Divagação: Como Mudar Seu Próprio Padrão de Beleza

Era uma vez que eu me revoltei um dia e fiz mais um blog – eu tenho problemas com blogs, vocês sabem – para reclamar dos padrões de beleza. O blog não deu certo, mas teve um post que fez sucesso, que continua fazendo sentido e que merece ser compartilhado, mesmo num blog de temática diferente. E nem é tão diferente assim, se forem pensar, porque vivo reclamando das descrições físicas das mocinhas nos livros.
Então, segue, pra quem ainda não tinha lido.

Veja bem que a maior parte das mulheres vai tentar diminuir o corpo em vez de alargar a calça.

Só que como nem sempre dá tempo (nem existe energia) de ir pra academia; e como mesmo as malhadjenhas reclamam do próprio corpo (não conheço UMA mulher que se diga 100% satisfeita com suas formas), resta-nos a inglória tarefa de nos aceitarmos como somos.

E isso dá trabalho, porque somos ensinadas desde muito cedinho que tal e tal mulher famosa é o ideal de beleza, de elegância e de desejo masculino.

Então temos a corrente seguidora, que alimenta as matérias sobre como-enxugar-quinze-quilos-em-um-mês-seguindo-a-dieta-das-celebridades nas revistas femininas, e a corrente opositora, que vive de achar celulite em bunda de mulher famosa pra gritar “elas são gente como a gente!” – mas isso de modo algum vai fazer as opositoras deixarem de achar bonito o que a mídia diz pra acharmos bonito.

Daí que eu decidi mudar meu padrão de beleza. Afinal, como vou me achar bonita se sou treinada para achar isso bonito?

Mas isso é mega muito difícil.
O padrão da gostosa eu não tenho problemas em aceitar ou des-aceitar, porque tenho minhas preferências do que é uma mulher gostosa que são independentes do que eu vejo em mim mesma – e não estão necessariamente relacionadas ao que a mídia dita. Afinal. Olha só o tipo de cara com quem eu ando.

Mas faz um tempo já que eu mudei de cargo no emprego, e precisava ficar mais… elegante. Pelo menos foi esse adjetivo que eu percebi que faltava ao meu estilo quando me olhava no espelho. E, sendo uma completa incapaz no quesito moda, parei para olhar pras mulheres passando num dos maiores pólos de empresas de alta classe em São Paulo.
E eu ia ticando na minha mente: essa é elegante, essa não é, etc.
De repente foi me dando um desconforto, porque não conseguia me encaixar nas roupas que elas usavam.
Demorou um pouco para que eu percebesse o porquê desse sentimento desagradável.

Era porque todas as mulheres que eu considerava elegantes eram magras.
Isso me causou uma revolta imensa (eu juro que pude ouvir a voz da minha vó reclamando que eu precisava ser magra ou não seria elegante), porque percebi que o próprio adjetivo me veio à mente como algo que me faltava por causa da minha criação e valores imbutidos não só pela mídia mas também pela minha família.

Imediatamente comecei a procurar as mulheres que passavam por ali que tinham um tipo físico parecido com o meu. Claro que elas estavam ali. E claro que não estavam menos elegantes do que as magras. Muitas inclusive estavam mais bem vestidas. Faltou o meu olhar crítico para perceber que eu não estava avaliando a roupa que elas usavam, estava avaliando o físico.
E é claro que eu nunca ia ficar bem usando o tipo de roupa que as magras ali usavam. Mas observando as gordas, pude ter uma idéia melhor do que vestir e parecer elegante.

Isso tudo só pra chegar no ponto chave da questão da auto estima. Não adianta você querer se comparar com o que dizem ser bonito. Você não pode mudar o que você é.
Ok, você pode emagrecer, pode fazer plástica no nariz, pode fazer lipo e o diabo. Mas também pode não fazer. Pode ir na academia duas vezes por semana, ter uma dieta balanceada, ser perfeitamente saudável e ainda assim manter os quilos a mais (quantas por aí não reclamam disso? e partem para os regimes mirabolantes?). Pode escolher gastar seu dinheiro em coisas que não sejam cirurgias estéticas. Pode simplesmente não ter esse dinheiro.

E aí vai fazer o quê? Pular da passarela?

