Livro: Buracos

Stanley Yelnats IV é um delinquente. Ele está sendo levado a um reformatório para jovens criminosos chamado Camp Green Lake.
O crime de Stanley foi ter roubado um par de tênis do famoso jogador de basquete Clyde Livingston. Os tênis estavam à mostra num lar para crianças carentes, e iam ser leiloados por milhões de dólares.

De nada adiantou Stanley dizer que nunca havia roubado os tênis. Ninguém acreditou que os tênis tinham caído do céu na sua cabeça. E ele foi condenado a ficar vários meses no reformatório, para construir caráter e pensar no crime que cometeu.

Internamente, Stanley joga toda a culpa do seu problema no seu tataravô ladrão de porcos, que a história familiar conta que havia enraivecido uma feiticeira e então sido amaldiçoado com azar eterno para toda a família. Pensar no tataravô ajuda Stanley a esquecer um pouco a situação em que se encontra.

Camp Green Lake (Campo do Lago Verdejante, numa tradução livre) não tem nada de campo nem de lago nem de verdejante. É um conjunto de galpões onde dormem os garotos delinquentes que fica no meio de um deserto. Os garotos precisam cavar buracos para construir o caráter. Um buraco por dia, de um metro e meio de fundura e um metro e meio de diâmetro. Mr. Sir, um irascível grandalhão viciado em sementes de girassol, Mr. Pendanski, um terapeuta de meia tijela, e o misterioso Warden, que vive num casarão com ar-condicionado, são os adultos responsáveis pelo lugar. Mas eles não precisam de cercas, ou guardas. Qualquer um que tente fugir precisa caminhar no deserto por quilômetros antes de chegar em qualquer lugar. Isso se as cascavéis ou os lagartos venenosos não te pegarem antes.

A rotina extenuante de Stanley – cavando buracos sob o sol escaldante, passando sede, sofrendo bullying dos colegas de quarto – aos poucos vai se tornando mais interessante quando ele encontra um tubinho de ouro em um dos buracos que ele cava. A reação do Warden – que é na verdade uma mulher que consegue o que quer através de pura personalidade – diante desse pequeno objeto é o suficiente para Stanley começar a suspeitar das razões para tantos buracos.

Quando ele fica amigo de um outro detento chamado Zero, os acontecimentos vão se desenrolando de uma forma que Stanley jamais poderia prever.

Ao mesmo tempo em que vemos as aventuras de Stanley, também ficamos sabendo da história de Camp Green Lake – e somos transportados para mais de cem anos antes, na época em que aquele deserto era um enorme lago com uma próspera cidadezinha em uma das margens. E conhecemos a história de Kate Barlow, a jovem e bonita professora do lugar. E de Sam, o negro vendedor de cebolas selvagens.

Daí que eu conheci essa história pela primeira vez quando peguei o filme do nada. Nem lembro o que me chamou a atenção nele, só que acabei vendo e é um filme muito melhor do mundo.
E descobri que era baseado num livro, e enfim. É esse. (o filme infelizmente chama O Mistério dos Escavadores, pra quem se interessar. Vale a pena!)

O livro é curtinho – pouco mais de duzentas páginas – mas me impressiona o tanto de informação que o narrador consegue nos mostrar em tão pouco tempo. E é muito legal também como ele trata de temas difíceis como o racismo e a criminalidade juvenil de forma natural, inteligente e super adequada para leitores juvenis.

A mistura de histórias – o tataravô de Stanley, depois a história de Kate Barlow – e a forma como elas vão se juntando para que o leitor perceba como elas afetam o presente de Stanley é um artifício excelente que deixa o livro muito mais divertido e charmoso – e triste – do que se fosse simplesmente a história de um garoto que é obrigado a cavar buracos.
Os personagens também são muito bem criados e dá pra imaginar direitinho cada um deles. E olha que isso é difícil com tantos garotos no galpão onde Stanley dorme, mas dá pra quase ver todos eles na sua frente!

Ai, gente, não dá. Não sei mais o que falar. Esse livro é o máximo do máximo, é inteligente, engraçado,  e tudo o mais de bom do universo. Só lendo pra saber. Juro, tentem ir atrás. É imperdível!

Btw, o filme também é o máximo, ok, a adaptação tá excelente (não é à toa, com o autor sendo responsável pelo roteiro), a Sigourney Weaver e o Jon Voight e a Patricia Arquette tão se divertindo muito e o filme é o máximo. Já falei isso, mas não custa repetir. E é com um Shia LaBeouf jovenzinho, um fofo! Assistam.

Título Original: Holes (1998)
De Louis Sachar (EUA)
Tem uma continuação.

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