Divagação: Como Escolho Novos Livros

Indicação de Amiga: FODA

Pegar um livro novo pra ler é cheio de problemas pra mim. Eu tenho uma enorme lista de livros que não li ainda, mas às vezes simplesmente não tem nenhum naquela lista que seja o que eu estou a fim de ler.
A maior parte dos livros que tenho em casa sem ler são de três gêneros distintos:
fantasia juvenil; fantasia adulta; ficção científica.
Mas o que acontece se eu estou a fim de ler um policial?
E aí acabo saindo pra comprar mais – o que também acontece quando estou precisando me animar.

E além disso, toda vez que quero comprar um livro novo pra ler, é muito complicado escolher. Primeiro tenho que decidir se vou ler uma série de livros nova ou continuar com uma série que já conheço.
Ambas as possibilidades têm suas vantagens e desvantagens. Se for começar uma série nova, ela pode se tornar uma excelente leitura que nem sempre vai acabar só depois de um volume. Mas por outro lado vou estar arriscando meu dinheirinho suado num grupo de personagens e ambientações que eu ainda não aprovei.

Comprar um livro de uma série que já comecei me leva de volta àquela série, e se faz algum tempo desde que li o primeiro livro, vou ter que ir atrás de relembrar tudo. Por outro lado, é mais garantido que eu goste da trama. Por outro lado, é pior me desapontar com uma série promissora do que com um livro desconhecido…

Escolhi pela capa/premissa: gostando

Se eu resolvo que vou ler algo novo, como escolher diante de tantas opções?
Eu gosto de fantasia e romances policiais, que recebem pouco ou nenhuma atenção da mídia quando são escritos por autores nacionais.
Então ou eu ouço falar dos livros através de blogs ou vou atrás de indicações de amigos.

Os policiais são especialmente complicados pra mim porque eu não gosto muito da sanguinolência toda – eu entendo que o autor está tentando fazer o leitor não gostar do assassino, mas é muita tripa e tortura pra minha imaginação fértil e eu acabo preferindo os livros mais light (daí minha predileção por Agatha Christie, Rex Stout e Ellis Peters, que escrevem crimes menos detalhosos no quesito violência).
Já a fantasia e a ficção são mais fáceis de eu gostar, mas também é mais fácil de eu pegar livro porcaria porque qualquer coisa com dragão na capa eu tou comprando.

Eu já me dei super bem com indicação de blogs, mas também já perdi meu tempo de forma homérica. Afinal, me diverti pra caramba com Jogos Vorazes, apesar dos pesares, e esse foi um livro que a crítica blogueirística em geral curtiu bastante. Mas Across the Universe, que foi adorado lá fora e mal chegou aqui já começou a fazer barulho, eu achei perturbador, pra dizer o mínimo.
E tem também o fato de que a maior parte dos blogues por aí fica falando de Nora Roberts e Nicholas Sparks e essas coisas melecosas que simplesmente não me agradam.

E aí eu vou nos sites de fantasia e ficção, e encontro um monte séries intermináveis que me levam de volta a um dos pontos já mencionados, porque qualquer série vai me exigir mais tempo e mais dinheiro.

Indicação de blogs: por enquanto, meh

O Kindle, nesse ponto, é excelente porque não preciso gastar tanto dinheiro assim com um livro novo, e posso checar novos autores em momentos promocionais de livros grátis no site da Amazon. Depois que fui proibida (pelo marido e pelo bom senso) de comprar mais livros a não ser que me livre de alguns que já tenho, os livros digitais são a minha salvação. Leio bastante sobre os títulos que me interessam em blogues e nos comentários dos leitores da Amazon e do Goodreads, e às vezes até do Skoob (que não me interessam muito porque a maior parte dos leitores brasileiros ainda estão na pegada do romance melecoso mainstream), pra no fim investir meu dinheiro suado num livro novo.

As indicações das pessoas são mais difíceis de dar errado; o que falta na minha vida são pessoas que lêem. Tem minha mãe – que só gosta de coisa mais séria com exceção da Companhia Branca que eu juro que vou ler um dia moms! – e tem também os poucos amigos que me acompanham na leitura pesada. Já me dei bem com indicações deles (especialmente moms, já que Terramar, Agatha Christie, Rex Stout e Camilleri vieram na verdade da estante dela), mas foram amigos que me indicaram Crepúsculo e Cidade dos Ossos – a exceção que confirma a regra, então esse parece ser o melhor jeito de encontrar novos livros.

E sabe que não é só por causa do dinheiro? Ultimamente tenho ficado tão broxada com livros que prometem muito e depois eu largo sem paciência que prefiro gastar tempo tentando descobrir se o livro é bom mesmo antes de ir lá e investir minhas expectativas.

E vocês, como escolhem livros pra ler?

5 ideias sobre “Divagação: Como Escolho Novos Livros

  1. Eu entendo bem seu ponto… normalmente minhas leituras são pautadas pelas mesmas linhas que você tem – leio principalmente blogs (o seu é um deles, porque temos gostos literários muito parecidos e já coloquei mais de um volume na lista por causa das suas resenhas), às vezes resenhas no goodreads e no skoob e indicações de amigos. Faço parte de dois clubes do livro, um físico centrado em literatura clássica e outro virtual. O segundo, cujas leituras são votadas entre livros dentro de um tema proposto por um dos membros, já me rendeu muita coisa interessante – livros que se tornaram favoritos, mas que se não tivessem sido indicados no clube, eu jamais teriam me chamado a atenção.

    Como estou numa fase de ler muitos ensaios e crítica literária, acaba que várias das indicações que recebo vem dos próprios livros. Esse ano em especial eu descobri um volume chamado “The Books They Gave Me” (que é também um blog) e o terminei com vinte novos livros na lista para ler.