Você nasceu com essa cara, com esse corpo, com esse metabolismo. E a não ser que você tenha algo sério com que lidar, como hipotireoidismo, não é mais fácil aprender a se aceitar como é do que gastar tanta energia – muitas vezes em vão – para ser algo diferente?

Não estou falando em “se conformar”. Se conformar é quando você está fora do padrão e desiste de alcançá-lo.
Mas aí é que está a pegada do marketing de maquiagem, das indústrias de alimentos, da HerbaLife e das academias por aí.
NÃO EXISTE PADRÃO.
Quem criou esse padrão foi a mídia e a sociedade (onde começa uma e termina a outra?), e quem está fora está fadado a gastar dinheiro com remédios, exercícios, dietas, médicos endocrinologistas, nutricionistas e, quando tudo mais falhar, terapeutas.

Mas por que não se recusar a aceitar o sistema?

O padrão de beleza muitas vezes vem de fora. Mas também podem vir de dentro. Que menina nunca achou a mãe bonita? Duvido que nossas mães, quando tínhamos dez anos de idade, fossem o ideal de beleza da época (até porque tinham a gente pra cuidar, e a coisa que mais enfeia a mulher é filho. cadê o tempo e o saco pra se maquiar e arrumar o cabelo?), mas pergunte a qualquer uma. Nossas mães foram as primeiras mulheres lindas que vimos.
E daí, quando ganhamos as Barbies e começamos a assistir muita TV, começamos a ver um monte de porcaria sobre o que é ser bonita, e com doze anos estamos perigando um quadro anoréxico.

E depois disso vêm os homens, e aí, gente, danou-se. Nada pior do que acharmos que ele não vai ficar com a gente porque somos gordas ou feias.

Então vamos dizer a verdade, de uma vez por todas.

1. Vai ter homem que não vai querer te comer porque você é gorda. Mas se você fosse magra isso também ia acontecer. E, mais importante, temos que nos policiar para mandar esse tipo de homem se afogar no Tietê.

2. A grande vantagem de se aceitar é a felicidade que isso gera. Isso ninguém tira de você. Nem mil pés na bunda, te garanto. A partir do momento que você se aceita, aquele que faz o oposto não é bom o suficiente, e pronto acabou. Não é fácil, nem rápido, mas cada momento conquistado vale todo o suor.

3. A grande desvantagem de se aceitar… nossa, não consigo pensar em nenhuma. Se você tiver alguma, por favor me avise.

4. O que importa é o que você pensa de você mesma. Do seu corpo. Da sua cara. NÃO o que sua mãe, ou sua tia, ou suas amigas, ou seu chefe ou (pasmem!) seu namorado pensam. Simples assim.

5. Façamos como a Katniss (minha nova ídala) e vamos nos recusar a fazer parte do sistema. Porque se formos pensar com calma, o que fazem com a gente é muito cruel. Você é obrigada a cuidar da casa, dos filhos, trabalhar, se sustentar, agradar ao marido, PEGAR METRÔ LOTADO, ir na academia, ser uma deusa na cama e uma cozinheira de mão cheia, tomar anticoncepcional, MENSTRUAR, e ainda estar com o corpo “tudo em cima” porque se não você é uma flácida folgada.

6. Sejamos FELIZES como somos, por mais difícil que isso seja. Já imaginou se esse peso fosse retirado da nossa mente? O quão eficientes seríamos em outras partes da vida?
Já imaginou NUNCA MAIS pensar, “nossa, será que essa roupa vai ficar bem?”, “acho melhor mudar o penteado”, “vou ter que retocar a maquiagem”, “ufa, agora que já adiantei a janta, as crianças já tomaram banho e eu já enviei o relatório pro meu chefe, posso ir pra academia”.

7. Comece a procurar mais mulheres bonitas que têm o seu tipo físico. Nem sempre é fácil, dada a absurda maioria de bombadas e modeletes na  mídia, mas é possível, especialmente em mulheres que eram consideradas padrão de beleza algumas décadas atrás. Procure as que você acharia atraentes, se fosse homem. Compare os dois padrões. E pense. No dia que você juntar os dois, será uma mulher muito mais feliz consigo mesma.

 

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