Cinco Livros com Girl Power

Eu cresci nos anos 90. Eu ainda acho que a moda e a música conseguiam ser ainda piores do que as dos anos 80, pela simples razão de que tínhamos a década passada para superar e tínhamos a certeza de que “nada ia ser tão ruim”. E enquanto os anos 80 nos deram ombreiras e aqueles cabelos terríveis, nos anos 90 tínhamos isso:

Juro, eu adorava! Eu tinha o álbum oficial, as famigeradas revistas-pôster, revistinhas de letras traduzidas, camisetas, biografias e mais um monte de lixo.
E enquanto as músicas eram devidamente grudentas e idiotas, as Spice Girls se gabavam de mais do que ser “a primeira girl-band” do mundo: elas tinham Girl Power!

Essa era a idéia de que toda garota podia ser poderosa, se acreditasse nas suas metas e lutasse por elas. Ter o Girl Power! era ser ambiciosa, assertiva e certamente individualista; mas é claro que na verdade significava ser rica, bonita e ter dormido com a pessoa certa para ‘ganhar’ um concurso boboca e se colocar nas mãos de um produtor super-competente.

De qualquer forma, a frase ficou, e virou sinônimo do feminismo dos anos 90
Pois então eu quero falar do verdadeiro Girl Power!, que é ser uma heroína da literatura. Não parece, mas não é fácil. Uma heroína da literatura não pode ser boboca nem indefesa, como a maior parte das princesas dos contos de fadas, mas também não pode ser um machão, como a Lara Croft. Uma verdadeira heroína, cheia de Girl Power!, é aquela que consegue ganhar o dia sem descer do salto, e sem se recusar a admitir que onde estaríamos sem os homens?
Aí vai.

Elisabeth Bennet: Numa sociedade onde as garotas deviam fechar a boca e ser agradáveis à vista, Elisabeth se recusa a ser só mais uma e desenvolve o poder de pensar – e falar – por si mesma e por quem achar que mereça ajuda. Apesar de um pouco ingênua, é ela quem segura a família durante as crises que aparecem. Além disso, não vai aceitando qualquer proposta de casamento não, por mais rico, bonito e bem nascido que seja o cara. Ele precisa fazer por merecê-la. Girl Power!

Tiffany Aching: Ela tinha apenas sete anos quando sua avó, a bruxa da região, faleceu. Como nenhuma outra bruxa parecia tomar o lugar de Granny, Tiffany resolve que ela mesma será a bruxa dali, mesmo que para isso tenha que invadir o reino das fadas armada de uma frigideira e um exército de mini-escoceses bêbados. Tiffany não costuma desistir das tarefas que se põe a fazer, e considera seu dever proteger sua terra de qualquer ameaça, sejam elas monstros que possuem os corpos das pessoas, entidades que se alimentam do ódio alheio ou o próprio elemental do inverno, do qual ela se livra dando-lhe um beijo. Girl Power!

Hermione Granger: Vinda de uma tradicional família de dentistas, Hermione não pretende deixar de ser a melhor aluna em tudo mesmo na nova escola de bruxaria. Ao ficar amiga do famoso Harry Potter, creio que todos nós sabemos que contribuiu imensamente para a destruição final de Lord Voldemort não só por sua atuação física direta mas por sua imensa sabedoria e inteligência sempre empregados em favor do herói. Além disso, ela mete um tapa na cara do Malfoy e chantageia uma jornalista famosa. Girl Power!


Miss Marple: Numa época em que a maioria dos detetives eram homens, Miss Marple apareceu para revolucionar a criminologia. Sempre observando a natureza humana lá do interior da sua cidadezinha, ela consegue solucionar os crimes mais complexos usando de sua capacidade de comparação de personalidades. No entanto, considera quase todos os homens uns cavalheiros, que devem ser tratados com respeito e uma taça de bom scotch. Está sempre por dentro de todas as fofocas, e relata suas descobertas ao mesmo tempo em que tricota uma malha para o bebê de sua afilhada: uma vovózinha charmosa e letal para os criminosos.


Stephanie Plum. Ela é uma moça moderna que não se importa de ter uma profissão pouco feminina: ela é caçadora de recompensas. Nos Estados Unidos, quando alguém é chamado num tribunal e não aparece, essa pessoa ganha um preço, que é pago aos caçadores de recompensas que levam o dito cujo ao tribunal. Stephanie é totalmente feminina, está sempre de salto e maquiagem, e não tem a menor idéia de como atirar com uma arma, mas ainda bem que sabe pedir ajuda a um homem grande, forte e mau quando ela precisa. Girl Power!

Quem mais?

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