Livro: Amante Sombrio

Amante SombrioBeth é uma jornalista que está chegando aos trinta anos e não parece ter muito objetivo na vida. Sua carreira está estacionada em um jornal local. Sexo não tem a menor graça pra ela, e mesmo com um policial bonitão interessado, ela não tem vontade de ter relacionamentos. Sua mãe morreu no parto e ninguém sabe quem é seu pai. E uma noite Beth recebe uma visita completamente inusitada: um homem enorme, armado até os dentes, de longos cabelos negros e com roupas de couro, entra na sua casa parecendo não se importar com portas trancadas. E sem saber como nem porquê, Beth tem uma vontade incontrolável de fazer sexo com ele.

Wrath é o rei dos vampiros. O último vampiro de raça pura no planeta. E, no entanto, ele não se sente capaz de liderar seu povo, preferindo lutar para proteger os vampiros em uma guerra eterna contra os lessers, mortos-vivos malignos que juraram exterminar os vampiros do mundo. Wrath é extremamente forte, fechado, rude e insensível. Mas quando Darius, um dos únicos amigos que ele tem, é morto pelos lessers, Wrath não consegue negar o pedido que Darius fizera logo antes de morrer: Darius tem uma filha que é meio-humana. E talvez ela vire vampira. E Darius pediu que Wrath a ajudasse nessa transição e a protegesse contra os lessers. Quando Wrath vai até a casa da filha de Darius, se surpreende com a beleza da meio-humana. E com a vontade incontrolável que ele tem de repente de fazer sexo com ela.

Por mais que o tema “vampiros + romance” faça com que o livro pareça ser mais um na vibe do Crepúsculo, não se enganem. Esse não é um “romance paranormal para adolescentes”. Esse é um romance erótico com temática fantasiosa que é uma leitura mais do que excelente. Em todos os aspectos, se é que vocês me entendem.

Os vampiros criados pela autora não são os tradicionais sugadores de sangue monstrengos malignos. Eles são uma outra espécie, que vive separada dos humanos – eles precisam do sangue de vampiros do sexo oposto para viver, assim como comida e bebida normais. Eles não suportam a luz do sol, mas não têm nada contra alho ou cruzes. O sangue dos humanos é fraco demais para sustentá-los, então é raro a interação entre as raças. Eles precisam viver em segredo, e não só porque os humanos têm uma tendência a tentar detruir tudo o que eles não conhecem. A guerra contra os lessers não pode chegar nos humanos, ou a coisa ficaria muito pior. Por isso existe uma sub-raça de vampiros “superiores” que foram criados para defender o povo dos lessers: os guerreiros, que formam a Irmandade da Adaga Negra.

A trama segue duas partes principais: o romance de Wrath e Beth e as repercursões no mundo da Irmandade; e as tramas dos lessers para acabar com os vampiros. Essa segunda parte é interessante porque mantém a tensão e o drama na história, mas vou falar a verdade, ok? Eu não tenho a menor paciência para as histórias dos lessers. Primeiro que eles não fazem muito sentido – uma raça inteira criada com o único objetivo de destruir outra? E o que mais eles fazem da vida, minha gente? – e segundo que eu queria mesmo é saber o que acontecia com os vampiros guerreiros, e a ação entre o casal. E isso a autora tira de letra.

Quem já lia o blog antes sabe que eu tenho birra com romances eróticos porque a coisa toda parece muito irreal e idiota. Ainda por cima com vampiros, que foram completamente destruídos pela literatura teen atual. Mas é sempre bom achar pessoas que têm gostos literários parecidos, e quando outras blogueiras me recomendaram a série falando que era a melhor do mundo, acabei que um dia falei “por quê não?” e peguei pra ler.

Gente. Esse livro é so f*&cking hot. Juro, nunca tinha lido nada parecido. A mulher manda muito bem. Enquanto os romances eróticos que eu já tinha lido eram tipo “primeiras vezes” sendo românticas e causando orgasmos múltiplos (… fala sério) ou personagens que acham ciúmes e dominação emocional atraentes, nessa série a autora não só não tem medo de arriscar como também tem um baita dom com as palavras e com os personagens.

E uma coisa importantíssima que outros romances que eu li não tinham: Ela criou um mundo secundário extremamente coerente e interessante. Como os motivos pelos quais os vampiros fazem o que fazem, e as explicações por trás de, sim, ciúmes doentios, encaixam bem com o mundo que ela criou, pra mim não ficou uma sensação de “essa cena nunca aconteceria”. Ela criou um mundo de fantasia que ficou mais real do que livros que tentam imitar a realidade.

Tem outra coisa que ela faz muito bem e que é muito concreta. Nada de homens perfeitos e mulheres completamente tapadas: os homens da autora são inseguros e cheios de dúvidas – na medida certa – e as mulheres são decididas e fortes – na medida certa. Sabe tipo romance de banca? Tipo isso só que com vampiros, armas e bastante porradaria. Como não amar?

Esse livro é uma excelente introdução ao mundo criado pela autora; uma história cativante e cenas de sexo pra deixar qualquer uma com calor. Eu não tenho como recomendar essa série o suficiente. Um aviso para as puritanas: eu li os livros em inglês, e a linguagem não é amenizada. São muitas cenas de sexo de todos os tipos e muitos palavrões. Eu ouvi falar que a tradução em português amenizou os palavrões mas afora minha total revolta como tradutora profissional contra uma idiotice dessas não tenho como saber se os livros sofreram muito com esse tratamento. De qualquer forma, fiquem avisadas.

leiam.

Informações técnicas: Dark Lover (2005) de J.R. Ward. Série Irmandade da Adaga Negra Livro 1.

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