sherlock Holmes kkkk. Filmes também é a mesma coisa, agora música nem tanto porque há algumas bandas que gostamos mutuamente =)

  9. Lulu, marido entende eu ler tanto e aproveita pra jogar um monte! Cada um no seu cantinho do sofá! Até já coloquei uma foto na quitanda, do projeto da Pri. Eu lendo e marido jogando. Cada um na sua, com muito amor em comum!

  10. Aí é bom, Sharon! Vocês têm outras coisas em comum, e o que não têm, aceitem numa boa. Vi a cena na minha cabeça, você de um lado lendo, ele jogando e achei uma delícia. Posso me apropriar dela para colocar numa história? XD

  11. Lulu, demorei um tempão pra ler seu comentário! Pode, claro! A gente tem muito em comum, na verdade. Criação, forma de pensar família, relacionamento, muita coisa. Só não os livros…

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