Personagem: Arabella Bishop


Arabella vai morar com seu tio nas Índias Ocidentais após a morte do seu pai.
Só que o tio é um dono de fazenda que mais parece um feitor de escravos de tanto que ele curte chicotear as pessoas.

Arabella se contenta em visitar as poucas moças brancas que habitam a ilha de Barbados e tenta não se entediar muito.

E aí aparece Peter Blood.

Ele é inglês, charmoso, inteligente, simpático e mais tudo o que um homem deveria ser. Claro que ele não parece tudo isso quando sai, sujo e maltrapilho, de um navio de escravos vindos da Inglaterra. Mas mesmo assim ela pede que o tio o compre. Porque ela é rica e pode, né.

Enfim. Passam os dias, e ela de repente repara que o escravo moreno que ela pediu pro tio comprar é na verdade o cara charmosão que eu acabei de descrever – e que tem, ainda por cima, um coração amável e um diploma de médico!

Ela fica sem saber o que pensar dele. Por um lado, ele é tdb, com essa história de rebelde injustiçado pelo rei e tal, e ainda por cima na situação estranhamente sexy de ser escravo dela.

Por outro lado, ela é uma garota que teve a educação tradicional inglesa do século XVII, e não tem como ela olhar para um escravo sem pensar que deve ter uma razão muito boa para ele ser um, afinal, Deus colocou o rei no trono, e o rei colocou Peter Blood como escravo, então Deus quis que Blood fosse escravo… e tals.

Mas antes que ela precise decidir o que fazer com sua crescente paixonite por Peter Blood, tudo muda na vida: espanhóis atacam Barbados, e Blood, além de salvar a vida de muita gente, foge no navio espanhol e se torna um famigerado pirata!!!

Que luta duelos para ficar com garotas! E que tem um romance com a filha do governadore de Tortuga!
Aí, é claro que quando ela vê ele de novo, ela fica toda se fazendo de difícil, porque afinal se ele fica tendo romance com filhas de governadores e luta duelos com outros piratas para ver quem fica com uma mulher (if you know what I mean), ela não quer saber nada dele.

Só que daí é claro que ela descobre que não é nada disso, porque Peter Blood é o homem mais perfeito do universo.

Eu gosto da Arabella, e eu acho que ela foi uma criação especialmente genial do autor. Pra ela ser a garota que fica com Blood no final e a gente não ter ódio profundo dela, tinha que ser uma garota que não fosse frescalhona e covarde. E Arabella é corajosa e ética e inteligente e bonita e dá um couro no tio dela.
Pra rolar uma tensão romântica, tinha que ter um motivo bom pra ela a princípio não se jogar nos braços do Blood, um motivo que não fosse “você é um ladrão e pirata!” (há!) porque piratas são legais de mais não tem como não gostar. Aí então o autor cria essa história de que Blood lutou com Levasseur pra resgatar a Mademoiselle D’Ogeron, só que a Arabella ouve a história errada e acha que Blood quis é ficar com a garota.
E faz todo sentido a Arabella xingar o Blood porque ele tava com outra, e também faz sentido ela fingir que não se importava com ele etc.

No fim das contas ficou o par perfeito para o famoso capitão Blood, – e olha que isso é difícil de encontrar para o personagem dos nossos sonhos! – o que faz dela uma personagem forte e interessante por si só, já que Blood jamais se interessaria por outro tipo de mulher.

E ainda por cima ela foi interpretada no cinema por Olivia de Haviland. Toma essa então.

Quem: Arabella Bishop
Onde: Capitão Blood
De: Rafael Sabatini

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