    Para além disso, eu tenho um certo cronograma de leituras ‘obrigatórias’. Colaboro com o blog da Jane Austen Brasil então uma vez por mês eu procuro algum livro que tenha a ver com o universo austeniano para ler e resenhar numa coluna chamada Gazeta de Longbourn. Participei de todas as edições do Desafio Literário (que infelizmente não continuará no ano que vem) e isso também me ajudou a escolher e me interessar por livros novos. Tanto que na falta do DL, acabei decidindo criar um desafio para mim mesma e fiz uma lista para ver se consigo dar baixa nos cento e poucos volumes que estão à espera na minha estante.

    Também tenho autores que estou sempre lendo e comprando livros deles. Qualquer coisa que o Pratchett lance, eu vou atrás (por sinal, a Bertrand comprou os direitos do Pratchett aqui no Brasil e afirmou que lançará Small Gods ano que vem!). Neil Gaiman é a mesma coisa. Umberto Eco também. E por aí afora.

    Última coisa antes de ir embora, porque já me empolguei bastante com a conversa… se você gosta de ler livros com dragões na capa… eu recomendo fortemente a série Temeraire, de Naomi Novik. Os livros estão sendo lançados em português, embora eu os tenha lido em inglês. Tem dragões, intrigas políticas, guerras napoleônicas, uma volta ao mundo (o primeiro volume começa na Inglaterra, o segundo vai para a China, no terceiro é a Turquia e a Prússia, o quarto vai para a África e França; o quinto é Inglaterra de novo, no sexto tem Austrália e no sétimo chegamos ao Brasil) e é uma história muito bem pensada, os detalhes são fascinantes, a pesquisa histórica que a autora fez é de cair o queixo. O primeiro volume, “O Dragão de Sua Majestade” me deixou completamente apaixonada.

    Há uma outra série cujo primeiro volume foi lançado aqui no Brasil, mas não parece haver previsão para o lançamento do resto… o sétimo e último volume foi lançado agora em novembro. É a série “Crônicas da Imaginarium Geographica” e traz como personagens principais Tolkien, Lewis e Charles Williams (menos conhecido aqui no Brasil mas bem importante no grupo dos Inklings). O primeiro volume é mais uma introdução à idéia do Arquipélago dos Sonhos e da guerra que está surgindo no horizonte… mas a partir do segundo volume, cada novo capítulo é de tirar o fôlego, especialmente para quem consegue pegar todas as referências cruzadas que existem na história.

  2. Nossa, Lulu, quantas dicas boas! Eu já tinha me interessado pela Temeraire, e o primeiro volume tá aqui esperando. Sua dica acabou de fazer com que ele furasse a fila! 🙂
    Então, o desafio literário eu sempre quero participar, faço altos planejamentos e acabo ficando sem tempo pra ler especialmente entre abril e agosto por causa do trabalho. E aí acabo desistindo. Mas você viu que em 2014 vai ter um desafio do Skoob?
    Também vou muito por autores, mas são poucos, esse é o problema. Terry Pratchett, Agatha Christie, Rex Stout e Diana Wynne Jones são os principais.
    Tenho planos de começar um clube do livro ano que vem, espero que dê certo. E vou procurar esse blog The Books They Gave Me.
    Obrigada pelo comentário e pelas dicas! 🙂

  3. É sempre um prazer encontrar gente com quem falar de livros, e que nos façam indicações de livros que elas acreditem de que vamos gostar. Como tenho acompanhado seu blog faz já um tempo, tenho a impressão, como disse antes, que temos muitos gostos em comum.

    E, já que você gosta de dragões… eu tenho uma tag só para livros com eles lá no Coruja: http://owlsroof.blogspot.com.br/search/label/drag%C3%A3o As duas séries que recomendei estão resenhadas lá livro por livro xD

    Acho que vi o desafio do skoob, mas fiquei com a impressão de que eles reciclaram temas que foram usados nas edições anteriores. Ou tem outro desafio em outro grupo no skoob? Agradeço se tiveres link para me ajudar a me encontrar…

    O The Books They Gave Me é esse aqui: http://owlsroof.blogspot.com.br/2013/09/para-ler-books-they-gave-me.html

    Da sua lista de autores principais, o único que ainda não li nada foi o Rex Stout, mas já o coloquei na minha lista. Por sinal, por qual eu deveria começar dele?

    E, se quiser mais dicas… já que você falou de literatura nacional e romance policial e fantasia… eu recomendaria você dar uma procurada na antologia Ficção de Polpa, o primeiro volume, em especial, que é bizarramente excelente. E em romances… já que você gostou da Austen… dá uma olhada na Julia Quinn. Ela é uma autora contemporânea que escreve romances de época tipo de banca… mas os personagens dela são carismáticos, e ela tem um ótimo senso de humor. Os livros dela estão sendo publicados em português agora (eu os li todos em inglês já faz um tempo…) inclusive o meu favorito, que acho o mais divertido dos que ela já escreveu: O Visconde que me Amava. É meio que… uma releitura de A Megera Domada no período da regência.

    E, é… eu me empolguei de novo…

  4. Eba! Vou olhar os livros de dragões que você recomenda.
    O desafio do skoob que eu vi é esse: http://www.skoob.com.br/topico/mostrar/36506 mas de fato os temas não são muito originais.

    Já o Rex Stout eu recomendo Cozinheiros Demais, Ser Canalha, Champagne for One, A Right to Die e meu favorito The Silent Speaker. Infelizmente os melhores não chegaram ao Brasil, mas já que você lê em inglês é fácil de achar tanto em livraria quanto em sebo.

    Já fui atrás da Julia Quinn!
    Obrigada de novo pelas dicas e não hesite em se empolgar mais! 🙂

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