Autoras Incríveis Que Você Precisa Conhecer

Recentemente descobri que as postagens do blog estão bem balanceadas e os autores e autoras têm espaço semelhante na minha vida. Mas sabemos que no mercado editorial as coisas andam mais devagar – taí a Rowling, que dizem ter recebido recomendação dos editores de colocar seu nome com as iniciais na capa para evitar que meninos achassem que ela fosse uma mulher e por isso não lessem seus livros. Go figure.

De qualquer forma, apesar de Agatha Christie ser uma das mais resenhadas aqui no blog, existem muitas outras que merecem ser conhecidas, e inclusive com livros traduzidos para nossa querida língua materna. Infelizmente, falho miseravelmente em sair do eixo Inglaterra-Estados Unidos e em ler/resenhar autoras não-brancas, e tenho como projeto melhorar isso também. Se tiverem sugestões, por favor coloquem nos comentários!

 

Eva Ibbotson – inglesa que escreve fantasia juvenil. Apesar de ter lido muitos livros dela, não resenhei todos, mas isso será remediado logo. Ela é engraçada, os livros são curtinhos e bem leves de ler, e os personagens são incríveis! Ela sempre pega um clichê e vira de ponta cabeça, deixando a história com uma pitada de ironia: Uma bruxa boa que quer ser má para conquistar o Mago Maligno; um bebê príncipe de um reino encantado que é raptado, cresce no nosso mundo, vira um babaca e não quer voltar pro reino das fadas; fantasmas bonzinhos que querem apenas um lar confortável para poderem assombrar em paz; bruxas que transformam as pessoas em pedra mas só se as pessoas forem más de verdade. Os livros dela todos acontecem na Inglaterra, e a comparação entre a realidade e a fantasia é feita com muito bom humor. Pra quem gosta de fantasia juvenil, livros divertidos e leituras inteligentes.

 

J. R. Ward – nascida em Massachusetts, EUA, ela é autora da série best-seller A Irmandade da Adaga Negra. São vampiros, que lutam, não se alimentam de sangue humano, e fazem muito sexo. Com seus livros cheios de cenas eróticas e violentas, não é uma série que recomendo pra qualquer pessoa, mas eu me diverti muito! Os protagonistas são todos membros de uma organização de vampiros guerreiros que protege os vampiros civis dos ataques dos Lessers (seres malignos criados pelo demônio dos vampiros para erradicar a raça dos vampiros da face da Terra). Todos eles têm problemas sociais e psicológicos, todos eles são lindos, sedutores e têm cabelos sedosos, e todos eles são extremamente possessivos, ciumentos e animalescamente sexys. Eu sei. É idiota. Mas gente, tem que entrar no clima. A série já passou do volume 20, mas só os primeiros foram traduzidos para o português. Eu só li em inglês, e ouvi dizer que a tradução peca por não reproduzir palavrões (estilo sessão da tarde seu filho da mãe, vou chamar os tiras), mas a ação, os dramas e o romance continuam os mesmos. Se você gosta desse tipo de livro, recomendo!

 

Ellis Peters – Edith Pargeter escreveu diversos livros usando seu nome verdadeiro, mas a minha série favorita ela escreveu sob o pseudônimo de Ellis Peters: O Irmão Cadfael é um monge beneditino na Inglaterra do século XII que usa seu conhecimento de vida para solucionar crimes misteriosos. Com ambientação impecável, personagens bem construídos e tramas excelentes, essa série é bem humorada, interessante e leve, mesmo quando aborda temas complexos como a situação deplorável das moças naquela época. Sem nudez, sem violência e sem apelação, quem gosta de policiais leves como os da Agatha Christie pode ir sem medo nessa série.

 

Ursula K. Le Guin – famosérrima nos Estados Unidos onde nasceu, ela agora está sendo traduzida em peso para o português: uma das melhores notícias dos últimos anos. Com uma visão revolucionária para a sua época, ela estava discutindo feminismo, racismo e a questão de gênero desde a década de 60 com livros de fantasia e ficção científica. Em A Mão Esquerda da Escuridão, por exemplo, os alienígenas não tem gênero definido – e agora você lida com as questões que surgem quando um enviado diplomático da Terra precisa convencer os caras a participarem da união dos planetas. A série de fantasia que começa com O Feiticeiro de Terramar tem protagonista não-branco – e agora você me fala quando que você se deu conta disso ao ler o livro. Simplesmente genial.

 

Diana Wynne Jones – também inglesa e também autora de fantasia juvenil, ela escreveu diversos livros dentro do seu universo de magia interligado com o mundo real. Uma das coisas mais divertidas nos livros dela é que seus personagens importantes vão evoluindo ao longo dos livros, e fazem ‘pontas’ na história de outros protagonistas. Então se em O Castelo Animado nós vemos o início do relacionamento entre Sophie e o Mago Howl, em O Castelo no Ar nós vemos os dois interagindo depois dos eventos do outro livro em cenas pequenas que o protagonista presencia. É uma forma interessante de mostrar o que acontece depois do “viveram felizes pra sempre”. De qualquer forma, a ambientação pode ser tradicional, mas os personagens são gracinha e as histórias são divertidas. Destaque para a série do Mago Derk, que é péssimo no que faz mas é obrigado a ser o Mago Maligno do Ano. Só diversão.

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