Filme: As Aventuras de Robin Hood


E tanto o Ridley Scott falou mal desse filme que eu resolvi rever só pra constatar se o cara tava sendo chato ou eu é que me lembrava do filme de um jeito diferente.

Bom, o cara tava sendo chato. Independentemente da comparação entre os dois filmes – pra quem ainda não sabe do que eu tou falando, a comparação entre esse clássico da aventura capa-e-espada no cinema e o novo filme do Robin Hood com o Russell Crowe – eu achei que tanto um quanto outro tem suas falhas e suas qualidades positivas.

Então vamos ao filme. Numa Inglaterra dominada pelos normandos, os saxões são oprimidos, passando fome, sem ter onde morar e sem ter nenhum direito. Os normandos coletam impostos violentamente dos saxões, sob ordens do malvado príncipe João, que se aproveita da ausência de seu irmão mais velho, o rei Ricardo, para ir aos poucos conquistando poder.

Sir Robin of Locksley, um nobre saxão, se revolta com a situação de seus conterrâneos e decide lutar contra os opressores, pelo que é destituído de suas terras e proclamado fora da lei.
Ele então se reúne com outros saxões fora-da-lei na enorme floresta de Sherwood e passa a roubar de todos os ricos normandos que passam por ali para dar de comer aos pobres saxões oprimidos.
Numa dessas peripécias ele acaba conhecendo a formosa Lady Marian, que, de início pouco amigável diante do que imagina ser um ladrão sem escrúpulos, aos poucos se deixa levar pelo charme do jovem saxão ao perceber que ele tem na verdade um nobre propósito.

O roteiro segue muito da lenda tradicional, com Robin conhecendo João Pequeno ao atravessar uma ponte de troncos, travando luta com Frei Tuck na disputa pela travessia de um rio e conhecendo o rei Ricardo durante um de seus famosos jantares na hospedaria verde.
A reconstituição histórica é risível, mas até aí todo o espetáculo o é um pouco, devido à época em que foi produzido: os corneteiros do rei nem sequer mexem a garganta ao soprar o instrumento, Robin e Sir Guy lutando mais parecem estar empunhando sabres do que pesadas espadas medievais e o contexto histórico é um pouco mais do que apenas equivocado.
No entanto, os atores principais – o trio mais do que rentável Errol Flynn, Olivia de Haviland e Basil Rathbone – dá conta do recado: Robin é charmoso, simpático e bem humorado; Marian é graciosa e corajosa; e Sir Guy é devidamente desprezível e amedrontador.

Uma aventura à moda antiga nos melhores moldes, que funciona maravilhosamente bem numa tarde despretensiosa.


Momento fofoca: a Olivia era boa mesmo. Cada olhar de paixão incontida que ela lançava ao Robin que eu vou te contar, e dizem que ela desprezava o Errol Flynn. Mas vai saber se é verdade. O fato é que eles tiveram que fazer um monte de filmes juntos porque eles ‘funcionavam’: se o nome deles estivesse no cartaz, era certeza de audiência grande.

Update de babados! Mentira, eles tiveram um caso durante as filmagens desse filme e foi maior escândalo porque a Olivia já estava tendo um caso com um outro cara, famoso diretor de cinema, casado, que armou barraco.


As Aventuras de Robin Hood (The Adventures of Robin Hood) – 1938
de Michael Curtiz, William Keighley
com Errol Flynn, Olivia de Haviland, Basil Rathbone, Claude Rains

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