Livro: Cinder

Lihn Cinder é uma ciborgue – uma humana que sofreu alterações drásticas no seu corpo pela tecnologia: ela tem um pé e uma mão metálicos, com fios dentro do seu cérebro que servem de ligações nervosas. Ela tem uma câmera nos olhos e uma conexão com a internet e um pequeno computador no cérebro. O mais legal de tudo é que seus sensores internos são programados para reconhecer quando alguém está mentindo. Mas na sociedade onde ela vive, após a quarta guerra mundial, ciborgues são considerados menos do que humanos e cidadãos de segunda classe. A Terra está sendo ameaçada de uma invasão iminente pelos inimigos Lunares e também sofre com uma doença misteriosa que mata pessoas em poucos dias.

Cinder foi adotada por um cientista que morreu da peste logo depois, deixando-a para ser criada por sua esposa Adri. Adri detesta ciborgues, culpa Cinder pela morte do marido e faz a garota trabalhar como mecânica para pagar as contas da família. Quando Peony, a irmã mais gente boa de Cinder, contrai a peste, Adri “voluntaria” Cinder para os testes de vacinas que os médicos imperiais estão fazendo. Porque, como a peste é uma ameaça problemática e urgente, e o próprio imperador contraiu a doença mortal, os médicos imperiais fazem um esquema de “sorteio” de ciborgues para testes tentando achar uma cura.

O charmoso príncipe Kai está com muitas coisas na cabeça. Além da doença do imperador seu pai, e da situação crítica da doença em New Beijing, ele também tem que se preocupar com a constante ameaça Lunar. Mas mesmo assim ele se sente estranhamente atraído pela jovem mecânica que o ajuda a concertar sua andróide e tenta conseguir uma amizade com ela a todo custo. Ela, por outro lado, acha Kai muito legal, mas tem certeza que ele vai querer que ela suma assim que ele descobrir que ela é uma ciborgue.

Quando Cinder é ‘voluntariada’ pela madrasta para ser testada com a vacina da peste, ela descobre ainda mais coisas sobre sua origem; coisas que podem colocá-la em perigo ou mesmo salvar o mundo.

Ultimamente tenho lido algumas releituras de contos de fadas e nem sempre foram agradáveis especialmente por causa da tendência à falta de originalidade. Felizmente esse não é o problema desse livro ótimo: original, inteligente e muito, muito divertido, é certamente um dos livros mais empolgantes que li recentemente.  

A ideia, como pode ser sacado pelo nome, é ser uma releitura de Cinderela, mas a autora é esperta demais para se ater aos pontos exatos da trama do conto. Então tem sim uma órfã mal tratada pela madrasta e obrigada a trabalhar, tem as step sisters, tem um príncipe charmoso, e tem até o baile – mas felizmente as semelhanças acabam aí.

Cinderela ciborgue é um conceito legal demais, e isso, juntamente com a história movimentada, deixaram o livro inlargável. A autora criou um universo interessante, num futuro tecnológico meio decadente, que inclui controladores de mentes, andróides e ciborgues – uma mistura de Blade Runner com contos de fadas. E ainda por cima ficou muito bom!

Fora a ambientação genial, o livro também tem personagens interessantes, uma protagonista que não é mimimizenta, uma andróide FOFA que chama Iko e gosta de roupas, e uma história previsível mas que não deixa de ser boa por causa disso. (Ou vocês tinham alguma dúvida sobre quem seria a sobrinha misteriosa que morreu no incêndio mas talvez não?)

O pessoal da reclamação na internet tá dizendo que o livro é cheio de buracos na trama (tipo a mecânica esquecer dos freios e tal) e que a ambientação fica pouco explicada, mas eu não reparei em nenhum deles durante a leitura, só depois, o que é um ponto a favor do livro. Eu não fico muito lendo os comentários dos blogs porque tenho a mania de já chegar querendo não gostar quando o livro é famosete (tenho espírito de hipster), mas não achei nenhum dos problemas MORAIS aqui que achei em Across the Universe, por exemplo, apesar de gostar de ambas as ambientações e perceber problemas de trama em ambos os livros.

Acho que no fim das contas as melhores partes do livro são as que não remetem muito à história da Cinderela (que é bem idiota, vamos combinar) nem fica no romancezenho melequento dos protagonistas – ou seja, é uma adaptação de contos de fadas que não é muito fiel ao conto e um livro pra adolescentes bobocas que não é (tão) boboca. É uma boa diversão que termina de um jeito que me deixou super ansiosa para ler o próximo livro da série. Recomendo muito!

Informações técnicas: Cinder (2012) de Marissa Meyer. Série Crônicas Lunares Livro 1.

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