Livro: As Memórias de Sherlock Holmes

Memórias de Sherlock Holmes é uma coletânea de contos que foram publicados na revista Strand Magazine entre 1892 e 1893. O último conto, O Problema Final, foi causa de muita polêmica na época, e o autor recebeu inúmeras cartas de leitores revoltados. Fora isso, no entanto, os outros contos são todos muito bons, e na minha opinião rivalizam com a outra excelente coletânea de Holmes, As Aventuras de Sherlock Holmes.

O Estrela de Prata – um cavalo campeão de corrida desaparece na véspera do grande prêmio, e seu treinador é encontrado morto. Holmes é chamado para não só encontrar o animal como também o assassino do treinador. Eu gosto muito desse conto porque tem uma das melhores linhas de raciocínio de Holmes e um dos assassinos mais improváveis.

A Caixa de Papelão – Uma senhora recebe pelo correio uma caixa de papelão com sal grosso e duas orelhas humanas. Holmes é chamado para desvendar o estranhíssimo caso.
As divagações sobre a individualidade de orelhas humanas chega a ser hilária de tão esdrúxula.

A Face Amarela – Um distinto inglês recém casado vai a Holmes em desespero: ao voltar mais cedo do trabalho, viu através da sua janela um horrendo rosto amarelado. Mas quando entrou em casa, nada se via. Estaria sua esposa o traindo? Ou alguma outra solução mais sinistra se apresenta?
Eu adoro esse conto. Mostra que Doyle tinha a cabeça e o coração no lugar. Achei interessante saber que esse conto teve de ser mudado nos Estados Unidos por causa de seu final “polêmico” que poderia chocar os americanos preconceituosos mais sensíveis. Idiotas.

O Escrituário da Corretagem – Um dos casos de Holmes que chama a atenção pela originalidade do problema: um jovem profissional procura Holmes porque acha que sofreu um engodo; ao mudar de emprego, descobre que sua nova empresa não existe e imagina o porquê dessa farsa.

A Tragédia do Glória Scott – Outro dos casos da juventude de Holmes, esse trata do pai de um colega do detetive, que sofre um ataque ao ler uma carta. Cabe a Holmes descobrir o que foi tão perturbador na missiva aparentemente inofensiva e ver qual a relação entre o pai de seu amigo e o novo e rude empregado da casa.

O Ritual Musgrave – Holmes relata a Watson um de seus primeiros casos: o de um colega seu da faculdade que perdeu o mordomo, desaparecido no meio da noite. Um dos meus contos favoritos.
Tanto esse quanto o anterior relatam casos da juventude de Holmes, mas esse tem uma charada que acho uma das melhores de Doyle e que povoou minha imaginação por anos.

O Enigma de Reigate – Quando Holmes vai passar férias no campo após um extenuante caso, acaba envolvido em outro problema: o vizinho de seu anfitrião foi assaltado durante a noite, e os locais insistem em que Holmes interfira no caso. Mas o que parecia um pequeno roubo toma proporções mais sérias diante das descobertas do detetive.
Esse é um dos poucos contos em que Watson duvida de seu colega, que acabou de sofrer um colapso nervoso e pode estar com as faculdades prejudicadas. Mas é claro que Holmes está é enrolando todo mundo.

O Corcunda – Um dos crimes mais chocantes do jornal da semana, um senhor é encontrado morto e sua esposa é acusada do assassinato. Mas Holmes não acredita que ela seja culpada por um motivo bastante especial: ao examinar a cena do crime, Holmes encontra rastros de um animal extraordinário. A resolução do caso vai passar por um triângulo amoroso na Índia revolucionária. Não adianta, tem Índia nessa época, me lembra de Kipling, que eu adoro, e daí não tem como não gostar.

O Paciente Residente – Um médico procura Holmes com um problema singular: ele fez um trato com um senhor idoso, onde o médico usa o térreo da casa como consultório, o senhor paga as suas despesas e fica com uma parte do seu lucro. Tudo vai bem até que alguns pacientes muito estranhos aparecem e seu senhorio fica fora de si de medo.

O Intérprete Grego – Essa história sempre me deu um pouco de medo por evocar partes da minha profissão. Um intérprete é chamado para interpretar a conversa entre dois homens mau encarados e um jovem grego que está sendo morto de fome. Temeroso, ele pede ajuda a Holmes, mas depois é vítima da vingança dos vilões. A resolução do caso não é das minhas favoritas, mas a situação é tão aflitiva que transforma o conto em uma história memorável.

O Tratado Naval – Um antigo colega de faculdade de Watson manda uma carta desesperada pedindo ajuda: um tratado de extrema importância foi roubado de sua mesa do escritório e ele não sabe o que fazer. Cabe a Holmes e à noiva do pobre coitado arranjarem um jeito de achar os papéis. Um conto muito bonitinho, que não contém assassinato mas tem uma resolução interessante.

O Problema Final – Esse foi o pivô de todos os problemas do autor Conan Doyle. Cansado da popularidade extrema de seu personagem e querendo mais tempo para projetos mais sérios, Doyle cometeu esse assassinato para transtorno geral dos leitores. É um conto muito bom, muito tocante, que não perdeu sua tensão ao longo dos anos. Holmes está sendo caçado por seu arqui-inimigo Professor Moriarty, o maior vilão que a Inglaterra já conheceu.

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