Livro: Joust

Quando eu era criança e tinha as aulas de história, uma das minhas partes favoritas era o Egito Antigo. Os faraós, as pirâmides, os deuses – era tudo legal demais, e ainda por cima se você pensar que tudo isso aconteceu há milhares de anos!

E aí, o que é melhor que o Egito Antigo?
Egito Antigo com Dragões, é claro!!

E como o tema que escolhi em janeiro no Desafio Literário foi DRAGÕES, esse livro foi uma adição perfeita à brincadeira.

A ambientação criada pela autora não é exatamente o Egito, mas sim um mundo de fantasia que tem o Egito Antigo como base – assim como a maioria das fantasias medievais se baseia livremente no medievalismo europeu.

Alta e Tia são dois reinos que estão guerreando há bastante tempo. Tia está ganhando, e constantemente expandindo seu território, especialmente devido ao grande número de cavaleiros de dragões, que são chamados de jousters (algo como “justadores”, já que em português o nome daquela luta de dois cavaleiros que tentam se acertar com lanças se chama justa).

Vetch é um servo altan, ou seja, um garoto que nasceu em Alta mas quando seu território foi conquistado pelos tians ele virou escravo – pior que escravo, na verdade, já que escravos podem ser libertados e servos são perpetuamente ligados às terras onde trabalham.
Enfim. Vetch é um garotinho que vive passando fome e apanhando do seu dono, o gordo oleiro Kefti. Um dia, quando Vetch está carregando um balde de água para encher o poço, um jouster aparece e toma a água do pote, e quando Kefti começa a espancar Vetch por isso, o jouster resolve que Vetch agora é dele. A justificativa é que como servos pertencem à terra e a terra pertence ao Grande Rei, maltratar um servo é maltratar propriedade do rei, e o jouster acredita que Vetch servirá o rei melhor se virar um dragon boy (“garoto do dragão”, são como grumetes que cuidam de dragões).

O jouster se chama Ari, seu dragão se chama Kashet, e Ari tem tido problemas com seus dragon boys, que se acham e vivem dando problemas – último inclusive saiu sem dar aviso. Então Ari quer um dragon boy que não possa desistir do trabalho.

A vida de Vetch então muda, já que agora tem o que comer todos os dias e seu principal trabalho é cuidar do maravilhoso dragão Kashet. Kashet não é um dragão como os outros utilizados pelos jousters. Em vez de ter sido capturado pequeno, e depois treinado, e depois drogado com uma planta para ficar mais dócil, como os outros dragões no campo de treinamento, Kashet foi criado por Ari desde que saiu do ovo e é um dragão muito mais tranquilo.

Quando Vetch descobre um ovo de dragão, ele resolve repetir o feito de Ari e ter um dragão para si mesmo, para tentar escapar de Tia e ajudar seu reino a ganhar a guerra.

Esse é o segundo livro Mercedes Lackey que eu leio, e já percebi que ela tem um jeito “longo” de escrever. A história poderia ter sido contada em metade das páginas (esse livro tem quase 500), mas ela gosta de detalhar tudo o que acontece. Isso não é necessariamente ruim, apesar de ter gente que não gosta e que fica impaciente, eu não tenho esse problema: eu gosto de livros longos com bastante detalhes (desde que bem escrito, claro). Isso me dá mais chance para conhecer os personagens, mesmo que no final eu já soubesse o que ia acontecer, já que o livro não tem uma história exatamente original.

Quanto aos dragões, eles são mais como animais selvagens do que bestas inteligentes e mágicas, mas a autora descreve muito bem sua ambientação e o jeito dos dragões, então não tem como não gostar deles.

Enfim, um livro divertido, interessante por ter uma ambientação tão diferente, e com personagens interessantes e uma história empolgante, mesmo que clichê.
Minha única objeção é a capa. São tantos anos pra surgir um livro com um protagonista que não é branco (ela fala várias vezes que a pele deles é de diferentes tonalidades de marrom) e aí o artista da capa faz essa besteira. Mas o que esperar de um livro lançado nos Estados Unidos?

Título original: Joust (2003)
De Mercedes Lackey (EUA)
Série Dragon Jousters Livro 1

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